Esmagada pelo custo inviável de energia e pela economia trôpega, a indústria plástica da União Europeia (UE) caminha sobre o fio da navalha ao presenciar, desde 1 de julho a 31/12/2029, com o desembarque no continente de resinas e produtos transformados dos EUA isentos de alíquotas de importação. O homologado regulamento 2026/1455 referente ao acordo bilateral EUA-EUA zera as taxas alfandegárias da zona do euro para extenso leque de produtos industriais norte-americanos, entre eles polímeros e artigos de plástico e borracha. A Comissão Europeia pode sustar a benesse aduaneira se constatar danos ou riscos prejudiciais à indústria local ou se os EUA desrespeitarem o acordo desenhado para melhorar a competitividade dos seus produtos no bloco socioeconômico.
A entrada franca na UE cai bem em especial para polietileno (PE) de origem americana, distingue análise no portal da plataforma ChemOrbis, situando a resina em foco como líder em sua categoria nas vendas ao continente. Em 2025, indica a mesma fonte, os EUA responderam por 40% das importações europeias de PE (exclusive comércio intracomunitário). No mesmo ano, as exportações americanas de PE somaram 15 milhões de toneladas e o principal destino foi a UE. No plano dos grades específicos, os EUA abocanharam em 2025 a parcela de 65% das importações europeias de polietileno linear metalocênico (PEBDLm), 37% no nicho da resina de baixa densidade (PEBD), 30% no reduto do tipo de alta densidade (PEAD) e 20% no compartimento do polietileno de baixa densidade linear (PEBDL). Detalhes: a) o etano integrado à petroquímica dos EUA é bem mais acessível que a rota nafta dominante nos crackers europeus e b) os preços internos ultra baixos da China e sua incessante busca de autonomia produtiva em PE levam exportadores dos EUA a redirecionarem suas remessas da poliolefina para a porteira agora escancarada da UE.
Na raia de polipropileno (PP), a estimativa da ChemOrbis arredonda em 2 milhões de toneladas as exportações dos EUA em 2025, sendo que uma fração de 6% aportou na UE. Um índice bem inferior aos de origens como México (53%) e Canadá (24%). O jogo promete virar a partir do semestre atual, pois a eliminação das tarifas alfandegárias contemplam a petroquímica americana, já fortalecida pelo gás natural e etano mais baratos do planeta, com condições de estabelecer preços ainda mais atraentes, avalia o artigo da plataforma de conteúdo ChemOrbis. A mesma linha de raciocínio se estende aos plásticos de engenharia: as exportações dos EUA atingiram 1.1 milhão de toneladas em 2025, das quais 12% remetidas para a UE. O ponto fora da curva é PVC, pois a UE penalizou o vinil americano com sobretaxas antidumping de 58% a 77% e que, sustenta a ChemOrbis, não devem sair de cena com a nova regulação de comércio exterior.
Pergunta para os universitários: a petroquímica europeia conseguirá acertar o passo com essa pressão tarifária sobre suas margens? Diagnóstico da ChemOrbis: “os produtores europeus continuam a enfrentar custos estruturalmente elevados, demanda fraca e margens operacionais cada vez menores, enquanto navegam por uma onda contínua de racionalização. Ao mesmo tempo, os mercados globais de PE permanecem sob excesso de oferta persistente, com novas capacidades entrando em operação em todos os setores”. Quanto aos transformadores da zona do euro, a consultoria os julga beneficiados pelo acordo com oportunidades alargadas de acesso a matérias-primas mais acessíveis e ofertadas por maior diversidade de fornecedores. “No entanto, enfrentarão dupla pressão competitiva de produtos plásticos semiacabados ou acabados dos EUA”, conclui a matéria postada pela plataforma com sede corporativa na Turquia.


