PEAD: novo complexo nos EUA agrava excedente global em 2027

Golden Triangle Polymers deve priorizar exportações da capacidade de 2M de t/a
PEAD: novo complexo nos EUA agrava excedente global em 2027

Aboletada no ultra acessível etano contido no gás natural do xisto, a costa do Golfo dos EUA alargará em 2027 sua liderança mundial como polo exportador de resinas, efeito da partida em Orange, no Texas, do integrado complexo petroquímico Golden Triangle Polymers. Orçado em torno de US$ 8.5 bilhões e controlado pela Chevron Phillips Chemical (51%) e Qatar Energy, o empreendimento conta com cracker de 2.080 milhões de t/a de etano e duas plantas totalizando 2 milhões de t/a de polietileno de alta densidade (PEAD) graus sopro, injeção e filme.

Como o mercado norte-americano da resina singra na maturidade, o grosso da produção do Golden Triangle será mobilizado pelas exportações, noticia a mídia internacional. Em razão da logística e regionalização dos mercados, a América Latina será um escoadouro top desse PEAD a preços abaixo dos praticados pela petroquímica local, ultra dependente de importações da poliolefina. Para pressionar ainda mais a futura precificação global, estima-se em torno de 4 milhões de t/a o acréscimo em 2027 na capacidade asiática de PEAD.      

O consenso no vespeiro dos analistas é de que, dessa vez, a China não deverá irromper em cena como o maior consumidor desse excedente de PE. Afinal, sua economia interna evolui com comedimento e a progressiva autossuficiência chinesa na produção da resina vai reduzindo sua necessidade de importá-la. Desse modo, a poliolefina do Golden Triangle tende a aportar, em especial na Europa e América Latina, duas áreas onde a rota mais cara da nafta predomina na sua petroquímica. É o caso do Brasil, onde a nafta sai cerca de cinco vezes mais cara que o etano americano e 55% do mercado local de PE foi atendido por importações em 2025, calcula o advogado especializado Luiz Eduardo Salles.

De outro prisma, os volumes esperados do complexo Golden Triangle Polymers devem ganhar, em meio à disponibilidade incerta de PE no Oriente Médio hoje em conflito, uma animadora conotação de suprimento garantido da poliolefina para os transformadores abaixo do México. O Brasil destoa desse bloco devido às polêmicas barreiras tarifárias erguidas pelo governo. Além da aplicação de direitos antidumping para PE trazido dos EUA, a alíquota para importação brasileira da resina internacional subiu para 20%. 

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