Pesquisa de opinião

A escassez de mão de obra qualificada em automação/ digitalização influi hoje para o transformador de plástico repensar sua intenção de comprar máquinas mais avançadas? Como contornar este obstáculo?
A escassez de mão de obra qualificada
Rogerio Mani

Rogério Mani

Diretor presidente da Epema

“Não nos preocupamos com a capacitação de pessoas para essa nova onda tecnológica”

Começo com uma pergunta para os transformadores e para mim mesmo  Qual o maior obstáculo para seu crescimento?

Resposta: sem nenhuma dúvida, é a mão de obra no plano geral e, mais ainda, a insuficiência de gente qualificada e preparada para a nossa nova realidade de máquinas cada vez mais tecnológicas.

Os poucos profissionais preparados são disputados acirradamente e, mesmo assim, com todas as exigências atendidas, bons salários e plano de carreira traçado preferem buscar trabalhos sem compromissos. Ou seja, em home office, sem horários, sem chefia direta e com muita pouca ambição. Infelizmente, é uma realidade e, de fato, não nos preocupamos com a capacitação de pessoas para essa nova onda tecnológica.

De outro lado, não acredito que investimentos não serão realizados na indústria transformadora por escassez de mão de obra  qualificada. Não nos resta outra alternativa para sermos criativos e buscar maneiras de reter talentos e investir em tecnologia conjuntamente com mão de obra qualificada. Vamos ter que pagar muito mais (no sentido de investir) e mudar nossa cultura empresarial para conviver com a nova conjuntura de trabalho dos jovens talentos.

O setor se adapta a tudo. Nosso maior problema é o TEMPO !!!

Edson Bignami Plasutil

Edson Bignami

Diretor comercial da Plasútil

“A dificuldade em contratar limita alguns investimentos em novas tecnologias, mas não podemos nos conformar com este obstáculo”

Hoje em dia, um dos grandes problemas da indústria está relacionado, sem a menor dúvida, com a escassez de mão de obra, tanto a básica como, principalmente, a qualificada. A dificuldade em contratar limita alguns investimentos em novas tecnologias, mas não podemos nos conformar com este obstáculo, até porque existem outras exigências também relacionadas à inovação e, em especial, aos custos fiscais (impostos).

Para contornar as dificuldades com mão de obra, aqui na Plasútil investimos em treinamentos constantes do time interno e buscamos no Senai profissionais capacitados.

Carlos Henrique Massarotto

Carlos Henrique Massarotto

Gerente geral e vice-presidente de operações da Plastek do Brasil

“É preciso treinar, treinar e treinar fazendo os profissionais se tornarem mais motivados e cientes da sua importância para o negócio”

A escassez de mão de obra qualificada é, sim, um problema real no nosso país nos dias atuais. Eu destaco, em especial, a carência  de talentos com sólidos conhecimentos de pontos como  automação, sistemas de visão para controle da precisão, qualidade, robôs e injetoras elétricas.

No entanto, sempre  há a se considerar também o lado da crescente necessidade de se melhorar e otimizar os processos produtivos e de controle da qualidade, buscando produtos melhores, de alto padrão, a preços competitivos e que atendam as crescentes exigências dos clientes. Quem não buscar incessantemente estes pontos estará sempre em desvantagem num mercado tão concorrido como o nosso.

Dessa forma, já faz algum tempo que a busca por equipamentos mais automatizados, robôs, máquinas de transformação elétricas e de alta precisão é uma necessidade e assim permanecerá cada vez mais. Não há outra saída. O Brasil tem muito a caminhar nesta direção se comparado países e operações vistos como referência mundial no gênero.

Como driblar, então, esta falta de conhecimentos técnicos?

Não há outra alternativa, aqui na Plastek, senão investir mais e mais em treinamento, seja junto aos próprios fabricantes dos equipamentos ou junto à nossa matriz, onde teoricamente sempre existe uma expertise maior.

É preciso treinar, treinar e treinar fazendo os profissionais se tornarem mais motivados e cientes da sua importância para o negócio.

Há riscos neste processo? Sim, claro. Riscos de se perder mão de obra qualificada para o mercado, riscos estes cada vez maiores. Mas isto não deve ser um impedimento para se seguir nesta direção de qualificar cada vez mais a equipe. E daí cabe à gestão de pessoas da empresa procurar adotar práticas modernas e eficientes para reter este pessoal. Sempre se poderá perder mão de obra qualificada e treinada mas, no final das contas, o custo/benefício será maior.

