Surdo às advertências sobre riscos de piora da dívida pública, danos na transparência das contas e aumento da pressão sobre a inflação, o governo federal, sedento de votos egressos da melhoria do consumo, lançou este ano um pacote de crédito que já mobilizou R$145.4 bilhões do seu orçamento, apontam estimativas divulgadas em 19/7. De longe, o maior valor – R$ 44.8 bilhões – foi destinado a operações de financiamento do programa Minha Casa, Minha Vida. Este incentivo combina com as expectativas de crescimento nas vendas de materiais de construção em ano eleitoral feitas em janeiro em consenso por transformadores de PVC. Desde março, porém, essas previsões foram escanteadas pela explosão dos preços do petróleo e derivados como termoplásticos deflagrada pela guerra no Irã. Os efeitos dessa mudança dos ventos semeadora de incertezas são comentados na entrevista a seguir por Marcos Viana, gerente nacional de vendas da Pevesul, transformadora paranaense há 40 anos em expansão em tubos, conexões e acessórios de PVC para os setores predial, irrigação e de saneamento.
“No setor imobiliário, o segmento de reformas foi mais impactado que o dos lançamentos pela alta dos materiais de construção”
Marcos Viana, Pevesul
Iniciada em março, a guerra no Irã elevou o preço do petróleo, contaminando a cadeia da construção. No Brasil, em média, o quanto subiram no primeiro semestre os preços de PVC para tubos & conexões?
As altas foram mesmo assustadoras, ultrapassando 25% em média. O encarecimento extrapolou a cadeia de PVC, abrangendo itens como combustíveis, anéis de borracha, metal e por aí vai. O setor imobiliário foi impactado direta e imediatamente, em especial no segmento de reformas. Afinal, no caso dos lançamentos, construtoras e/ou incorporadas acabam depois repassando o custo reajustado. Mas na reforma, o consumidor não estava preparado para uma alta tão brusca. Outro setor prejudicado foi o de empreendimentos e loteadoras, parando lançamentos e descontinuando obras.
A alta do petróleo encareceu diesel, aço, PVC, cimento, concreto, revestimento e tintas. As construtoras estão sendo pressionadas de dois lados: de um lado, custos subindo rapidamente. Do outro, dificuldade de repassar os reajustes por conta dos juros altos. Em decorrência, as obras podem ser postergadas, lançamentos podem ser reduzidos e preços dos imóveis podem subir?
Com certeza. Obras novas e reformas, quando não postergadas, tiveram o ritmo reduzido. Como se diz, “do couro, sai a correia”. O repasse é inevitável.
Minha Casa, Minha Vida: novas facilidades de financiamento abaladas pelo encarecimento abrupto dos materiais de construção.
Quais os efeitos desse quadro desafiador sobre a demanda na metade final de 2026 de materiais de acabamento como tubos e conexões de PVC?
Além da campanha eleitoral, tínhamos como elemento favorável para o movimento neste último semestre o fator Copa do Mundo que, querendo ou não, também impacta, já que se gasta com outras situações em caráter excepcional. No nosso segmento de tubos, estaríamos então entrando na “melhor safra”. Mas com os custos lá no alto já se vê a retração.
Entre as mudanças introduzidas este ano no programa Minha Casa, Minha Vida destacam-se a criação da Faixa 4 (R$ 9.600 a R$13.000), novo teto para cada grupo de renda, aumento do valor máximo dos imóveis e a ampliação dos subsídios. Os juros também receberam ajustes para beneficiar indivíduos mais pobres. Como situa o peso desse público beneficiado nas vendas de tubos de PVC?
Toda e qualquer mudança neste setor é fundamental para o aquecimento. Porém, como os aumentos de preços vieram na contramão, o peso dessas facilidades do Minha Casa, Minha Vida tem sido pequeno no movimento de tubos e conexões este ano.
Se não fosse a distribuição de recursos assistenciais tipo Minha Casa, Minha Vida, poderia estimar o quanto encolheria o movimento da indústria de tubos de PVC? O que acha dessa dependência do setor em relação ao mercado de baixa renda subsidiada pelo governo?
Esses recursos estimulam sim, sensivelmente o mercado de conexões, tubos e acessórios de PVC. Acreditamos que pelo menos, 15% de nossa produção decorre desses subsídios ao público de baixo poder de compra.
Lançamentos imobiliários: atrasos na construção causados pelos custos aumentados desde a guerra no Irã.
Construtoras reclamam da escassez de pessoal preparado para os canteiros de obras, lacuna preenchida com gente sem experiência e qualificação. Resultado: perda de produtividade, encarecimento e atraso na entrega do imóvel. Este problema afeta as vendas de tubos prediais e conexões?
