Pesquisa de Opinião

2025 fecha, de um lado, com inadimplência recorde, juros reais impraticáveis e perda do poder aquisitivo. Do outro lado, temos pleno emprego e aumento dos gastos do endividado governo com programas de transferência de renda. Como estes dois pesos na balança devem influir no desempenho do seu setor/mercado e nas decisões de investimento nele em 2026?
Pesquisa de Opinião
José Ricardo Roriz Coelho, presidente do conselho da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST)

“Os juros reais permanecem em patamares que desestimulam investimentos produtivos”

José Ricardo Roriz Coelho, presidente do conselho da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST)

“2025 se encerra sob uma combinação de fatores contrastantes. De um lado, observamos inadimplência recorde, juros reais elevados e perda do poder aquisitivo da população. De outro, o país apresenta pleno emprego e um aumento significativo dos gastos do governo – já bastante endividado – com programas de transferência de renda.
Este cenário cria uma espécie de ‘balança desequilibrada’, que deve influenciar diretamente o desempenho dos setores produtivos e as decisões de investimento em 2026. A questão central é: qual desses lados terá maior peso na economia real?
A avaliação começa pelo desempenho da economia em 2025, um período de estagnação. A produção da indústria brasileira registra crescimento próximo de 1% no acumulado até setembro e a expectativa é que o ano se encerre nesse mesmo patamar. Essa estabilidade quase nula decorre da ausência de fatores novos capazes de alterar as expectativas dos empresários ou estimular investimentos.
Qual o impacto dessa conjuntura no setor plástico? O comportamento é semelhante ao da indústria nacional. O crescimento acumulado até setembro é de 1,1%, com previsão de fechamento próximo a 2% – desempenho muito inferior ao observado nos anos anteriores, quando avançamos 5% e 6,3%, respectivamente.
Essa desaceleração já afeta o humor empresarial e contribui para uma postura mais cautelosa em relação a novos investimentos e contratação de mão de obra em 2026.
Entre as variáveis que limitam a recuperação, destaca-se a combinação de inflação elevada no início do ano, endividamento crescente e inadimplência. Essa conjunção de entraves pressiona a capacidade de retomada e expansão da indústria. Sem sinais concretos de reversão dessas tendências, o resultado tende a ser o que já observamos: um mercado praticamente paralisado.
Apesar de a inflação estar cedendo e retornando para dentro da meta do Banco Central – o que melhora as expectativas em relação à taxa de juros – esse processo é gradual. Na prática, os juros reais permanecem em patamares que desestimulam investimentos produtivos. A indústria precisa de maior velocidade e previsibilidade para recuperar competitividade.”

02 Carlos Fadigas CEO da CF Partners

“A perspectiva de redução do custo do crédito deve aliviar a pressão financeira sobre pessoas físicas e empresas em 2026”

Carlos Fadigas, CEO da CF Partners

“Acredito no crescimento do setor de transformação em 2026. Apesar da elevada taxa de juros e de seus reflexos sobre a inadimplência, a perspectiva de redução do custo do crédito – que o mercado estima chegar a cerca de 12% ao final do próximo ano – deve aliviar a pressão financeira sobre pessoas físicas e empresas, liberando recursos tanto para investimento quanto para consumo.
Além disso, a taxa de desemprego deve permanecer baixa Vale lembrar que já estamos no menor nível da série histórica, o que também tende a sustentar a demanda interna.
Por fim – e talvez mais importante –, pelo fato de 2026 ser um ano eleitoral, a política fiscal provavelmente continuará expansionista na margem. Apenas uma das medidas recentes – a ampliação da faixa de isenção do imposto de renda para quem ganha até cinco mil reais – deve injetar cerca de 28 bilhões de reais na economia, segundo estudo da FGV. Outras análises apontam para um impacto adicional relevante dessa medida sobre o PIB, podendo elevar a taxa de crescimento em aproximadamente 0,6 ponto percentual.
Naturalmente, alguns desafios permanecerão no horizonte, como as guerras comerciais, o aumento das importações de produtos acabados e eventuais medidas antidumping. Mas, de forma geral, o cenário tende a ser mais positivo”.

03 Wilson Cataldi socio executivo da distribuidora Piramidal

“Manteremos este ano os mesmos números do desempenho em 2024”

Wilson Cataldi, sócio executivo da distribuidora Piramidal

“A inadimplência recorde na pessoa física, apontada na pergunta, não chegou, até agora, de forma expressiva na distribuição de resinas. Aqui na Piramidal tivemos problemas pontuais a respeito disso. A demanda segue normal e, para empresas do nosso segmento presentes junto aos clientes, como nós, 2025 não será ruim. Manteremos neste ano os mesmos números do desempenho em 2024. Quanto a investimentos para 2026 a Piramidal vai utilizar aqueles feitos até 2024 e maximizá-los. Afinal, com a atual taxa de juros não temos nenhum entusiasmo para novos investimentos em 2026.”

04 Edson de Oliveira Penido gerente comercial da Karina

“Nosso setor deverá trabalhar com cautela nos investimentos em 2026 porque não tem grandes expectativas de queda dos juros”

Edson de Oliveira Penido, gerente comercial da Karina

“Para o nosso mercado (compostos de PVC e masters de PVC e poliolefinicos), a situação está, neste momento, exatamente conforme descreveu a pergunta. Ou seja, as empresas com muita dificuldade para tocar seu fluxo de caixa e os mercados, sejam de bens duráveis (caso do PVC) ou não (embalagens, como as de polietileno/PE) amargaram em 2025 um ano muito complicado e, em linhas gerais, com queda de volume de vendas. Aqui na Karina estamos fechando o exercício no break even no geral com relação aos volumes movimentados em 2024, com maior problema na demanda pelos concentrados de PE.
Para 2026, todo cuidado é pouco. Eu acredito que o setor deverá trabalhar com cautela nos investimentos justamente porque não tem – ao menos para o primeiro trimestre – grandes expectativas de queda dos juros. Se acontecer, será muito pouco e o endividamento realmente está pesado. Aqui na empresa, o plano é terminar o que começamos a investir e colocar as barbas de molho!!
Claro que, considerando que teremos em 2026 um ano bem político, com eleições no último trimestre e Copa do Mundo no meio (11/6 a 19/7), até dá para imaginar um certo movimento. Mas nada que possa nos deixar animado com relação à sua sustentabilidade, infelizmente, quero dizer com isso que acredito que salvaremos o ano, mas não dá para apostar que essa reação seja algo perene.
A Karina Plásticos, por sua vez, aposta em continuar aumentando o portfólio de produtos. Por isso, mencionei que para 2026 terminaremos os investimentos já iniciados, retirando gargalos em algumas linhas, a exemplo de coloridos e aditivos. Também agitaremos, com trabalho intenso, no campo dos biodegradáveis compostáveis (produto que se decompõe em ambientes aeróbicos naturais através de microrganismos que metabolizam a estrutura molecular do bioplástico em determinado período).
Em resumo, estamos trabalhando para fugir do mesmo e, com isso seguir crescendo, sem depender do que se apresentar na economia/política e nos rumos dos termoplásticos tradicionais, reduto aliás onde as barreiras brasileiras a importações nos tiram a competitividade contra produtos acabados importados e materiais concorrentes fronteiriços ou não, sem que consigamos retrucar com exportações no volume necessário para diluir nossa capacidade produtiva de forma minimamente competitiva.”

