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Mainard

Qual era em janeiro sua previsão para as vendas de sua empresa este ano e qual passou a ser esta previsão para 2026 a partir de março, com a guerra no Irã combinada com o mercado interno marcado por inadimplência recorde, alta dos preços em geral e juros abusivos?

Mainard

Nosso orçamento para 2026 foi preparado em outubro de 2025 e já partia de uma visão conservadora. Naquele momento, projetamos crescimento de aproximadamente 8% nas vendas. Não era uma estimativa otimista ou baseada em uma grande recuperação da economia, mas considerava alguma normalização dos investimentos industriais ao longo do ano.

Em março, diante da rápida deterioração do ambiente econômico, revisamos a projeção para uma queda de 5%. Em julho, fizemos uma nova revisão, agora para retração de 6% no faturamento anual. Portanto, saímos de uma expectativa de crescimento moderado para a perspectiva de encerrar o ano abaixo de 2025.

A guerra no Irã adicionou instabilidade a um cenário que já era difícil. Para a indústria do plástico, o efeito vai além do preço do petróleo: alcança as resinas, os derivados petroquímicos, os fretes, a energia, o câmbio e a previsibilidade de fornecimento. O Estreito de Ormuz concentra parcela relevante do comércio mundial de petróleo, de modo que qualquer interrupção ou ameaça nessa região se espalha rapidamente por toda a cadeia industrial. Para quem produz filmes, embalagens e outros transformados plásticos, essa volatilidade dificulta a formação de preços, reduz margens e adia decisões de investimento.

No mercado brasileiro, porém, o problema é ainda mais amplo. Temos juros que continuam extremamente elevados, crédito caro e seletivo e inadimplência empresarial em nível recorde. Em maio, atesta Serasa Experian, o país já contabilizava cerca de nove milhões de empresas inadimplentes. Ao mesmo tempo, os compradores estão mais cautelosos, alongando negociações, solicitando prazos maiores e adiando investimentos que não sejam considerados absolutamente indispensáveis. Mesmo após os cortes iniciados pelo Banco Central, a Selic ainda estava em 14 % ao ano em junho (taxa anunciada em 17/6), patamar que continua sufocante para quem precisa financiar produção, estoques ou aquisição de equipamentos.

Existe uma contradição perigosa nesse quadro: justamente quando os custos aumentam e as margens diminuem, algumas empresas passam a economizar naquilo que assegura a qualidade do produto. Reduzir controle de qualidade pode aliviar uma despesa no curtíssimo prazo, mas costuma gerar perdas muito maiores com excesso de matéria-prima, variação de processo, retrabalho, devoluções e reclamações de clientes.

É nesse ponto que a Mainard procura atuar. Nossos equipamentos não eliminam as dificuldades econômicas, evidentemente, mas ajudam a indústria a controlar melhor o processo e a produzir dentro das especificações, com menos desperdício. Em um mercado apertado, medir corretamente deixa de ser apenas uma questão técnica: passa a ser uma ferramenta de proteção da margem.

Amilton Mainard presidente

“Reduzir controle de qualidade pode aliviar uma despesa no curtíssimo prazo, mas costuma gerar perdas muito maiores”

Amilton Mainard, presidente

Quais as novidades em termos de portfólio de produtos, logística, ferramentas digitais e serviços e facilidades ao cliente que sua empresa lança na Interplast? Quais as vantagens, ineditismos e diferenciais proporcionados por estas inovações em relação à concorrência?

Nosso principal lançamento na Interplast é a mesa de medição de espessura digital M-730015, desenvolvida para aplicações dependentes de elevado nível de resolução, com destaque para a indústria de filmes. O equipamento possui relógio digital com leitura de 0,0001 mm, equivalente a um décimo de milésimo. É o maior nível de resolução oferecido pela Mainard para esse tipo de medição e permite ao usuário identificar variações de espessura que instrumentos convencionais podem não evidenciar adequadamente. Na prática, o cliente consegue acompanhar com muito mais sensibilidade a uniformidade do filme produzido. Diferenças aparentemente insignificantes de parede, quando multiplicadas por milhares de metros de produção, podem representar uma quantidade considerável de matéria-prima. Se o transformador trabalha sistematicamente acima da espessura necessária por falta de confiança na medição, está entregando resina de graça. Se trabalhar abaixo, corre o risco de comprometer o desempenho do produto, descumprir especificações e receber reclamações ou devoluções.

A mesa de medição modelo M-730015 diminui essa zona de incerteza. Seu diferencial não está apenas em apresentar mais casas milesimais no display, mas em oferecer uma estrutura estável para a medição, com controle adequado do contato com a amostra e repetibilidade compatível com uma rotina industrial de controle de qualidade. Colocar muitos dígitos em um display é fácil; difícil é fazer com que esses números tenham utilidade prática e sejam confiáveis no processo produtivo.

A mensagem central da Mainard para a feira é direta: qualidade não é separar o produto ruim no final da linha; é controlar o processo para evitar que ele seja produzido. A M-730015 materializa este conceito. Quanto mais estreitas ficam as margens da indústria, mais caro se torna produzir sem medir direito. •