Sim, com certeza. Atrasos nas obras são o principal motivo.
Por falta de custos competitivos e de matéria-prima disponível, a produção nacional de PVC tem estagnado na média de 30% de ocupação de uma capacidade nominal de 1.030 milhão de t/a. Em 2025 o Brasil importou 643.336 toneladas de PVC. Acha que este ano as importações podem igualar ou até superar a oferta do PVC nacional?
As importações devem aumentar este ano. Os fornecedores internacionais andam mais atentos à demanda da resina no Brasil, com a crescente distância entre o crescimento dela e a insuficiente produção interna de PVC.
Varejo da construção: ano turvado por inadimplência, orçamento doméstico apertado e preços abusivos para o comprador de lotes picados.
Segundo divulgou em 15/7 a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), o faturamento deflacionado deste setor recuou 3,4% no primeiro semestre versus mesmo período em 2025. O movimento do setor de tubos no primeiro semestre refletiu este quadro? E o que esperar do segundo?
As vendas no primeiro semestre refletiram este resultado negativo da Abramat. Como sempre, continuo otimista – acreditando que precisamos e temos como melhorar e, como já falei, o segundo semestre é, pelo histórico, a fase ano mais aquecida para o nosso segmento de tubos e conexões.
China lidera a produção mundial de PVC com capacidade da ordem de 30 milhões de t/a. Desse total, 10 milhões são de PVC base eteno da nafta e 20 milhões são de PVC base carbureto do carvão (mais barato e 100% disponível). Com a construção civil fraca desde 2021, a China tem ampliado as exportações do seu acessível excedente de PVC. Mesmo taxado com antidumping, acha que o PVC chinês (grade em solução) tende a curto prazo a ampliar os volumes internados no Brasil?
A curto prazo não vejo isso acontecer, mas sabemos o quanto os chineses são agressivos no mercado, de modo que considero uma tendência a expansão das exportações de seu super ofertado PVC para o Brasil, mesmo com a sobretaxa tarifária em vigor. •
Suplementos que vitaminam PVC
Em linha com a constante caça à produtividade em aplicações de PVC rígido, a japonesa Kaneka, casa de força em especialidades químicas, lança no Brasil a solução Kane Ace ™ MF103. Seu pulo do gato: permite elevar no composto o teor de carga mineral sem afetar os níveis adequados de resistência ao impacto e processabilidade, reduzindo assim o custo por kg da formulação e preservando as propriedades mecânicas, enaltece Letícia Ferreira Peres, gerente de Marketing da Kaneka South America. Na mesma trilha das novidades no portfólio, ela destaca o auxiliar de processamento acrílico Kane Ace ™ PA-141, lubrificante externo para reduzir a aderência do vinil a itens metálicos da extrusora e moldes, melhorando, por tabela, a estabilidade operacional, acabamento e brilho do material, além de diminuir as paradas para limpeza de máquinas, completa Letícia. Para PVC expandido, ela distingue, a Kaneka põe em cena o auxiliar de processamento de ultra alto peso molecular Kane Ace™ PA-94. “Contribui para incrementar a resistência do fundido, a estabilidade dimensional durante a expansão e o controle da estrutura celular”, esclarece a executiva, grifando consequentes ganhos no acabamento, uniformidade e com a redução da densidade do composto e do peso do produto final.
Entre os componedores de PVC no Brasil, os campeões de vendas da Kaneka abrem com os modificadores de impacto MBS (metil-metacrilato-butadieno-estireno). A patenteada tecnologia core-shell-rubber explica sua alta resistência ao impacto e dispersão na matriz do vinil em artefatos rígidos e semi. Outros diferenciais desse auxiliar, adiciona Letícia, são a capacidade para aliar alto desempenho mecânico com intensa transparência e a excelente fluidez das partículas durante o estado sólido, evitando a formação de aglomerados de difícil dispersão.
Para aplicações expostas às intempéries, como perfis para esquadrias, revestimentos e painéis, é forte a demanda no Brasil pelos modificadores de impacto acrílicos Kane Ace™ FM, pois asseguram a retenção dos atributos físicos e estéticos a longo prazo. Letícia acrescenta ao rol de carros-chefes do seu mostruário com os auxiliares de processamento Kane Ace™PA, cujo trunfo é a capacidade de melhorar a gelificação e acabamento de PVC rígido e flexível, materiais submetidos a processos de extrusão, injeção e calandragem, completa Letícia.