05 Bruno Igel diretor geral da Wise

“É difícil um declínio relevante dos juros em 2026, considerando a trajetória das contas públicas”

Bruno Igel, diretor geral da Wise

“Nos mercados em que atuamos enxergamos este ano um segundo semestre mais fraco do que esperávamos, principalmente nos bens duráveis, situação talvez influenciada pelos juros altíssimos. A demanda de bens de consumo não duráveis parece sofrer menos e imagino que deva seguir firme com a reforma sobre imposto de renda e o viés esperado da liberação de dinheiro em ano eleitoral. No mundo da infraestrutura, há certo avanço nos investimentos com base em concessões e privatizações que também dão gás positivo para alguns segmentos do plástico.
O fato é que o Brasil tem crescido de maneira razoável nos últimos anos, mas juros reais de quase 10% ao ano consomem caixa de empresas e decerto dificultam investimentos sem capital subsidiado. Qualquer empresa que aprovou um projeto em tempos de Selic entre 2 e 5% vai ter dificuldade em manter o fluxo de pagamentos quando os juros chegam a 15% ao ano. Por isso, é natural haver crescimento da inadimplência. Outro fator preocupante é a insegurança que o Brasil segue tendo, seja na perspectiva econômica com gastos excessivos, seja na incerteza jurídica em que as regras do jogo mudam com muita frequência.
Em termos econômicos não temos uma perspectiva muito diferente para 2026. Nossa impressão é que os gastos públicos vão seguir crescendo além do razoável, o país não vai ter superávit primário suficiente para pagar os serviços da dívida e, com isso, a trajetória dela segue em ascensão. Por mais que seja possível alguma redução de juros, até em face da diminuição de preço de algumas commodities internacionais, é difícil um declínio relevante dos juros nos próximos 12 meses, considerando a trajetória das contas públicas.
Para o segmento de reciclagem há uma perspectiva de crescimento maior com o novo decreto lei que institui a obrigatoriedade do uso de reciclado em embalagens plásticas e maior compromisso das empresas com a logística reversa. Ambas as ações ainda precisam de regulamentações e esclarecimentos, mas são políticas na direção correta e devem trazer aumento de oferta de sucata e demanda de material reciclado, permitindo um crescimento sustentável do setor”.

06 Alcides Guerreiro Torres fundador e diretor do Grupo Greco Guerreiro

“Apostas online têm afetado o orçamento de muitas famílias e reduzido o consumo de itens domésticos”

Alcides Guerreiro Torres, fundador e diretor do Grupo Greco & Guerreiro

“Enfrentamos diversos desafios em 2025 e um dos mais relevantes foi a dificuldade crescente em encontrar mão de obra comprometida e qualificada. Esse fator, somado à inadimplência recorde e aos juros elevados, pressionou toda a cadeia. Do lado dos clientes, observamos um movimento intenso para ajustar seus produtos à realidade de consumo das famílias, o que se traduz em demanda por embalagens mais leves, maior pressão por descontos e alongamento de prazos de pagamento.
Apesar desse ambiente, os programas de transferência de renda e o nível elevado de emprego continuam garantindo um mínimo de renda disponível para itens essenciais da cesta básica. Isso inclui boa parte dos produtos de limpeza – nosso principal mercado – e cria um piso importante de demanda. Por outro lado, percebemos que o avanço das apostas online tem afetado o orçamento de muitas famílias e, em alguma medida, reduzido o consumo de itens domésticos.
Para 2026, o cenário se mostra ainda mais desafiador. Teremos um ano marcado por eleições presidenciais em dois turnos, Copa do Mundo, evento que impacta o ritmo da economia por várias semanas, 10 feriados nacionais com potenciais emendas, reforma tributária trazendo incertezas significativas e uma conjuntura política e inflacionária complexa, somada à manutenção da Selic em patamar elevado. Será, portanto, um ano em que todos os setores terão de ‘fazer mais com menos’.
Diante desse cenário, a Greco & Guerreiro direcionará seus esforços para a otimização de processos, aumento de eficiência e melhor alocação de recursos. Embora não estejam previstos grandes aportes para 2026, dedicaremos investimentos relevantes em recursos humanos, com foco em capacitação, retenção de talentos, fortalecimento das lideranças e construção de um time mais preparado para operar com excelência em um ambiente econômico mais exigente.
Nosso compromisso permanece o mesmo: assegurar produtividade, segurança operacional e competitividade para nossos clientes, preservando a sustentabilidade do negócio e valorizando as pessoas que sustentam a nossa operação.”

07 Auri Marcon presidente executivo da ABIPET

“Um país que não desenvolve sua indústria continuará refém do extrativismo”

Auri Marçon, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria do PET (ABIPET)

“Como ainda não fechamos os números de 2025 não há como dizer como será o desempenho do setor neste ano e fazer uma comparação mais exata em relação aos próximos 12 meses. Mas, de modo geral, desenhamos um cenário de poucas alterações no ambiente de negócios. Não há sinais de que a economia possa melhorar. Um país que não desenvolve sua indústria continuará refém do extrativismo, mantendo seu povo a um PIB per capita próximo a 10 mil dólares, enquanto nações que se industrializam atingem patamares superiores a 30 mil dólares.
No caso da embalagem PET, contamos no Brasil, por um lado, com um cenário marcado em 2026 por eventos que motivam o consumo de bebidas, tais como Copa do Mundo e eleições para deputados, governadores e presidente. No entanto, temos uma economia com baixo crescimento, entre 1,5% e 2%, sustentado por injeções de dinheiro público e pouco capital privado. Por ser uma embalagem democrática e muito competitiva em termos de preço, PET pode ter alguma vantagem em momentos econômicos desafiadores.
Mesmo no caso do clima, que pode impactar o consumo de bebidas, não estão previstos para 2026 efeitos drásticos como La Niña ou El Niño. Somando essa estabilidade climática aos argumentos acima, temos uma expectativa de baixo crescimento para 2026.
Em relação ao consumo de PET reciclado (rPET), devido à nova regulamentação – Decreto da Logística Reversa de Embalagens Plásticas – há a tendência de crescimento do poliéster recuperado nos segmentos de bebidas não alcoólicas como refrigerantes, água, sucos e lácteos. Vale o mesmo para embalagens de alimentos sólidos e pastosos como as bandejinhas para frutas, frios, ovos, castanhas, salgadinhos e potes para patês, maionese, ketchup, mostarda, temperos e molhos.
Porém, isso não deve significar grande aumento do consumo de rPet. Devido ao preço alto do material coletado, é provável que os segmentos não obrigados pelo Decreto a utilizar material reciclado – têxtil, químico, chapas e fitas de arquear – não devem seguir essa expectativa de preço alto do rPET. Afinal, seus mercados de destino não suportam patamares mais elevados de preço. Em resumo, o material que eles consumiriam deve migrar aos setores alimentícios (obrigados pelo decreto), pois o sistema de coleta do PET descartado não tem perspectiva de mudança, mantendo assim o preço do reciclado inacessível para alguns segmentos.
Quanto a investimentos, alguns projetos de reciclagem de médio e grande porte, já em curso desde 2024, devem entrar em operação em 2026. Isso gera mais capacidade sem a devida contrapartida em investimentos para aumentar a coleta, um quadro que não traz alento algum para a ociosidade existente no setor.”

08 Laercio Goncalves CEO do Grupo activas

“O custo de carregar estoque permanece alto e limita movimentos mais agressivos dos distribuidores”

Laercio Gonçalves, CEO do Grupo activas

“Quando olhamos para 2025, vemos dois vetores que parecem contraditórios: de um lado, inadimplência recorde, juros reais ainda muito altos e perda de poder aquisitivo; do outro, indicadores que sugerem pleno emprego e um governo que amplia gastos por meio de programas de transferência de renda.
Mas é importante fazer uma ressalva: esse ‘pleno emprego’ não reflete, necessariamente, um mercado de trabalho aquecido. Os índices consideram apenas quem está ativamente buscando emprego e, com o assistencialismo elevado, parte da população deixa de procurar trabalho formal. Ou seja, o indicador mascara a realidade e não significa, de fato, maior dinamismo econômico.
Para nós, distribuidores, o impacto é direto.
A inadimplência pressiona capital de giro, aumenta o risco da carteira e exige muita cautela na análise de crédito. O custo de carregar estoque permanece alto e limita movimentos mais agressivos, em especial num mercado de margens comprimidas. Isso nos obriga a operar com disciplina, eficiência logística e decisões muito fundamentadas em dados.
Por outro lado, essa sustentação artificial da renda mantém algum nível de consumo. Mas ele é irregular, concentrado em itens essenciais e sensível ao extremo a preço.
Para 2026, as decisões de investimento no nosso setor terão de seguir três premissas:

  1. Resiliência financeira, com foco absoluto em custos, eficiência e caixa.
  2. Logística mais inteligente e integrada, porque o distribuidor que não otimizar frete, estoque e armazenagem vai perder competitividade;
  3. Posicionamento estratégico para capturar oportunidades pontuais de mercado, com diversificação de portfólio e entregando valor ao cliente.

