Integrante do Grupo Jacto, marco zero brasileiro dos implementos agrícolas, a Unipac cruza a marca dos 50 anos como transformadora de plástico top of mind no suprimento de uma miríade de produtos inovadores e de tiragens limitadas para o universo das indústrias de manufatura. Desde 1976, quando irrompeu como empresa independente, o cultivo pela Unipac deste seu foco fora do varejo para o consumidor final a agraciou com uma musculatura sarada, a cargo hoje de duas fábricas no interior paulista (Pompeia e Limeira) e três unidades de frascos soprados dentro de plantas de companhias clientes (in house). E vem muito mais pela frente, adianta o presidente Gabriel Gonçalves nesta entrevista sobre a jornada de meio século e novas oportunidades sondadas.
“A Unipac avalia a possibilidade de crescimento inorgânico, através de aquisições de empresas”
Gabriel Gonçalves, Unipac
A Unipac fornece componentes plásticos para implementos agrícolas e demais produtos fabricados pelo seu controlador, o Grupo Jacto?
Em 2007 a Unipac estendeu o braço em produtos médico-hospitalares. Como ela tem avançado neste nicho?
Além do pioneiro reservatório de PEAD para pulverizador costal de defensivos, quais produtos injetados da Unipac considera que constituíram inovações no Brasil quando foram lançados?
Aponto dois exemplos marcantes:
- Caixas plásticas colapsáveis (Caixamóbil), produzidas pelo processo de injeção estrutural e contendo resina pós-consumo (RPC) na sua composição.
- Tampas autolacráveis: sistema com patente requerida que suporta alto torque de fechamento nas indústrias, garantindo a inviolabilidade do produto e fácil abertura manual pelo consumidor.
Recipientes para leite e tanque de combustível: substituições pioneiras de contratipos metálicos por PEAD soprado.
E quais os desenvolvimentos marcantes na área de sopro?
Aqui minha lista de referências é bem mais extensa e abrange pioneirismos como estes a seguir.
- Emprego da tecnologia de barreira interna à base de deposição química via plasma, proporcionando embalagens de defensivos 100% recicláveis;
- Embalagem 20 litros com 950 g proporcionando redução da emissão de 377 toneladas de carbono a cada milhão de unidades, concebida para a Ourofino Agrociência.
- Embalagens autoempilháveis produzidas a partir de RPC e embalagens de polietileno de alta densidade (PEAD) resultante da renovável rota alcoolquíimica (etano da cana-de-açúcar).
- Tanques de PEAD para combustível de caminhões, deslocando similares de aço carbono e zerando problemas como corrosão e o entupimento de filtros.
- Tanques para Arla 32 (reagente composto de água e ureia) em linha com a legislação Euro V/Proconve P7, tecnologia para baixar a emissão de poluentes de veículos a diesel. Disponíveis em versões soprada e rotomoldada.
- Tanques integrados que unificam os reservatórios de diesel e o de ureia no mesmo conjunto de fixação, otimizando o espaço na longarina dos caminhões.
- Recipientes Milkan que revolucionaram o setor leiteiro ao substituir latões metálicos por serem mais leves, resistentes e imunes à corrosão e de melhor manutenção da temperatura.
- Frascos para molhos.
- Flutuador plástico Hydrelio® em parceria com o Grupo KWPar, projetado para suportar placas fotovoltaicas (módulos solares) sobre a lâmina d’água.
- Componentes automotivos a exemplo de dutos e tomadas de ar para os sistemas de ventilação, resfriamento e direcionamento de ar nos motores de caminhões e ônibus.
Esses cases de criatividade também se estendem à termoformagem e rotomoldagem?
Lógico. Na termoformagem, tivemos pelo menos dois lançamentos de impacto: protetores de caçamba para picapes e o chamado palete tampa, para o transporte seguro de motores. Já em rotomoldados, repercutiram com intensidade no mercado desenvolvimentos nossos como porta-malas (trunks) embutidos para caçambas de picapes, peças para transporte pesado e agroveículos (tanques maiores, p.ex.) e componentes complexos e ocos substitutos de similares termofixos em carros elétricos.
Quais as máquinas e tecnologias que vê como divisores de águas nos 50 anos da Unipac?
Uma tecnologia diferenciadora é o já mencionado tratamento de deposição química via plasma. Ele cria uma camada funcional na parte interna do recipiente soprado, formando uma superfície altamente reativa. Essa barreira contribui para a integridade e preservação das propriedades do conteúdo (agroquímicos) durante a armazenagem e transporte.
