Maior jazida de petróleo e gás dos EUA, a Bacia Permiana, a oeste dos estados do Texas e Novo México, está à beira de uma catástrofe geológica, noticia artigo de 13/5 no Wall Street Journal. A culpa pelo desastre recai sobre as empresas de fracking (fragmentação hidráulica) de xisto, pois, junto com óleo e gás extraídos, o processo extirpa das rochas grandes quantidades de água salgada e tóxica que é bombeada de volta. Ocorre que o fluido residual já transborda em alguns poços, originando gêiseres cuja necessária limpeza é orçada em milhões de dólares. Mesmo com os reservatórios subterrâneos 100% cheios, as empresas de fracking seguem injetando mais água neles. Em decorrência, as petroleiras que contratam os serviços de perfuração queixam-se agora do encarecimento operacional causado por esta atividade e da contaminação, pela penetração da água gerada, nos depósitos de petróleo e gás de uma bacia que responde por cerca de metade da produção dessas fontes fósseis de energia nos EUA.
A ameaça de colapso geológico também traz à baila a questão sobre como a Bacia Permiana pode sustentar uma produção intensa sem danos ao meio ambiente e economia da região. Petroleiras e empresas de fracking se empenham na melhora da segurança de suas operações, mas demandarão anos de pesquisa as ansiadas soluções para tratar e descartar volumes significativos da água extraída longe dos campos de petróleo, comenta o artigo publicado.
A situação desvenda um terreno minado para as entidades regulatórias dos estados envolvidos. Afinal, a economia deles depende demais do petróleo e gás para limitar sua prospecção, mas deixar a situação piorar embute o risco de fazer com que as comunidades que apoiam a indústria petroleira se voltem contra ela. Para analistas do órgão norte americano Bureau of Economic Geology os operadores de fracking na Bacia Permiana estão injetando águas residuais com pouca preocupação sobre como elas podem se infiltrar no subsolo ou sobre seu impacto na pressão do reservatório, um comportamento causador de desperdício e inspirador de normas prejudiciais para a operação e o investimento na mineração.
A instabilidade do sistema de tubulações da Bacia Permiana está levando as empresas de perfuração do xisto local a proteger seus poços com revestimentos adicionais e coberturas específicas contra a corrosão da água salgada. Ou seja, mais gastos para extrair petróleo e gás, sintetiza a reportagem do Wall Street Journal.