Será um ano que exige cautela, mas não paralisia.
Quem conseguir combinar disciplina operacional com capacidade de adaptação vai atravessar fortalecido esse ciclo em 2026. E é isso que estamos fazendo aqui na activas.”

09 Irineu Bueno Barbosa Junior CEO da recicladora de PET BTB Cirklo

“Plásticos reciclados deverão ter em 2026 um ano mais estável, com demanda crescente e chances de iniciar um ciclo virtuoso”

Irineu Bueno Barbosa Junior, CEO da recicladora de PET BTB Cirklo

“Um desafio para os modelos dos economistas. Juros reais proibitivos para novos investimentos em ampliação de produção industrial e para financiar a aquisição de bens de alto valor indicam provável desaceleração da economia. De outro lado, pleno emprego, assistencialismo e nova injeção de capital na economia com a isenção do IRPF para salários de até R$ 5.000. Ou seja, colocação de mais gás no consumo em rumo da aceleração da economia. Essa luta resultará em inflação, estabilização ou deflação? Quem diz saber a resposta decerto está apenas especulando.
Contudo, plásticos reciclados tiveram seu merecido lugar na economia circular garantido pelo Decreto 12.688/2025. O vai e vem da demanda ao sabor do atingimento ou não de metas financeiras acabou! Empresas que não cumprirem com o mínimo obrigatório de conteúdo reciclado em suas embalagens estarão sujeitas à Lei 9.605 de 1998, a LCI, Lei de Crimes Ambientais, com multas previstas entre R$5.000 e R$50 milhões, além de prisão do administrador e revogação das licenças de operação.
Posto isso, as matérias-primas provenientes de plásticos reciclados, principalmente o PET-BTB (bottle to bottle ou grau alimentício), deverão ter em 2026 um ano mais estável, com procura crescente e, enfim, chances de iniciar um ciclo virtuoso. Afinal, mais demanda incentiva novos investimentos em coleta, logística reversa e reciclagem. Um golaço do governo federal em favor da circularidade, dos milhares de catadores de materiais recicláveis, da despoluição plástica e da descarbonização da economia.”

10 Jane Campos diretora geral da Radici Plastics

“A inadimplência subiu e, mesmo com toda a cautela de avaliação financeira, fomos surpreendidos com algumas recuperações judiciais”

Jane Campos, diretora geral da Radici Plastics

“O assunto abordado na pergunta chega em pauta exatamente no meu momento de preparar o budget para 2026. E vale lembrar que ainda teremos no próximo ano eleições e Copa do Mundo.
O exercício de 2025 fecha bem para minha empresa, mas sem grandes perspectivas para 2026. Para nós, em particular, 2025 foi um ano desafiador, como ilustram a mudança para a nova planta de compostos em São Roque (SP) e o aumento de capacidade em mais 20%, eventos realizados quando deparamos com um mercado incerto. Isto posto, fecharemos 2025 com bom resultado, não ótimo, mas dentro do esperado devido à ida no período para uma fábrica maior. A inadimplência subiu e, mesmo com toda a cautela de avaliação financeira, fomos surpreendidos com algumas recuperações judiciais. Em nosso mercado dos compostos de plásticos de engenharia, transformadoras alavancadas não conseguirão sobreviver por um longo período, com a pressão de preços exercida pelas ofertas dos produtos concorrentes chineses, tendo que baixar suas margens e pagar juros altos para se financiar. Estimamos um crescimento de 5% para 2026 baseados em projetos; não acreditamos que será um ano ruim, mas será sem dúvida trabalhoso. Quanto aos novos investimentos, o momento é de aguardar e observar o rumo que a economia seguirá. Novos recursos serão dirigidos apenas a projetos essenciais relacionados à segurança e meio ambiente.”

11 Francisco Carlos Jorge Colnaghi

“Continuaremos a investir nas 6 fábricas da Asperbras, pois acreditamos no crescimento de nosso mercado nos setores agro e de infraestrutura”

Francisco Carlos Jorge Colnaghi, vice-presidente do conselho de administração da holding Colpar Brasil, controladora da transformadora de tubos Asperbras

“Trabalhamos predominantemente nos setores agro, com itens para irrigação, e de infraestrutura, com tubos para saneamento e esgoto. Nos dois casos, estamos ligados a cadeias de valor em alta no Brasil – lembrando que o agro é a força do nosso PIB há vários anos. No caso do saneamento, ainda que lento para as necessidades do país, há diversas iniciativas nas quais estamos inseridos como fornecedores de produto e elas nos permitem afirmar que é um mercado favorável e promissor.
Um outro dado nos permite ser otimista em relação a 2026. Criamos há dois anos o serviço online que permite a entrega de nossos produtos nas regiões mais remotas. Essa capilaridade é um grande diferencial no mercado e um grande termômetro da demanda. Através dela, desbravamos mercados e nos sentimos estimulados a diversificar produtos, além de lançar soluções como a linha de tubos de ferro fundido, com grande aceitação pelos clientes.
Em 2025, investimos R$ 50 milhões em nossa planta de tubos de PVC em Penápolis (SP). A previsão para 2026 é continuar investindo nas seis fábricas da Asperbras, pois acreditamos no crescimento de nosso mercado e na nossa força para produzir itens de qualidade e prover serviço de entrega extremamente qualificado.”

12 Simone de Faria diretora da Townsend Solutions para a America Latina

“A superoferta nos EUA e Ásia tende a continuar empurrando poliolefinas para exportação. Localmente, teremos o impacto de possível aumento no antidumping do PE dos EUA”

Simone de Faria, diretora da Townsend Solutions para a América Latina

“Olhando pela perspectiva macroeconômica, 2026 deve ser mais favorável à obtenção de crédito e investimentos. Com a inflação (IPCA) estimada em 4,18%, segundo o último boletim Focus, espera-se que o Banco Central continue o ciclo de flexibilização, levando a Taxa Selic ao patamar de 12% ao final do ano, o que deve aliviar o custo do financiamento. A queda dos juros, combinada com o crescimento real da renda e a estabilização das pressões inflacionárias, tende a sustentar a renda disponível das famílias, auxiliando na contenção da inadimplência e mantendo o mercado de trabalho em boas condições. Por tratar-se de ano eleitoral, a tendência é que o governo gaste mais com programas de transferência de renda, ainda que de forma controlada. Portanto, em relação o consumo, 2026 não deve ser ruim e isso tem sido corroborado pelas estimativas setoriais, com otimismo cauteloso apontado em pesquisas por grande parte dos empresários. Contudo, qualquer sinalização de aumento significativo no risco fiscal ou na dívida pública pode levar o Banco Central a reavaliar a trajetória de queda da Selic, injetando maior incerteza no ambiente de crédito.
Olhando agora pela perspectiva de mercado, 2026 deve ser outro ano repleto de desafios. A superoferta nos EUA e Ásia tende a continuar empurrando poliolefinas para os mercados de exportação. Localmente, teremos o impacto de possível aumento no antidumping do PE dos EUA, acarretando aumento nos custos de produção, maior concorrência com produto acabado importado e menores condições de exportação de nossos manufaturados. No mais, um Real mais forte, como temos visto nos últimos meses, tende a baratear o produto final importado, intensificando a concorrência no mercado doméstico, ao mesmo tempo que torna as exportações brasileiras de manufaturados mais caras e menos competitivas internacionalmente. Em meio a isso tudo, haverá uma pressão cada vez maior do produtor local de poliolefinas por resultado. Apesar da ansiada queda nos juros, que deve ajudar a impulsionar os gastos do consumidor, há muitas empresas endividadas que continuam necessitando de capital de giro para manter suas operações. Então, será necessário continuar controlando vendas para administrar o risco de inadimplência.”