No campo da digitalização, a empresa desenvolveu a plataforma u.TRACK , que otimiza operações logísticas por meio de rastreamento e telemetria em tempo real. Essa tecnologia permite um controle eficiente de inventário, rastreabilidade e planejamento de manutenção, aumentando a segurança e a agilidade nas decisões operacionais. Em complemento, nosso sistema u.SAFE integra etiquetas digitais aos selos das tampas, permitindo verificação de autenticidade e rastreabilidade via aplicativo.
Desde 2016 a Unipac usufrui os benefícios do seu premiado modelo Inovação Aberta, pelo qual a empresa se conecta a startups e parceiros, ampliando sua capacidade de resposta aos desafios do mercado. Para aumentar a eficiência operacional através de ferramentas digitais (inteligência artificial e IoT inclusas), adotamos um programa baseado em frentes de trabalho que representam os principais processos de negócio da empresa. Além de elevar a competitividade e a qualidade do crescimento, esta jornada digital busca avançar no modelo de gestão e fortalecer a governança, reforçar a qualidade do crescimento.
Um exemplo de digitalização de processos vinculado ao programa de transformação digital, foi a implementação do sistema NPLAN (em parceria com a NEO Digital Industries) na nossa unidade em Pompeia. A ferramenta conecta previsões, carteira de pedidos, capacidade produtiva e estoques em ambiente automatizado, reduzindo em mais de 26% os atrasos e rupturas e diminuindo drasticamente o esforço manual de planejamento.
Flutuador Hydrelio®: solução da Unipac para sustentação de módulos solares em reservatórios.
A Unipac sempre primou pelo crescimento orgânico. Por que optou por esta via de expansão e a aquisição de negócios/plantas de terceiros nunca a atraiu?
Historicamente, o modelo de crescimento da Unipac foi estruturado de forma orgânica, com base no conhecimento profundo sobre os clientes e no desenvolvimento de relações de confiança de longo prazo – a exemplo da forte integração nas cadeias produtivas por meio das operações de sopro de embalagens in house (anexas à linha de produção do cliente) e near house (perto da planta do cliente).
Contudo, focada no seu projeto de transformação até 2033, a Unipac acompanha a dinâmica do mercado e avalia a possibilidade de crescimento inorgânico através de aquisições. Movimentos nesse sentido precisam ser realizados com muito pé no chão, com robusto alinhamento estratégico, sinergias operacionais e agregação de valor para clientes, colaboradores e acionistas.
A Unipac conta com três plantas de sopro in house de embalagens: uma para alimentos (Wilson) e duas para agroquímicos (Syngenta e Sumitomo). Qual a empresa parceira, tipo de embalagem e produto final a ser envasado na quarta planta in house em Belford Roxo (RJ) E qual o cliente parceiro na primeira planta near house da empresa, em Uberaba (MG)?
Protetor de caçamba: componente original de montadoras para conservação de picapes.
A imagem da Unipac está ultra ligada ao agronegócio. Na conjuntura atual, ele padece de inadimplência recorde, custos de produção encarecidos pelos juros astronômicos e pela alta no diesel e insumos como fertilizantes causada pela guerra. Como a Unipac cogita lidar com este baque no mercado agro em seu movimento este ano?
Embora o setor agrícola passe por desafios conjunturais, é essencial destacar que a Unipac fornece suas soluções em embalagens para as grandes indústrias de defensivos e elas são, em sua grande maioria, empresas sólidas e globais. Para contornar as instabilidades do mercado, adotamos como estratégia a centralidade nos clientes. A companhia atua em total proximidade com eles, buscando conhecê-los em profundidade para entender o cenário e o momento de cada um. Dessa forma, ela consegue adaptar com agilidade a sua proposta de valor, desenvolvendo relações de longo prazo e contribuindo para o sucesso do parceiro. Em paralelo, também apostamos no fortalecimento da diversificação em nosso desempenho. No agronegócio, por exemplo, isso ocorre nas frentes de bioinsumos e fertilizantes. Aliás, neste último nicho ainda em fase de desenvolvimento, registramos crescimento de 35% no último biênio (2024-2025), com projeção de avanço de 25% para 2026.
Fora do agronegócio, a empresa tem alocado forças nos setores automotivo e aeroespacial. São exemplos o início recente do fornecimento de protetores de caçamba em PEAD para modelos como a picape a diesel Poer 30 fabricados em Iracemápolis (SP) pela chinesa GWM; projetos de suprimento de componentes bem encaminhados em outras montadoras asiáticas mantidas em sigilo contratual e, por fim, já está em vigor o abastecimento de componentes para o setor aeroespacial.


