Interplast

Karina Plásticos

Qual era em janeiro sua previsão para as vendas de sua empresa este ano e qual passou a ser esta previsão para 2026 a partir de março, com a guerra no Irã combinada com o mercado interno marcado por inadimplência recorde, alta dos preços em geral e juros abusivos?

Karina Plásticos

Quando fizemos nosso planejamento para 2026, não imaginávamos que, ao final de fevereiro, teríamos o início de uma guerra no Oriente Médio, maior região produtora e exportadora de petróleo do mundo, matéria-prima da cadeia em que nossa empresa está inserida de forma bastante impactante. Nossa cadeia produtiva é baseada no fornecimento de resinas, essenciais à produção de matérias-primas para diversos segmentos. Somos especialistas na produção de compostos, masterbatches, aditivos e cargas utilizando resinas como PVC, PE, PP, PS e EVA, além de elastômeros.

Em resumo, observamos então forte escalada nos preços e um aumento significativo na procura por nossos produtos pelos clientes num cenário marcado por incertezas. Não havia fundamentos claros que justificassem esse movimento, além da preocupação com possíveis desabastecimentos e da expectativa de novas elevações de preços ainda mais acentuadas.

Esse comportamento se manteve de março a maio, período em que registramos incrementos nos preços e volumes comercializados significativamente acima das projeções iniciais. Já em junho, o mercado passou a apresentar uma dinâmica diferente, acompanhando as perspectivas vindas dos mercados norte-americano, europeu e até asiático, onde começaram a normalizar os fornecimentos e os preços sinalizando queda também notada nos volumes de forma expressiva.

Em relação à comparação entre as previsões e os resultados efetivamente alcançados após o início da guerra, eu dividiria a análise em duas fases distintas. No primeiro semestre, observamos um cenário mais equilibrado. Embora o mercado interno tenha apresentado desempenho abaixo das expectativas durante o primeiro trimestre, parte dessa retração foi compensada ao longo do segundo pelo aumento das compras especulativas realizadas pelos clientes, motivadas pelas incertezas quanto à oferta e aos preços. Já no início do segundo semestre, o mercado passou a apresentar um comportamento mais estável, porém sem sinais consistentes de crescimento. Nesse contexto, acredito que não conseguiremos atingir nossas projeções estabelecidas para 2026. Trata-se de um resultado muito mais relacionado à fragilidade da demanda no interna do que aos efeitos diretos da guerra. Esses impactos sobre nosso mercado já se manifestaram, em especial por meio da pressão sobre custos e dos altos índices de inadimplência em função dos juros que continuam elevados e, agora, com os clientes fortemente estocados com custos mais altos do que normalmente seriam e com ofertas de produtos sob um mercado ultra concorrido e pouco comprador.

No momento, aguardamos a evolução natural do mercado sempre vista nesta época. Ou seja, um segundo semestre mais comprador que primeiro. Ainda não há sinais consistentes que permitam confirmar essa expectativa. Constatamos uma entrada melhor de agosto, mas longe do que prevíamos inicialmente na formação de nossas previsões para 2026 em geral.

A situação é bem preocupante e continuaremos a trabalhar em busca de custos mais baixos. A conjuntura nos recomenda esperar que o mercado se ajuste melhor com seu fluxo de caixa e que apareçam espaços de consumo que consigam amenizar a forte pressão competitiva que todos os players do mercado estão empreendendo.

Edson Penido diretor comercial

“A situação é bem preocupante e continuaremos a trabalhar em busca de custos mais baixos”

Edson Penido, diretor comercial

Quais as novidades em termos de portfólio de produtos, logística, ferramentas digitais e serviços e facilidades ao cliente que sua empresa lança na Interplast? Quais as vantagens, ineditismos e diferenciais proporcionados por estas inovações em relação à concorrência?

Decidimos comparecer à Interplast com todo nosso portfólio de mais de 50.000 formulações desenvolvidas em quase 47 anos de história da Karina. Aliás, aproveitamos o evento para divulgar no estande a nova identidade visual criada para fortalecer o slogan: “Estamos em todo lugar.” O objetivo é enaltecer a capacidade fabril e de atendimento da empresa com soluções completas para o transformador e calçadas nas matérias-primas mais utilizadas pelo mercado: PVC, masters e aditivos, bioplástico compostável e materiais para rotomoldagem.

Teremos também uma ação pontual apresentando um dos nossos projetos de logística reversa. Ainda no plano da sustentabilidade, nosso portfólio inclui muitos produtos da linha EKO® que podem ser biobaseados, bioplásticos compostáveis, aparas industriais e PCR.

No mesmo período da Interplast, estaremos ofertando nosso mostruário de compostos na feira calçadista FEBRAC, em Nova Serrana (MG). •