13 Mauricio Jaroski diretor executivo da

“O benefício do assistencialismo reduz o atrativo da coleta informal de sucata plástica e isso tende a se intensificar no ano eleitoral de 2026”

Maurício Jaroski, diretor executivo da MaxiQuim

“A conjuntura de 2025 deixa o setor de reciclagem de plásticos em uma encruzilhada delicada. De um lado, convivemos com inadimplência elevada, juros reais proibitivos e perda de poder aquisitivo das famílias. De outro, observamos pleno emprego e expansão dos programas de transferência de renda. Esse descompasso macroeconômico gera efeitos muito particulares na cadeia de reciclagem e eles devem influenciar de forma decisiva as decisões de investimento em 2026. Primeiro, o patamar de juros permanece sendo o maior entrave objetivo à modernização do setor. Reciclar plástico de forma competitiva exige tecnologia, equipamentos e processos de alta eficiência, tanto na etapa de triagem quanto na extrusão da resina reciclada. No entanto, o custo de capital extremamente elevado faz com que muitas empresas simplesmente congelem investimentos essenciais. Em vez de renovar suas linhas, aumentar produtividade ou avançar em qualificação técnica, parte relevante do setor segue operando com equipamentos defasados, o que limita ganhos de escala e compromete qualidade. Em um ambiente já pressionado pela concorrência com a resina virgem, que passa por um ciclo de preços historicamente baixos, essa restrição torna-se ainda mais crítica. Ao mesmo tempo, programas de transferência de renda, embora fundamentais no âmbito social, vêm produzindo efeitos ambíguos na base da cadeia. O benefício financeiro reduz o atrativo da atividade de coleta informal, que já sofre com a queda dos preços de sucatas. Como resultado, percebemos redução da oferta de materiais pós-consumo em várias regiões e maior dificuldade de mobilização dos catadores. Em 2026, esse efeito tende a se intensificar: sendo um ano de eleições gerais no Brasil, muitos catadores tendem a dividir suas atividades com funções temporárias ligadas a campanhas políticas, como panfletagem e mobilizações. Ou seja, o setor pode ter, em 2026, oferta mais instável e pressão adicional sobre custos logísticos.
Um terceiro elemento será determinante: o primeiro ano de vigência plena do decreto federal nº 12.688/2025. O mercado terá de responder, de fato, às novas exigências de conteúdo reciclado e às obrigações de logística reversa redefinidas pelo governo. O impacto pode ser tanto positivo quanto negativo, depende do grau de aderência da indústria, da clareza da regulação e de como ela será aplicada. Há o risco de o decreto gerar insegurança jurídica e aumentar o custo regulatório. No entanto, ele pode abrir espaço para maior previsibilidade e para contratos de médio prazo envolvendo demanda de plástico pós-consumo reciclado (PCR), algo essencial para destravar investimentos.
Do ponto de vista industrial, a incerteza permanece elevada. Se a prensa baixista sobre as resinas de primeiro uso persistir, os recicladores continuarão pressionados em margens ultra apertadas. Poderemos assistir então ao fechamento de empresas menos capitalizadas. Em paralelo, há fortes indícios de continuidade do movimento de consolidação na indústria recicladora: fusões e aquisições devem avançar, concentrando o setor em players maiores, mais profissionalizados e com capacidade de absorver oscilações de caixa e de injetar investimentos robustos. Esse processo, ainda que doloroso, pode levar a um salto de qualidade: o setor tende a sair menor em número de empresas, porém mais maduro, com maior governança e eficiência operacional.
Em síntese, 2026 será um ano decisivo. A combinação de juros altos, oferta mais instável de materiais, pressão da resina virgem e novas exigências regulatórias deve exigir postura mais estratégica da indústria de reciclagem. Quem tiver fôlego financeiro, capacidade de gestão e escala para investir, mesmo diante do custo de capital atual, sairá à frente. O mercado de reciclagem caminha, inevitavelmente, para um novo ciclo de profissionalização, no qual tecnologia, gestão e contratos de longo prazo serão os fatores que separarão sobreviventes e líderes de mercado dos players vulneráveis.”

14 Gisele Barbin gerente comercial da Extrusa Pack

“A geração Z também contribui para enfraquecer a economia. Jovens gastam menos com moradia, transporte e alimentação”

Gisele Barbin, head de vendas da Extrusa-Pack

“A economia foi desafiadora em 2025, com fatores internos e externos. Os juros altos não frearam apenas os investimentos das indústrias, mas os do varejo consumidor. Outro fator interno de peso: o endividamento de parte da população com as bets – vale lembrar a denominação base ‘jogos de azar’ (se dessem sorte, não teriam este nome) –, com regulamentação tardia e ainda permissiva. A expectativa é de que o montante das apostas possa chegar a R$ 220 bilhões este ano, dinheiro que vai para o entretenimento em lugar do consumo.
Outro fator relevante de perdas e que leva à inadimplência, são os golpes financeiros, potencializados pelo comércio digital. Cada vez mais aperfeiçoados, somam prejuízo de R$ 51 bilhões nos últimos 12 meses.
A geração Z também contribui para enfraquecer a economia. Jovens gastam menos com moradia, transporte e alimentação, consumindo menos, entrando no mercado de trabalho mais tarde e morando mais tempo com os pais.
Fatores externos, como o aumento de taxas de importação resultantes do antidumping de resinas de PVC e polietileno, assim como o tarifaço de Trump, trouxeram incertezas e desconfiança. Desestimularam a economia e prejudicaram determinados setores.
Mas nem tudo são notícias ruins. A reforma da tabela do Imposto de Renda de acordo com o PL 1.087/2025, que prevê a isenção a quem ganha até R$ 5.000,00 e em vigor a partir de janeiro de 2026, deve ajudar a atenuar o o endividamento da população e contribuir com o aumento do consumo. Estima-se que serão beneficiados cerca de 25 milhões de trabalhadores, parcela na qual já percebemos um incremento imediato nas compras favorecendo a economia, a exemplo dos gastos com o 13º salário.
Diante desse quadro, a Extrusa-Pack espera que este ritmo de cautela continue no primeiro semestre de 2026, até porque os clientes ja sinalizaram isso. Mas também permanecemos otimistas com base no fato de que as companhias têm feito a lição de casa na intenção de ajustar as contas. O segundo semestre de 2026 promete ser um período mais maduro tanto para os nossos clientes quanto para a economia. Já ouvimos os EUA falar em baixa de juros e outros reflexos disso, como alteração na política dos vouchers e efeitos da redução da tabela do IR.
Fizemos na Extrusa-Pack investimentos importantes em 2024/2025, mas também olhamos para a racionalização de custos. Afinal, tão, importante quanto aumentar receitas é diminuir despesas para um resultado saudável.” 

