Guerra acende mercado paralelo de resinas na África e Turquia

Transformadores lucram mais revendendo PE e PP do que produzindo
Guerra acende mercado paralelo de resinas na África e Turquia

A guerra no Irã estripa a lógica dos mercados de poliolefinas na África e Turquia, uma afronta à lei da oferta e da procura, aliás muito familiar à cadeia do plástico no Brasil. Em análise no site Icis, John Richardson e Anne-Sophie Vaghela assinalam que, em particular na Turquia e Egito (exportador de peso de polietileno/PE para o Brasil), transformadores de maior porte preferem, em vez de rodar a pleno, revender a empresas menores parte das resinas que adquirem. “Estão lucrando mais com isso do que produzindo”, julgam os dois analistas. Tal como no Brasil, essa prática tem descambado para o mercado paralelo. “Ao lado dos preços oficiais e das ofertas divulgadas, existe uma camada muito mais opaca de comércio: cargas em dificuldades, remessas redirecionadas e até mesmo fluxos de material subsidiado que vazam dos sistemas domésticos”. Resinas de polietileno e polipropileno (PP) para moldagem doméstica nos países do Conselho de Cooperação do Golfo (Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Omã), notam os dois observadores, podem acabar revendidas e transportadas através das fronteiras, às vezes informalmente, criando um sistema paralelo de fornecimentos a preços muito mais baixos. Por tabela, o clássico conceito da formação de preços vai por água abaixo no varejo do plástico africano e turco. Petroquímicas estipulam determinado valor por suas resinas a transformadores que, do seu lado, as revendem mais barato em transações fora dos conformes fiscais.

A pane seca logística, outro pesadelo trazido pelo conflito no Oriente Médio, configura mais gasolina jogada nessa fogueira. “Tarifas de frete, disponibilidade de rotas e riscos de segurança tornaram-se tão importantes – ou até mais – quanto o custo intrínseco do material em si”, distinguem Richardson e Anne-Silvie. “Os compradores relutam, não por não enxergarem oportunidades, mas por não conseguirem antever como elas serão impactadas por interrupções no transporte ou mudanças repentinas na viabilidade das rotas. As decisões são cada vez mais moldadas pela flexibilidade e mitigação de riscos, em vez de uma vantagem de preço direta”.                

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