As particularidades da China, epicentro da produção mundial do polímero, têm lapidado os preços internacionais de PVC com nuances inencontráveis em outras resinas desde o início da guerra no Irã, constata o blogueiro John Richardson em artigo postado em 8/ 6 no site da consultoria Icis. Em março, quando começou o conflito no Oriente Médio os preços do vinil não fugiram à regra entre os termoplásticos e explodiram sob a alta do petróleo e escassez de derivados como a nafta, matéria-prima remetida da região à indústria petroquímica chinesa pelo Estreito de Ormuz. Ocorre que a precificação de PVC da China, decorrente do fechamento desta via marítima entre os golfos Pérsico e de Omã, passou a ser norteada não mais pela demanda, mas também por outra via de produção inexistente na petroquímica ocidental, deixa claro o analista.
O cenário atual, ele interpreta, mostra “um equilíbrio instável entre disponibilidade de matéria-prima, flexibilidade de produção e competitividade estrutural”. As cotações colhidas por Richardson falam por si: em 27/3, o preço de PVC base eteno FOB China rondava o recorde de US$ 1.035/t e em 5/6 baixava para US$740. O nome da mágica é a influência exercida nas circunstâncias pela produção chinesa do vinil base carboneto, usuária de acetileno derivado do carvão, processo execrado como poluente pelos ambientalistas. Em 27/3, o preço de PVC FOB China pela rota carboquímica andava em US$ 840/t e recuou para a faixa de US$ 725 no início de junho. A disputa entre as duas rotas produtivas, comenta Richardson, convergiu para rápida convergência nos preços do vinil saído de cada uma delas. O blogueiro salienta que, em linha com qualquer petroquímico, os preços de PVC seguem na instabilidade atual acima do baixo platô pré-guerra – em dezembro último, a tonelada da resina FOB China era cotada na casa de US$ 500. No início de junho, a diferença entre as resinas as duas rotas foi dimensionada pelo blogueiro em US$15 FOB China /t.
Richardson arredonda a capacidade nominal chinesa de PVC na dianteira mundial de 30 milhões de t/a, das quais 10 milhões referentes à resina base eteno e 20 milhões aos grades base carboneto. Pela ainda vigente lei da oferta e da procura, a carência de eteno instaurada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz deprimiu desde o final de março a taxa de ocupação das petroquímicas chinesas de PVC algemadas a esta rota. Já os produtores do polímero adeptos da carboquímica e imunes à vulnerabilidade do eteno têm levitado com aumentos de preços e margens, pois assim contornam a enfraquecida demanda da transformação chinesa, com a construção civil lesionada desde 2022 pelo colapso imobiliário, com subsidiadas exportações para destinos asiáticos tipo Índia e Vietnã.
Apesar de hoje cantar na chuva, exultante com a rentabilidade, o reduto de PVC apoiado no carvão está em sinuca na China engendrada pela irada regulação ambiental, pois sua produção é de três a cinco três vezes mais intensiva em carbono que a via do eteno e, por imposição dos legisladores, seus catalisadores base mercúrio estão fadados à gradual aposentadoria até 2032. “Sem investimento em catalisadores alternativos (como sistemas à base de ouro) ou acesso ao eteno, muitos produtores de PVC poderão ser forçados a abandonar o setor”, prevê Richardson.