15 Jose Fernandes socio diretor comercial da Cromaster

“O mercado de transformação de plásticos deverá estar em compasso de espera em 2026”

José Fernandes, sócio e diretor comercial da Cromaster

“Todos esses aspectos citados na pergunta têm extrema relevância para se projetar o panorama em 2026, ainda mais em se tratando de um ano eleitoral, quando os gastos do governo devem aumentar muito e de maneira até inconsequente. Minha única observação é relativa ao mencionado pleno emprego. Na verdade, temos um crescimento enorme de pessoas que não estão querendo mais trabalhar registradas na CLT. Buscam alternativas para obter seus ganhos e muitas delas constituem atividades paralelas questionáveis. Os trabalhadores desse contingente, bem considerável, não são computados nos levantamentos oficiais como desempregados e muito menos os beneficiários do Bolsa Família. Pergunto então: onde está o pleno emprego? De outro lado e de certa forma, está faltando mão de obra nas empresas (nota: indústrias, em especial). Isso não decorre das necessidades de aumento de pessoal por crescimento do negócio ou coisa que o valha, mas, sim, pela dificuldade de se achar quem esteja disposto a trabalhar de verdade.
Acredito que o mercado de transformação de plásticos, como talvez ocorra também nos demais segmentos, deverá estar em compasso de espera em 2026. Ou seja, sem grandes investimentos, seja pelo custo do dinheiro, ainda altíssimo, seja pela conjuntura política do país, onde o líder nas pesquisas é extremamente populista e deverá vir na campanha eleitoral com promessas ainda maiores para aumentar o assistencialismo já exagerado.
O que de positivo poderia animar o mercado e elevar um pouco seu otimismo seria a realização de alguns fatos surgidos recentemente. Por exemplo, a perspectiva de queda nos juros, indicada pelo Banco Central, somada à grande possibilidade de redução das tarifas impostas pelo governo americano a produtos brasileiros. Estas sim, seriam excelentes noticiais para o setor produtivo nacional, mas ver para crer….
Ainda aposto em muita insegurança e incertezas para 2026.”

16 Jooo Rodrigues presidente da Thathi Polimerosi

“A produção de compostos torna nossos resultados menos vulneráveis perante a alternativa de apenas importar e distribuir resinas”

João Rodrigues, presidente da Thathi Polímeros

“As informações advindas de dados econômicos e perspectivas não são animadoras. De fato, a combinação de, entre outros problemas, o comprometido fluxo de caixa das empresas, elevado spread das instituições financeiras, altos impostos, populismo com transferência de renda e perda do poder aquisitivo será um indigesto prato para 2026. E teremos eleições que prometem intensa polarização.
A importação de veículos e uma infinidade de bens duráveis, como produtos têxteis, móveis, ferramentas, máquinas, moldes, remove da capacidade industrial do país a possibilidade de contratar mão de obra e expandir suas operações, com raras exceções.
O Brasil não pode manter sua atividade produtiva dependente em demasia do agronegócio, mineração e, fontes inesgotáveis de recursos, aço e petróleo. Há fragilidade em planejar o desenvolvimento do país com base apenas nessas commodities. O país precisa de uma indústria vigorosa ao extremo, para recuperar e expandir a participação dela no mercado doméstico e externo. Mesmo as novas prospecções e descobertas de óleo em pontos distantes do território nacional não trarão, no curto ou médio prazos, resultados que mudem o cenário conturbado do endividamento do governo, tolhendo recursos para infraestrutura, educação, segurança e saúde públicas etc. Tratam-se de necessidades de gestão que não se estabelecem em alguns anos. Se instituídas, levam por vezes décadas.
De nossa parte, mantemos firme o compromisso de investir em novas oportunidades, importando resinas de alta qualidade de empresas com a cadeia química integrada, homologações globais e com parcerias de longo prazo e confiáveis. Para robustecer nossa presença no mercado, contamos com a bandeira da belga Domo Chemicals na distribuição da marca Technyl de PA6 e PA66, além das importações crescentes de resinas como PA6, POM e PBT. Também contamos com operação própria de beneficiamento de polímeros, geradora de elevado número de formulações para atender a praticamente todos os setores usuários de plásticos nobres. A produção de compostos torna nossos resultados menos vulneráveis perante a alternativa de apenas importar e distribuir resinas.”

17 Ricardo Mason CEO Grupo Fortymil

“O mercado vai exigir reciclados cada vez melhores e continuará a comparar o custo/ benefício deles com o do plástico virgem”

Ricardo Mason, CEO do Grupo Fortymil

“De maneira geral, o ano de 2025 foi muito duro para a reciclagem. Não só pelos juros muito altos e inadimplência, mas pelo excesso de oferta global de poliolefinas virgens. Somada a um moderado crescimento generalizado da economia mundial, essa super produção trouxe um problema para o mercado internacional como um todo, Brasil incluso. É uma realidade dura, impiedosa e que se mostrou implacável com diversos recicladores, em especial na Europa, protagonista dos movimentos circulares e sustentáveis, mas que se mostrou frágil, no fim das contas, versus a avalanche de matéria-prima de primeiro uso a preço baixo e vinda de todas as origens, em especial EUA, Ásia e a região do Oriente Médio.
Inúmeras recicladoras fecharam suas portas e outras reduziram drasticamente seus volumes, devido à grande dificuldade para alocar suas produções e gerar resultado com as baixas margens nos volumes colocados. Não tem como o reciclado competir com a precificação vigente para a matéria-prima virgem. O mesmo efeito causou em 2025 o fechamento de diversas petroquímicas de menor porte e reduzido potencial competitivo.
Voltando ao nosso Brasil, em 2026 teremos um ano de eleição, o que normalmente significa mais capital no mercado para agradar as massas (sabemos que essa conta chega depois). Temos outros efeitos também no balanceamento dessas equações: a entrada em 2025 do antidumping para polietileno dos EUA e Canadá, com provável aumento em relação à previa praticada desde o segundo trimestre; a elevação dos impostos de importação de poliolefinas e a nova legislação de obrigatoriedade de uso de material reciclado e de recolhimento das embalagens plásticas. Tudo isso, somado ao fato histórico do consumo de plástico estar sempre próximo a duas vezes o crescimento histórico do PIB aqui no Brasil, faz com que a equação aparentemente possa ser positiva ao setor de reciclagem no próximo ano. Mas essa perspectiva deve ser analisada com muita cautela e seus efeitos mensurados mês a mês, pois que sabemos que até 2030 teremos muita capacidade adicional de matéria-prima virgem entrando no mercado.
A velocidade de implantação generalizada das agendas ESG diminuiu em face do cenário de excedente de material virgem nestes anos pós-pandemia. Acredito que, do lado da reciclagem, teremos um mercado evoluindo de maneira gradativa e sem enormes sobressaltos. Para isso, os investimentos também devem acontecer na dose certa, sem grande euforia. O mercado vai exigir materiais cada vez melhores e continuará a comparar seu custo/ benefício com o do plástico virgem. O desafio continuará em como fazer essa conta fechar.”

18 Roberto Korall diretor da Component

“2026 será um período de crescimento moderado, que exigirá investimento seletivo e foco em eficiência”

Roberto Korall, diretor da Component

“Os desafios de 2026 são claros: juros ainda altos, inadimplência elevada e famílias endividadas devem limitar o crescimento do setor automotivo (nota: mercado da Component), mantendo as projeções de evolução entre 0% e 3,5%. De outro lado, a correção da tabela do IR – com isenção até R$ 5 mil – pode injetar dinheiro na economia e melhorar a demanda acima do previsto, caso a política monetária finalmente alivie.
Vejo 2026 como um período de crescimento moderado, que exigirá investimento seletivo e foco em eficiência. Mas o cenário também abre oportunidades de consolidação para quem estiver preparado. Nossa empresa seguirá esse caminho, investindo em máquinas de maior eficiência energética e na integração da unidade de pintura robotizada adquirida em 2025.”

19 Fabio Arcaro Kuhl CEO do Grupo Ecological

“O decreto sobre logística reversa de embalagens plásticas pode se tornar o principal motor de retomada para o setor de reciclagem em 2026”

Fábio Arcaro Kühl, CEO do Grupo Ecological

“O ambiente macroeconômico de 2025 foi bastante desafiador para a economia como um todo, e o setor de reciclagem de plásticos não ficou imune. Enfrentou ainda a sobreoferta de resina virgem barata e a ausência de regulamentação específica. Para 2026, o cenário segue exigindo cautela, mas a regulamentação do novo decreto sobre logística reversa de embalagens plásticas pode se tornar o principal motor de retomada, ao criar uma demanda obrigatória e mais previsível por resinas recicladas. Poderá estimular investimentos seletivos em qualidade e eficiência. mesmo diante das restrições macroeconômicas.”

