Na esteira de decisão tomada ao final de 2025, a múlti americana Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, comunicou em 20/4 o fechamento de sua fábrica argentina, localizada em Pilar, a cerca de 50 km de Buenos Aires. Com apenas três anos de ativa, a unidade precocemente desligada resultou de noticiado aporte de R$ 270 milhões e dispunha de capacidade anual para montar 300 lavadoras de roupa com abertura frontal. A mídia repassou a justificativa oficial da Whirlpool para o encerramento da produção argentina –, melhorar a eficiência operacional e otimizar recursos. Porém, uma corrente de analistas identificou a influência da abertura comercial defendida pelo governo Milei – a importação de eletrodomésticos mais acessíveis foi responsabilizada pela queda de 38% na produção do setor local entre fevereiro de 2025 versus 2024, aferiu o Instituto Nacional de Estadística y Censos de la República Argentina (Indec). Noves-fora, a Whirlpool resolveu transferir a capacidade em Pilar para Rio Claro, no interior paulista, unidade afagada em maio último com anunciado investimento superior a R$ 300 milhões para tornar-se o maior complexo latino-americano de manufatura de lavadoras, ressaltou a imprensa. Essa mudança também favorece a intensa expansão mantida pela Injequaly em 13 anos como subsidiária no Brasil da americana Viking Plastics, fornecedora mundial de peças técnicas para a Whirpool. Nesta entrevista, Fernando Esteves, diretor de desenvolvimento da Injequaly, detalha os preparativos de sua empresa para ajustar o passo com a estratégia do mega cliente.
“Inauguraremos com 13 injetoras, nossa segunda fábrica em Joinville em setembro”
Fernando Esteves, Injequaly
A Whirlpool anunciou em abril ter fechado sua planta em Pilar, na Argentina. Em 25 de maio comunicou investimento de R$ 300 milhões em seu complexo em Rio Claro, focado em lavadoras de roupas. Como esta mudança se reflete na produção da Injequaly, sua fornecedora de componentes no no Brasil?
A Injequaly se posiciona hoje como o maior fornecedor de componentes injetados para linha branca no Brasil. Como empresa integrante da Viking Plastics, ela faz parte do maior supridor global no gênero para a Whirlpool, em todas as suas unidades de negócio. O fechamento da planta argentina, e a transferência de negócio para unidade de Rio Claro resultou numa pausa momentânea desse nosso suprimento para Pilar . No momento, estamos nos preparando para voltar ao fornecimento com volume maior do que remetíamos para a fábrica da Whirpool na Argentina.
A transferência da produção da Argentina para o Brasil favorece quais plantas da Injequaly?
O fornecimento no Brasil dos itens antes enviados para planta de Pilar) passa a ficar a cargo das nossas unidades em São Paulo, em Itaquaquecetuba e Rio Claro, ambas dedicadas à injeção de componentes para lavanderia e cocção.
Qual o plano da Injequaly para acompanhar este aumento da produção brasileira da linha branca da Whirlpool?
Junto com a Viking Plastics, a Injequaly anunciou a compra de 24 injetoras, de 320 a 900 toneladas de força de fechamento, para incorporar às suas fábricas em São Paulo e Joinville, aumentando assim sua capacidade até setembro próximo.
Quantas injetoras hoje operam em cada unidade da Injequaly?
Temos 26 linhas em Itaquaquecetuba, 19 em Rio Claro, 28 em Joinville e 13 injetoras rodarão na fábrica que inauguraremos em setembro próximo, também em Joinville. Investimos este ano cerca de R$ 16 milhões na compra de equipamentos para absorver novos negócios e expandir as plantas existentes. No momento, nossa capacidade de transformação é de 2.350 t /mês.