Gilberto Luiz Martinelli Sulbras

Gilberto Luiz Martinelli

Diretor da Sulbras

“É preciso preparar hoje os profissionais e as competências que serão necessários amanhã”

Acredito que, assim como a tecnologia e a digitalização trazem novas oportunidades, também apresentam novos desafios para as empresas. Neste sentido, as indústrias que valorizam e buscam investir continuamente em tecnologia, estarão em vantagem a médio prazo, pois automação e digitalização são fundamentais para aumentar a produtividade, qualidade e competitividade. Entretanto, o custo ainda elevado de algumas soluções, somado à escassez de profissionais qualificados para sua implantação, operação e manutenção, torna esses investimentos mais criteriosos e, em muitos casos, inviáveis.

A falta de profissionais não pode ser um fator que freie essa transformação. O desafio está em antecipar a formação dessas pessoas e investir continuamente em seu desenvolvimento, fortalecendo programas de treinamento e parcerias com fornecedores, clientes e instituições de ensino. Da mesma forma, é fundamental criar condições para reter esses profissionais, para que possam aplicar e multiplicar dentro da empresa o conhecimento e as competências adquiridas.

Dessa forma, entendo que o investimento em tecnologia deve caminhar lado a lado com o investimento em pessoas. É preciso preparar hoje os profissionais e as competências que serão necessários amanhã, garantindo que os investimentos em novas tecnologias sejam efetivamente transformados em produtividade, eficiência e competitividade para a empresa.

Outro desafio crucial é o alto custo de investimento em tecnologias embarcadas para a indústria. Embora o mercado ofereça soluções inovadoras com excelentes resultados operacionais, o preço elevado bloqueia em muitos casos as aquisições. Esse cenário dificulta o retorno sobre o investimento e compromete a competitividade da indústria nacional.

Ricardo Hajaj

Ricardo Hajaj

Diretor executivo da Cimplex

“Disputamos profissionais qualificados com os mais variados setores, devido à universalização das tecnologias de comando e controle dos equipamentos”

A indústria do plástico tem uma dinâmica de inovação e renovação do parque fabril muito rápida, devido à busca constante por reduções de custo, aumento da competitividade e sustentabilidade nos tipos e quantidades de materiais virgens e reciclados e novos designs das embalagens e produtos de consumo não duráveis e duráveis. Com a evolução das tecnologias digitais 4.0 e 5.0, os equipamentos atualizados exigem uma mão de obra de operação e manutenção que tenha esse conhecimento.

A indústria plástica carece hoje de mão de obra e acusa dificuldade tanto de atração quanto de retenção de talentos, pois disputamos esses profissionais com os mais variados setores, devido à universalização das tecnologias de comando e controle dos equipamentos. É um dos grandes problemas que estamos enfrentando para a aquisição de novos equipamentos, uma complicação aliada às altas taxas de juros no Brasil, que inibem um investimento maior.

Para contornarmos este obstáculo, entendo que a formação interna de talentos seja uma das melhores alternativas. Trata-se, em suma, de unir os ensinamentos provenientes dos cursos de formação profissional com o conhecimento dos sistemas que os fornecedores dos equipamentos estão utilizando para o controle e monitoramento da nossa capacidade instalada.

Domenico Macchia Junior

Domenico Macchia Junior

Diretor de novos negócios e desenvolvimento de novos mercados da Videplast

“O rendimento da produção e a menor disponibilidade de mão de obra exigem máxima automação das novas linhas adquiridas”

Vou fundamentar a resposta com os critérios adotados pela Videplast, indústria de flexíveis onde trabalho. A compra de novas coextrusoras de alta capacidade leva em conta o máximo de automação incorporada, visando maior rendimento, redução de aparas, bobinas perfeitas, baixa variação de espessura, tipos de resinas utilizados, trocas mais rápidas de estruturas, composição e cor etc. Com isso tudo, diminui a necessidade de uma segunda operação unitária para melhorar a bobina produzida para os próximos processos. Considerando estes fatores e uma menor disponibilidade de mão de obra, a automação deve ser contemplada em qualquer projeto de de novas fábricas ou expansão de unidades existentes. A automação possibilita a operação mais tranquila com um grupo técnico mais enxuto e aumenta a produtividade e qualidade do filme.

Gabriel Gonçalves, presidente da Unipac

Gabriel Gonçalves

Presidente da Unipac

“O verdadeiro desafio para a atual transformação tecnológica não está no chão de fábrica, mas na média e alta lideranças”

O investimento em tecnologia digital, mecânica e materiais avançados não deve ser inibido pela percepção de escassez de mão de obra qualificada. A dinâmica de mercado que vivenciamos hoje e continuará ditando o futuro exige uma evolução tecnológica contínua e a busca rápida por competitividade em todas as frentes. A máxima de que ‘quem não cresce e não evolui, infelizmente não sobrevive’ se aplica perfeitamente a este cenário.