20 Flavio Silva CEO

“Há um viés de proteção excessiva para os produtores de resinas nacionais e quase nenhuma proteção para a transformação”

Flávio Silva, CEO da Ohxide

“2025 ainda não encerrou, mas caminha para deixar a imagem de um ano ruim para a transformação de plástico. Muitas incertezas ao longo do ano e, apesar de alguns índices em teoria bons para a economia, como a questão do emprego, não se percebe isso revertido em demanda para o setor.
Talvez o consumo aparente de resinas tenha crescimento em relação a 2024. Mas, se essa alta vingar, muito se deve ao grande volume importado ao longo do ano. O que não é, necessariamente, convertido em consumo de resinas; boa parte deste volume vai virar o ano em estoque.
A política industrial do país não existe. Ela é construída com movimentos incongruentes e sem estratégia clara. Por exemplo, há um viés de proteção excessiva para os produtores de resinas termoplásticas nacionais e, do outro lado quase nenhuma proteção para o setor de transformação plástica. Praticamente, tudo o que poderia ser feito em termos de proteção tarifária para a petroquímica foi feito, enquanto o setor de transformados tem sofrido com pouca ou nenhuma proteção; tanto é assim que as importações de transformados crescem ano após ano. Não que eu seja a favor de proteção excessiva, mas precisa ser equilibrada.
Olhando para 2026, foco da pergunta, a primeira observação que devemos fazer é que será um ano eleitoral. Assim sendo, existe a tendência de aceleração de investimentos no primeiro semestre por parte do governo e o aumento de programas de transferência de renda. Em termos de demanda, pode-se ter, por conta deste fator, puxada mais forte nos primeiros seis meses frente ao movimento constatado este ano. Segmentos como construção civil devem aumentar a demanda, pela sazonalidade eleitoral. De outro lado, dada a eleição que se aproxima, a incerteza será ainda maior no mercado. Taxa de juros alta aliada à esta insegurança fará com que investimentos no setor de transformação não sejam muito comuns em 2026. Mesmo com possível redução na taxa de juros, ainda teremos impacto baixo. Até em razão do que virá em 2027, após o aumento da gastança em 2026.
Considerando todo o cenário global de excesso de ofertas de resinas, demanda mundial mais fraca que as expectativas, ano de incerteza no Brasil, em função do cenário político e preços em queda (que devem permanecer no primeiro semestre), vejo em 2026 um ano ainda desafiador para o setor de plástico. E ele precisa cada vez mais se esmerar no planejamento, reduzir custos e melhorar a competitividade.”

21 Rodrigo Lozano gerente tecnico comercial da CPE

“Apesar do ano eleitoral, o mercado de plásticos de engenharia deve estagnar em 2026, devido ao custo do crédito e importações de produtos acabados”

Rodrigo Lozano, gerente técnico-comercial da CPE

“Entendo que devemos dividir a análise em duas partes. A primeira está relacionada à situação macroeconômica atual, com a taxa Selic num elevadíssimo patamar de 15% ao ano, confirmando o aumento do custo financeiro e do crédito. Neste ambiente hostil, onde o custo financeiro se torna impraticável a empresas e pessoas físicas o refinanciamento de suas dívidas. Mesmo a busca de crédito no mercado para investimentos ou compra de bens se torna inviável.
Esta situação gera dificuldades em todos os setores e a inadimplência tende a aumentar, como se viu durante 2025, freando a economia, os investimentos e o mercado consumidor como um todo. Do outro lado da moeda, o emprego em crescimento, tem forte sustentabilidade pelo consumo robusto, em razão das diversas políticas de transferência de renda junto com políticas de incentivos fiscais a alguns setores, com foco indireto (ou melhor direto) no contexto do ano eleitoral em que estamos prestes a entrar. Tais gastos transcorrem apesar das consequências de um maior endividamento da máquina pública, sem uma saída real para sustentar tal situação, apesar da mudança fiscal agendada para início de 2026.
No cenário brasileiro dos plásticos de engenharia, segmento no qual minha empresa forma entre os maiores players, com foco predominante em compostos de polipropileno para os setores automotivo, moveleiro, industrial e de linha branca, 2025 tem sido desafiador neste cenário de incertezas, volatilidade de volumes e alta da inadimplência, embora tenhamos registrado conquistas junto a clientes e parceiros de negócios. Nosso crescimento em 2025 tem como alicerce o atendimento ágil e flexível com produtos personalizados de alto desempenho e o menor custo de mercado
Com isso, a CPE entende que, para 2026, o mercado de plásticos de engenharia deve sinalizar uma estagnação, apesar do ano eleitoral, principalmente pela continuidade do alto custo do crédito, aumento das importações de peças e bens de consumo principalmente do Oriente. Elas já abocanharam uma fatia relevante do mercado dos produtos fabricados localmente.
Todos estes fatores favorecem, até nos empreendedores mais otimistas, a cautela das empresas em ativar novos investimentos. Eles devam ser repensados e replanejados em face da grande possibilidade de volatilidade do mercado e das grandes incertezas em campo em 2026.”

22 Roberta Duarte diretora geral Conecta Resinas

“Esperamos um cenário ainda delicado e complexo em 2026, mas com potencial de recuperação”

Roberta Duarte, diretora geral da Conecta Resinas

“Em um ano marcado por grandes contrastes econômicos, a indústria e o mercado de plásticos enfrentam desafios e oportunidades. A inadimplência recorde e os juros elevados geram um ambiente desafiador para nossas operações e o Brasil. A falta de crédito acessível inibe o investimento de empresas em novos projetos e pode e está resultando na retração da demanda por resinas.
O pleno emprego deveria, num ambiente normal, resultar em aumento da demanda. Mas, neste momento do mercado, a perda do poder aquisitivo funciona como um limitador. Consumidores e empresas estão ajustando orçamentos e priorizando a compra de produtos essenciais.
Os programas de transferência de renda têm crescido. Esses programas tendem a aumentar o consumo de bens não duráveis e, indiretamente, os plásticos neles utilizados. Como distribuidores, precisamos nos preparar para atender a essa demanda e, ao mesmo tempo, garantir que nossos produtos continuem competitivos. Estar atento às necessidades do mercado é crucial!
Em 2026, esperamos um cenário ainda delicado e complexo, mas com potencial de recuperação. Empresas que investirem na modernização e inovação sairão provavelmente na frente. A expectativa em minha empresa é de que, ao ajustarmos as estratégias às realidades econômicas, possamos não apenas nos manter, mas expandir nossa participação no mercado.
Em 2026, a Conecta irá investir, em caráter prioritário, em tecnologia, logística e medidas para minimizar custos operacionais. Além disso, será crucial diversificarmos o leque de fornecedores, países de origem das poliolefinas que importamos e as opções de grades. A capacitação da equipe também será um ponto-chave para nos adequarmos com rapidez às mudanças no mercado em tempos de incerteza.”

23 Clovis Cortesia CEO do Grupo Copobras

“O atual patamar da taxa básica de juros absorve grande parte da geração de caixa das empresas”

Clóvis Cortesia, CEO do Grupo Copobras

“2025 foi repleto de grandes desafios para o segmento da economia em que estamos inseridos. O crescimento do PIB brasileiro não implica, necessariamente, crescimento em volume físico de algumas de nossas linhas (nota: descartáveis e flexíveis). Pelo que acompanhamos no mercado, muitos varejistas enfrentam a mesma situação, refletindo a dificuldade econômica como um todo. Além da inflação percebida no alto custo dos produtos no varejo, desestimulando o consumo, o atual patamar da taxa básica de juros absorve grande parte da geração de caixa das empresas. Isso gera seletividade na alocação dos recursos e o custo de estoques força as indústrias a comprarem de forma mais fracionada para evitar esse dispêndio, porém gerando maiores custos de set-ups e perda de eficiência operacional. Além disso, isso agrava o quadro da escassez de mão de obra disponível, acarretando mais custos para as empresas já fragilizadas.
Com previsão de um PIB em torno de 2% e inflação em torno de 4,5%, conforme sinaliza o Boletim Focus, não teremos crescimento real para o Brasil em 2025. Para 2026, a meu ver, o país está fadado a um cenário similar, pois não tende a ser um ano de ajustes das contas públicas. Ao contrário, com a corrida eleitoral, a tendência é de maior gasto público, que, por ora, pode sim trazer uma tração extra à economia, porém sem gerar redução considerável da atual taxa básica de juros. Assim, as margens e os recursos das empresas continuarão pressionados.
Apesar do cenário, continuaremos em 2026 a investir aqui na Copobras. Os focos desses novos aportes financeiros são tecnologia e eficiência operacional, sustentando o plano de metas para os próximos anos e, como sempre, prosseguimos atentos à liquidez da companhia.”

