China avança na busca de autossuficiência produtiva em PEAD

Movimento refletido nas importações em queda gradual desde o pico em 2020
China avança na busca de autossuficiência produtiva em PEAD

Após passar de importador a mega exportador regular de  polipropileno (PP), com projetadas remessas da ordem de quatro milhões de toneladas este ano, a China sinaliza agora mesma inversão de papéis no reduto de polietileno de alta densidade (PEAD). John Richardson, blogueiro da consultoria Icis, traduz este movimento das importações em queda livre da poliolefina na China – de nove milhões de toneladas em 2020, desceram a 4.9 milhões em 2025 e caminham para 2.6 milhões no exercício corrente se for mantido o pique das remessas aferido de janeiro a maio no mercado convulsionado pela guerra no Irã. Tal como em PP, a virada no jogo decorre da obsessão, estratégica para Pequim, pela autossuficiência produtiva em químicos, perceptível também nas exportações chinesas de PEAD em queda livre. Na calculadora do blogueiro, elas pendem para fechar o ano em 1.7 milhão de toneladas este ano contra 503.571 despachadas em 2025.

De acordo com o banco de dados da Icis, a capacidade instalada de PEAD na China sobe 6% este ano versus 2025, passando ao patamar de 17.5 milhões de t/a. “Enquanto isso, o crescimento da demanda interna caiu para um dígito baixo, após ter atingido um dígito alto durante o superciclo da indústria química entre 1992 e 2021”, completa Richardson em artigo postado em 6/7.

“A história sugere que devemos ter cautela ao presumir limites para as ambições de longo prazo da China no setor petroquímico”, pondera o analista blogueiro”. Não é à toa que Jim Ratcliffe, presidente da múlti petroquímica inglesa Ineos, remeteu em 5/7 carta a Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, instando a zona do euro a incrementar o respaldo à indústria química ali baseada, reportou em 6/7 o portal Plastics News. Segundo o dirigente, quase 200 plantas europeias fecharam desde 2020 e ele atribui a culpa dessa perda à energia cara e impostos sobre carbono na União Europeia e à inundação de produtos chineses vendidos ali a preços por ele reputados como insustentáveis, condição justificada pelos analistas com as musculosas escalas da China e seus incentivos às exportações tendo ao fundo a persistente procura da plena autonomia produtiva em uma multidão de químicos/petroquímicos.

A carta de Ratcliffe, interpreta a matéria de Plastics News, constitui o passo mais recente da pregação movida pela Ineos por mais barreiras comerciais na UE. Em novembro passado, a empresa impetrou 10 denúncias antidumping  junto à Comissão Europeia, englobando materiais como PVC, ABS, poliolefinas, monoetilenoglicol e ácido tereftálico purificado importados dos EUA,  Ásia e Oriente Médio.

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