Antes de pensar em automação e digitalização, o negócio precisa consolidar três pilares: ter clareza de sua estratégia; estabilizar seus processos operativos (frente em que nós, na Unipac, temos atuado de forma intensa nos últimos cinco anos); e possuir uma infraestrutura de tecnologia digital muito bem saneada, com qualidade de dados e informações realmente relevantes para a tomada de decisão. Trata-se da construção de um hub de dados bem desenhado e confiável. Sem estratégia de negócio clara, processos estabilizados e excelente infraestrutura digital não se consegue fazer uma automação ou digitalização que crie, de fato, valor adicionado aos clientes e ao mercado em que atuamos.

Quanto à qualificação da mão de obra, nosso histórico mostra tratar-se de um desafio superável. Acreditamos muito no potencial de nossas pessoas, a ponto de constar entre os valores que cultuamos ‘desenvolver a nossa gente’. Por este motivo, investimos continuamente na formação profissional dos colaboradores e do ecossistema da Unipac.

Para estruturar essa base, contamos com instituições como a Fatec Shunji Nishimura. Foi criada através de parceria público-privada entre a Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia, o Centro Paula Souza e a prefeitura de Pompeia. Ela provê o suporte para o desenvolvimento de competências digitais de nosso quadro de pessoal. Temos também o apoio da Escola SENAI Shunji Nishimura, atuante na promoção da educação profissional, inovação e transferência de tecnologias, sendo fundamental para o desenvolvimento de competências em Mecânica, Segurança e Materiais Avançados, principalmente polímeros. Essas parcerias nos garantem base técnica qualificada na operação para acompanhar a evolução tecnológica do negócio.

Apesar das melhorias incrementais ainda serem essenciais para a competitividade, o verdadeiro desafio para a atual transformação tecnológica não está no chão de fábrica, mas na média e alta lideranças. O sucesso na automação e na digitalização traz como consequência direta o redesenho profundo de processos e a criação de novos modelos de gestão.

Esta exigência de nova arquitetura organizacional requer que a liderança corporativa compreenda o negócio com profundidade e amplitude, tornando-se capaz de discutir e repensar novos modelos de operação e não apenas focar em atividades e rotinas de processo. Para contornar este cenário, a principal estratégia é investir no fator humano. É por isso, por sinal, que mantemos programas específicos voltados ao desenvolvimento contínuo da nossa média e alta lideranças.

Luiz Felipe Ávila

Luiz Felipe Ávila

Diretor de operações do Grupo Vibrapack

“Capacitamos nossos especialistas com material didático autoral, de conteúdo adaptado para atrair e engajar as novas gerações na carreira técnica”

A necessidade de renovação do parque industrial deve ser inegociável. O mercado atual exige um controle de processo cada vez mais rigoroso, impulsionado por linhas de envase modernas, mais velozes e altamente sensíveis a variações das embalagens. Equipamentos mais avançados são o único caminho para entregar produtos de alta precisão que atendam as especificações e tolerâncias cada vez mais menores. Para nós, alcançar a excelência sem investir no que há de maior excelência tecnológica na indústria plástica não é uma opção. É verdade que a disponibilidade de mão de obra especializada para acompanhar esse ritmo é um desafio, mas jamais um problema. Na verdade, ela deve ser parte da solução. No Grupo Vibrapack, mantemos um projeto estruturado de formação e crescimento profissional interno. Capacitamos nossos especialistas em sopro, injeção e manutenção com material didático autoral, 100% alinhado à nossa realidade tecnológica. Além disso, adaptamos a forma desse conteúdo para atrair e engajar as novas gerações na carreira técnica. Para sustentar essa engrenagem, a equipe sênior desempenha um papel estratégico de manter o olhar atento às movimentações do mercado e identificar continuamente oportunidades de crescimento interno. Por meio do planejamento de carreira, viabilizamos promoções para os profissionais da área.
Claudio Meneghel

Claudio Meneghel

Diretor técnico/comercial da empresa Trughel e presidente do Simplás NG (Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Nordeste Gaúcho)

“A decisão de adiar a modernização tecnológica com base no gargalo de pessoal custa a sobrevivência do negócio em médio prazo”

A transformação de plásticos no Brasil vive um impasse conceitual e financeiro. Ao circular pelo chão de fábrica de polos industriais e dialogar com empresários da injeção de peças técnicas, constato uma contradição recorrente: a demanda por ganho de produtividade exige automação e digitalização, mas o avanço rumo à Indústria 4.0 esbarra na escassez severa de mão de obra capacitada para operar, programar e manter esse ecossistema tecnológico.

A dúvida que ecoa nas reuniões de diretoria é pragmática: a falta de equipe qualificada em automação deve fazer o transformador repensar a intenção de comprar injetoras mais avançadas e robótica periférica?

A resposta direta é: não. Adiar a modernização tecnológica com base no gargalo de pessoal é uma decisão que custa a própria sobrevivência do negócio em médio prazo. Contudo, essa transição exige um modelo de gestão radicalmente reformulado e uma leitura fria da conjuntura econômica nacional.

