Antes mesmo da guerra no Irã, o clima fechava para os lados do setor de plásticos de engenharia da União Europeia, a reboque da caríssima energia local, consumo chocho e esbraseadas importações concorrentes de poliamida (PA) da Ásia, China à frente. Nos últimos anos, a derrubada das margens de lucro tem suscitado uma reestruturação a fundo da indústria europeia de especialidades plásticas, mediante admissões de inadimplência e trocas de controladores. É nesta moldura que se encaixa, no segmento de produtores de PA 6 e 6.6 e seus compostos, o comunicado liberado em 1/5 pela holding financeira americana Lone Star Funds informando, sem abrir o aporte de recursos, a conclusão do processo de compra da operação de polímeros de alto desempenho e produtos químicos especiais da companhia italiana Radici e das tratativas para a aquisição em breve da subsidiária de materiais de engenharia (Domo Engineered Materials) do grupo belga Domo Chemicals. Segundo foi divulgado pela gestora de fundos privados, a junção dos dois aditivos vai, entre outros prós, alargar e complementar os respectivos portfólios de soluções, ampliar o raio de alcance geográfico das vendas e alojar no mesmo bojo as marcas referenciais RadiciGroup, Domo e Technyl.
Sob a justificativa da ausência de sucessores para continuar a vitoriosa gestão familiar iniciada em 1941, o conglomerado italiano RadiciGroup, dínamo mundial em plásticos de engenharia, formalizou em 23 de fevereiro de 2025 a venda de suas divisões de especialidades químicas e polímeros de alta performance ao Lone Star Funds. A divisão de soluções têxteis do RadiciGroup foi apartada da venda, permanecendo sob controle da família Radici. Expoente em intermediários e polímeros como PA, a companhia sediada em Bérgamo pontifica como fornecedor global premium de materiais nobres para os setores automotivo, industrial, eletroeletrônico e de bens de consumo. Por sinal, a transação coincidiu com um momento-chave da expansão da Radici como componedora no Brasil, operação bafejada por crescimento na média anual (desde 1998) de dois dígitos: a mudança da unidade em Araçariguama (SP) para a nova planta em São Roque (SP), resultando em ampliação da capacidade para 24.000 t/a de beneficiamento de materiais.
Por seu turno, o grupo Domo Chemicals tem nome feito no mercado internacional com um portfólio completo e integrado de PA 6/6.6, contendo intermediários, polímeros base PA, plásticos de engenharia e fibras de performance. No início de 2020, ele fortaleceu a presença em polímeros nobres com a compra do negócio europeu de poliamidas de performance da Solvay, inclusa a marca global Technyl. A aquisição agraciou o grupo sediado na cidade portuária belga de Ghent com a liderança em PA 6/6.6 na Europa, através de fábricas então na ativa na Alemanha, Polônia, França e Espanha. Logo a seguir, brotaram as unidades na Ásia, em especial duas plantas na China, e aumentou a capacidade crescente de beneficiamento na América do Norte. No plano geral, o grupo Domo ostenta hoje potencial para gerar mais de 220.000 t/a de compostos. Ao final de 2025, a desindustrialização que continua a trucidar a cadeia química/petroquímica na Europa ricocheteou na base local de poliamidas do grupo Domo. O revés foi a admissão de insolvência para suas três companhias alemãs, cujo trio de fábricas (mantido em operação regular) compõe o maior complexo produtivo do conglomerado no continente. A propósito, o site Plastics News noticiou em 29/4 a compra por US$ 10.8 milhões, pelo Lone Star Funds, da Polytechnyl, subsidiária francesa do Domo e única produtora em seu país de PA 6.6. A transação preserva a marca Technyl e as operações locais de pesquisa, mas encerra a produção, assinala a matéria do portal escorada em informações da agência AFP e The Brussels Times. No Brasil, a Thathi Polímeros reluz desde 2022 como distribuidora exclusiva de PA 6 e 6.6 do grupo Domo.