24 Frederico Fernandes analista da Argus

“Um ambiente desafiador para bens duráveis e embalagens, pressionando margens e levando empresas a adotar estratégias defensivas”

Frederico Fernandes, analista de petroquímica da Argus

“O Brasil encerra 2025 sob um cenário econômico marcado por forças opostas que devem definir o ritmo da indústria de transformação de resinas commodities em 2026. De um lado, a inadimplência atinge patamares históricos, os juros reais permanecem elevados e a perda do poder de compra limita o consumo. Esse conjunto cria um ambiente desafiador para bens duráveis e embalagens, pressionando margens e levando empresas a adotar estratégias defensivas: controle rigoroso de estoques, postergação de projetos e foco absoluto em eficiência operacional.
No entanto, há contrapesos relevantes. O mercado de trabalho segue aquecido e os programas de transferência de renda continuam irrigando a economia, garantindo algum fôlego ao consumo básico. Esse efeito tende a se concentrar em segmentos ligados a alimentos e higiene, com maior impacto em regiões dependentes de renda direta, como Norte e Nordeste. Ainda assim, o impulso não deve ser suficiente para neutralizar a retração nos setores mais sensíveis ao crédito.
Para os investimentos, o primeiro semestre de 2026 promete cautela. A prioridade será manter e otimizar ativos existentes, evitando grandes desembolsos até que haja sinais claros de queda nos juros e recuperação da confiança do consumidor. Caso políticas de estímulo avancem e a estabilidade fiscal se consolide, o segundo semestre pode abrir espaço para retomada gradual de projetos voltados a nichos de maior valor agregado ou integração vertical para reduzir custos. Em síntese, o setor entra em 2026 com desafios significativos, mas com possibilidade de recuperação moderada, condicionada à evolução das variáveis macroeconômicas e à capacidade das empresas de ajustar seus modelos de negócio.”

25 Celso Ferraz da Mitsui Prime Advanced Composites do Brasil

“O ambiente macroeconômico tende a reforçar o dinamismo do mercado automotivo e manter o crescimento em níveis moderados, porém estáveis, em 2026”

Celso Ferraz, diretor geral da Mitsui Prime Advanced Composites do Brasil

“De fato, os juros elevados exercem impacto negativo sobre o setor automotivo, nosso mercado-chave, pois encarecem o custo dos financiamentos e ampliam os índices de inadimplência. Esse cenário, por sua vez, leva as instituições financeiras a adotarem critérios mais rigorosos de concessão de crédito, restringindo ainda mais o impulso da demanda para o setor.
De outro lado, a baixa taxa de desemprego amplia o potencial de consumo das famílias, contribuindo para sustentar a demanda. No mais, incentivos governamentais — como a redução do IPI para veículos considerados ‘sustentáveis’, aprovada em 11 de julho de 2025 — têm favorecido o aumento das vendas dos modelos que se enquadram nos critérios estabelecidos. A combinação desses fatores deve sustentar um crescimento do mercado de veículos em aproximadamente 3% em 2025.
Do ponto de vista da produção, o desempenho tem sido impulsionado pelo forte avanço das exportações, que já ultrapassam 40% dos veículos montados. Esse movimento deve garantir uma expansão de pelo menos 6% na atividade industrial do setor.
Para 2026, projeta-se um processo gradual de redução da taxa de juros, sustentado pela tendência de desaceleração inflacionária rumo ao centro da meta. Esse ambiente macroeconômico mais favorável tende a reforçar o dinamismo do mercado automotivo e manter o crescimento em níveis moderados, porém estáveis.
Nesse contexto, o setor automotivo segue comprometido com investimentos bilionários até 2030. Alinhada ao seu planejamento de curto, médio e longo prazo, a Mitsui, minha empresa, vem adequando suas operações e estrutura, investindo para fortalecer e aprimorar processos, de modo a estarmos plenamente preparados para atender à demanda crescente do setor e apoiar sua trajetória de expansão sustentável”.

26 Eder Ottolini Balbani dirigente da Ottolini Representacoes e representante comercial da distribuidora Replas

“A grande incerteza é como o consumidor final vai se comportar, pois grande parcela das classes B e C está endividada”

Eder Ottolini Balbani, dirigente da Ottolini Representações e representante comercial da distribuidora Replas

“2025 está fechando com muitas incertezas em nosso mercado. Temos, como citado na pergunta, o alto número da inadimplência, inclusas várias empresas abusando da obtenção de RJ, um aumento crescente das chamadas ‘araras’ (empresas criadas apenas para dar golpes no mercado), juros elevadíssimos obrigando os departamentos de análise de crédito a serem cada dia mais minuciosos nas avaliações. A isso tudo se soma a incerteza gerada por nosso governo ávido por mais impostos.
2026 começará com nova política tarifária, em vigor a partir de janeiro. No compartimento da comercialização de resinas deveremos ter, em função do elevado valor de juros no Brasil, uma seleção natural de importadores. Afinal, o mercado asiático, em sua grande maioria, exporta para o Brasil apenas na condição de pagamento à vista e com lead time de aproximadamente 90 dias e frete mais caro que o dos EUA para cá.
Apesar de tudo, muitos transformadores acreditam que, com essa seleção natural, muitos concorrentes irão desaparecer e daí porque estão investindo em novos equipamentos e linhas diversificadas para atender o mercado. A grande incerteza é como o consumidor final vai se comportar, pois hoje grande parcela das classes B e C está endividada e comprando apenas o básico e o mais barato, deixando de lado as marcas mais tradicionais apesar dos programas assistencialistas do governo. Não devemos esquecer das eleições em 2026 e o governo vai usar a máquina administrativa para arrebanhar votos, provavelmente aumentando impostos das empresas para conseguir atingir a meta fiscal.”

27 Patrick Gulli diretor regional de vendas para America do Sul da Alpla

“Mercado de trabalho aquecido e programas assistencialistas devem continuar a ditar a demanda em 2026. Mas isso não cria o ambiente necessário para decisões ousadas de investimentos."

Patrick Gulli, diretor regional de vendas para América do Sul da Alpla

“2025 já mostrou uma mudança clara no comportamento dos nossos clientes. Vimos restrição de investimentos, projetos adiados e uma queda consistente na demanda por inovação. O foco virou recuperação e proteção de margem. Empresas repensaram até iniciativas antes tratadas como prioritárias, como o uso de plástico pós-consumo reciclado (PCR), justo pelo impacto nos custos. Isso sinaliza um setor mais pragmático, onde rentabilidade voltou a falar mais alto do que experimentação.
Ao mesmo tempo, o consumo se manteve estável, sustentado pelo mercado de trabalho aquecido e pelos programas de transferência de renda. Isso evita uma contração maior, mas não cria o ambiente necessário para decisões ousadas de investimentos.
Para 2026, minha leitura é de que esses dois vetores devem continuar ditando o ritmo da demanda. Se houver alívio nos juros reais e na inadimplência, os projetos travados voltam a ganhar tração. Caso contrário, seguiremos em um ciclo de escolhas criteriosas. Eficiência operacional, simplificação de portfólio e redução de custos seguem como prioridades absolutas para a maior parte dos players.
O setor de embalagens continuará caminhando, porém de forma seletiva e com um olhar mais racional. O ano será marcado menos por apostas e mais por disciplina.”