Diagnóstico: Apagão de Talentos na Injeção Técnica

A complexidade da injeção técnica – que exige tolerâncias dimensionais milimétricas, controle rigoroso de processo e resinas com cargas especiais – não tolera amadorismo. A escassez de técnicos formados em mecatrônica, automação e regulagem de processo não é uma percepção subjetiva; ela reflete lacunas estruturais na formação profissional do país.

Quando um transformador adquire uma injetora de alta precisão (servocontrolada ou 100% elétrica) equipada com robôs cartesianos/articulados e sistemas de visão computacional, ele espera reduzir o tempo de ciclo e erradicar o refugo. No entanto, sem um profissional capaz de otimizar parâmetros de injeção ou realizar a manutenção preditiva da automação, a máquina atua abaixo da eficiência global de equipamentos (OEE). O robô parado por falha de programação transforma um investimento milionário em custo ocioso.

Peso da Macroeconomia: Juros, Câmbio e Linhas de Crédito

A decisão de investir no parque fabril torna-se ainda mais delicada quando analisamos a conjuntura econômica brasileira. A taxa básica de juros (Selic) mantida em patamares elevados de 13,75% ao ano eleva o custo de capital e encarece o financiamento bancário convencional. Além do mais, a volatilidade cambial impõe um desafio contínuo à aquisição de injetoras e periféricos importados.

Para contornar o crédito bancário de prateleira – cujas taxas inviabilizam o retorno sobre o investimento (ROI) –, o empresário da transformação precisa estruturar seus aportes utilizando mecanismos operacionais específicos:

  • Linhas de Fomento à Inovação e Modernização – Programas como Finep Mais Inovação e linhas do BNDES direcionadas à Indústria 4.0 oferecem custos financeiros atrelados à Taxa de Longo Prazo (TLP) ou TR. Essas opções tornam-se viáveis quando o projeto de automação demonstra ganho direto de eficiência energética ou produtiva.
  • Finame/Baixo Carbono – A substituição de máquinas hidráulicas antigas por injetoras elétricas ou servo-acionadas permite enquadramento em linhas de crédito verde focadas em eficiência energética, resultando em carências mais longas e spreads reduzidos.
  • Projetos de Eficiência Energética – Diante das tarifas de energia industrial praticadas no Brasil, a redução do consumo por quilo de material transformado impacta positivamente na amortização direta da parcela do financiamento.

 

Como Contornar o Obstáculo da Mão de Obra?

Se a compra da máquina avançada é inevitável para manter a competitividade, a estratégia para superar a falta de pessoal qualificado baseia-se em quatro pilares pragmáticos:

  1. Formação ‘Dentro de Casa’ e Parcerias Regionais

Esperar pelo profissional pronto no mercado é um erro estratégico. O caminho eficiente passa pelo fortalecimento de parcerias com o Sistema S (SENAI/SESI), universidades tecnológicas regionais e o investimento em programas internos de capacitação contínua. As empresas precisam atuar como polos formadores, criando trilhas de carreira atraentes para reter os talentos desenvolvidos.

  1. Plug & Play e Interface Homem-Máquina (IHM) Intuitiva

A indústria de máquinas tem respondido ao gargalo global de mão de obra simplificando a operacionalização. A prioridade de aquisição deve focar em equipamentos cujos robôs e periféricos ofereçam programação gráfica, assistentes virtuais de regulagem e interfaces intuitivas, reduzindo a dependência de especialistas altamente gabaritados para ajustes rotineiros de processo.

  1. Integração e Suporte Técnico dos Fabricantes (OEMs)

A relação com o fornecedor de máquinas mudou. O contrato de compra deve contemplar pacotes robustos de treinamento operacional no ramp-up, suporte remoto via telemetria (IoT) e contratos de manutenção preventiva. A fábrica transfere parte do peso da alta complexidade técnica ao parceiro tecnológico.

  1. Automação Progressiva (Módulo a Módulo)

A transição não exige a digitalização de 100% da fábrica de uma só vez. Recomenda-se a implementação em células-piloto de alta complexidade. A consolidação do conhecimento técnico na primeira célula gera o aprendizado necessário para replicar a automação no restante da planta de forma sustentável.

Considerações Finais

A escassez de mão de obra qualificada não deve servir como freio para o avanço tecnológico da indústria plástica; ao contrário, é o sintoma que comprova a necessidade de automatizar. Operações dependentes de processos manuais intensivos enfrentarão custos operacionais crescentes e perda progressiva de margem.

Com planejamento financeiro adequado, aproveitamento das linhas de fomento existentes e um plano estruturado de capacitação interna, o transformador plástico brasileiro tem as ferramentas para superar esse gargalo, garantindo a produtividade e a competitividade que o setor técnico exige.

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