Sem especificar as origens da ofensiva, a Agência de Imprensa Saudita (SPA) contabilizou em 9/4 um balanço arrepiante das capacidades de energia e químicos até então alvejadas no país sob a guerra no Irã e cujo prazo vislumbrado para voltar à ativa oscila de dois a cinco anos, a depender do expert consultado. “A continuidade desses ataques leva à redução da oferta e retarda a recuperação, afetando assim a segurança do abastecimento para os países consumidores e contribuindo para o aumento da volatilidade nos mercados de petróleo”, atestou a estatal SPA em comunicado à praça. “Isso já impactou negativamente a economia global, em particular com o esgotamento de uma parcela significativa dos estoques operacionais e de emergência, o que afetou a disponibilidade de suprimentos e limitou a capacidade de resposta a essa escassez.” O reino da Arábia Saudita lidera as exportações mundiais de petróleo e forma com Rússia e EUA o trio dos maiores produtores do combustível fóssil.
Entre as instalações avariadas sob controle absoluto do conglomerado estatal Saudi Aramco, constam, as refinarias Ras Tanura e Riyadh, o oleoduto Leste-Oeste (fluxo da ordem de 700.000 barris/dia), a unidade Ju’aymah de gás natural (liquefeito e hidrocarbonetos) e os campos petrolíferos de Manifa e Khurai. Evidentemente provisória, a lista compilada pela SPA fecha com duas refinarias geridas pelo grupo Saudi Aramco em joint venture: a SATORP, cuja sócia é a francesa TotalEnergies, e a SAMREF, que também tem a norte-americana ExxonMobil como acionista.
No polo de Al Jubail, a SATORP produz benzeno, xilenos mistos, paraxileno, tolueno e propeno. O mesmo site aloja o complexo petroquímico Amiral, avaliado em US$ 11 bilhões, com previsão de início de operação em 2027, relata o portal Chemical Week. Integrado à refinaria SATORP, ele contará com cracker de carga mista com capacidade de 1.65 milhão de t/a e uma unidade de 1 milhão de t/a de polietileno (PE).
Devido à guerra, noticiou a agência Dow Jones, a TotalEnergies interrompeu ou está em vias de encerrar sua produção de petróleo no Catar, Iraque e Emirados Árabes Unidos. Essas capacidades incidem em torno de 15% da produção total da companhia e ao redor de 10% de seu fluxo de caixa no segmento de exploração e produção.
Por sua vez, a ExxonMobil verberou em 10/4 na mídia que as interrupções em suas operações no Oriente Médio, desde o início de março, podem reduzir os lucros da companhia no primeiro trimestre. À parte os estragos nos ativos sauditas relatados pela SPA, problemas nas capacidades da ExxonMobil no Catar e Emirados Árabes Unidos diminuíram a ocupação de ativos que representaram cerca de 20% da produção global da empresa em 2025.
Os noticiados ataques aos campos sauditas de Manifa e Khurai, aponta a SPA, reduziram em torno de 300.000 barris/dia a capacidade produtiva deles. Até a publicação desta matéria, a agência noticiosa saudita estimava em torno de 600.000 barris/dia a redução na capacidade de fornecimento de petróleo do reino, projetada no total de 9 a 10 milhões de barris/dia.