28 Gentil Boscolo lider do negocio de plasticos de engenharia da Basf na America do Sul

“Para o mercado de plásticos de engenharia, 2026 traduz um cenário de razoável para bom”

Gentil Boscolo, líder do negócio de plásticos de engenharia da Basf na América do Sul

“2025 termina com um quadro macroeconômico paradoxal no Brasil: juros reais elevados, inadimplência e alto índice de endividamento familiar, mas também pleno emprego, bolsa de valores em máximas históricas e PIB com previsão de encerrar o ano com crescimento próximo de 2,5%. Esse contexto combina freios e aceleradores e, para 2026, projeta um crescimento moderado, com PIB próximo de 2% e a indústria automotiva com avanço estimado de cerca de 4%.
Para o mercado dos plásticos de engenharia, esse balanço de forças traduz um cenário de 2026 de razoável para bom. Como uma parcela importante dos negócios dessas resinas é voltada para componentes automotivos, o crescimento desse setor alavanca naturalmente o desenvolvimento da demanda dos plásticos nobres.
A produção de itens da linha branca e eletroportáteis também apresenta importante contribuição na demanda desses materiais. Todavia, trata-se de setor mais dependente de crédito, o que pode frear sensivelmente seu crescimento. Quanto a investimentos nesse setor industrial, tal como em outros, hoje há uma certa ociosidade dos ativos disponíveis no país e não noto expectativa de aportes financeiros no curto/médio prazo em aumento de capacidade. De outro lado, constato investimentos em curso para incremento da da produtividade, qualidade e automação.
Acredito que 2026 e 2027 deverão ser anos de transição e preparação. Estamos vivenciando uma importante transformação verde no mercado como um todo e a ela estamos conectados e prontos para apoiar os clientes nessa jornada. A indústria deve se preparar para capturar o próximo ciclo de crescimento sustentável de longo prazo – e ele chegará!”

29 Erasmo Fraccalvieri

“Em 2026 teremos brasileiros com renda ascendente, pleno emprego e sem acesso ao crédito. Destino final da renda disponível: supermercados e farmácias”

Erasmo Fraccalvieri, fundador e CEO da EF Desenvolvimento

“De forma direta: o setor de embalagens flexíveis, mercado que atendo, tem alta probabilidade de continuar com a manutenção da demanda no primeiro semestre de 2026.
A conjuntura atual causa confusão, confesso. O modelo de desenvolvimento econômico do atual governo está perdendo força gradativamente. Porém, o setor de consumo supermercadista não pode reclamar – ainda.
O governo apostou na injeção direta de capital via benefícios e aumento do salário mínimo acima da inflação. Isto trouxe crescimento real de renda e consumo, gerando mais empregos, além de um esforço hercúleo do Banco Central para controlar a inflação. Segundo o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026, o mínimo em 2026 deve ser de R$ 1.631. Desde 2020, representa um aumento de 57,0%, aproximadamente, contra 38,5% do IPCA.
A lógica parece simples. E funciona. O país entrou num ciclo aparente de prosperidade desde 2022, onde o desemprego diminui, a renda sobe. Todavia, aparecem os sinais de desgaste, comentados adiante.

tabela 1
Mas e o Bolsa-Família? Infelizmente, a polarização reduz assuntos complexos a narrativas simplistas em ambos os lados. É mais fácil dizer que ‘ninguém quer trabalhar por conta dos benefícios’ do que enxergar os números à sua frente. Uma pesquisa simples em dados emitidos pelo Tesouro Nacional, nos mostra que o acumulado de 12 meses da somatória de Bolsa-Família, Benefícios de Prestação Continuada (BPC) e Previdência está estagnado desde maio do ano passado (2024) na faixa de R$ 1,3 trilhão.
Somente a Previdência é responsável por mais de R$ 1,0 trilhão, sendo que Bolsa-Família e BPC apresentam dinâmicas diferentes. Há quase dois anos, o acumulado de benefícios pagos referente ao Bolsa-Família vem diminuindo graças à saída de milhões de famílias do programa. Do meu ponto de vista, o governo deverá endurecer as regras para o pagamento do BPC no ano que vem.

tabela 2E a inadimplência da pessoa física? Como é possível o país estar crescendo se quase metade de sua população adulta (48,5%) está incluída no cadastro da Serasa? Tive o cuidado de incluir abaixo dois dados no mesmo gráfico. O primeiro é a evolução do saldo de inadimplentes da Serasa. Atenção: trata-se de um saldo, todo mês pessoas entram e saem do cadastro; o saldo é a diferença. A estimativa mais recente dessa fonte é de que 79,2 milhões de brasileiros adultos estejam com alguma conta atrasada. No mesmo gráfico, temos o índice de consumo de supermercados divulgado pela FIPE em conjunto com a Alelo, medido em volume numérico de transações registradas.
A correlação é inevitável e não deveria causar estranheza a esta altura do campeonato. A dinâmica é simples de ser compreendida. Segundo a Serasa, a quantidade de brasileiros dispostos a saldar seus débitos é menor do que a que decide não saldar – e o ritmo é crescente. Portanto, o volume financeiro que estaria destinado ao pagamento destes débitos vencidos não volta ao credor, fica na praça. Para se ter uma ideia do volume financeiro, somente até setembro último, o saldo da dívida dos inadimplentes subiu em R$ 114 bilhões.

tabela 3Inadimplentes sentem maior dificuldade de acesso ao crédito. Segundo a CNC, a exposição de famílias endividadas no cartão de crédito caiu significativamente desde abril de 2024. Mais pessoas tiveram bloqueado seu acesso aos cartões. Desse modo, compras parceladas estão muito mais restritas do que há três anos.
Mas o que os brasileiros compravam na modalidade de parcelamento? Exatamente o que você, provavelmente, está pensando: bens duráveis e boa parte dos semiduráveis. Segundo a CNC, a porcentagem de famílias endividadas por conta de financiamento de automóveis, por exemplo, baixou drasticamente na última década.

tabela 4Não desejo ser alarmista, mas me parece que o brasileiro perdeu a vergonha de não quitar suas dívidas. Do velho ditado, a frase final ‘pago quando puder’ foi substituída pela ‘não vou pagar’. O setor supermercadista agradece.
Em resumo:

  • A renda média real do brasileiro subiu.
  • O desemprego atingiu o menor nível histórico.
  • Devido à restrição ao crédito, bens duráveis são evitados.
  • Em 2026 haverá mais um reajuste do salário mínimo acima da inflação.

Em outras palavras, em 2026 teremos brasileiros com renda ascendente, pleno emprego e sem acesso ao crédito. Destino final da renda disponível: supermercados e farmácias. Eu deixaria meu estoque preparado, ainda mais com os baixos preços de filmes plásticos e resinas disponíveis no momento.

tabela 5Ok, e os sinais do fim da festa, onde estão?
Por toda a parte. Agora, o Brasil cresce no modo de transpiração. Em 2024, nosso PIB cresceu 3,1%, porém, a produtividade estagnou em apenas 0,1%. Basicamente, estamos apenas adicionando trabalhadores por mais horas apenas para atender a demanda já sufocada. Como observa Fernando Veloso (FGV Ibre), “uma economia que cresce acima do seu potencial sem ganhos de produtividade alimenta o processo inflacionário”. É exatamente isso que o Banco Central controla. Crescimento sem produtividade apenas gera pressão inflacionária. Nossa taxa de ocupação chegou a 94,4%, sem espaço para mais crescimento robusto. O Brasil aloca mal seus recursos, as empresas empacam em tecnologia, além do baixo desenvolvimento em educação, segundo o World Bank, as crianças brasileiras deverão alcançar apenas 55% de sua produtividade potencial. Nossos mercados são protegidos, há burocracia excessiva e várias empresas ‘zumbis’ sobrevivendo. Sem ganho de produtividade não há mais para onde crescer.
Por ora, o setor de embalagens flexíveis deve aproveitar e chorar somente quando chegar a hora.”

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