Guerra no Irã: petróleo destoa das previsões iniciais

Mercado global conseguiu substituir importações do combustível do Golfo Pérsico
Guerra no Irã petróleo destoa das previsões iniciais

Seis meses em trajeto de montanha-russa convergem para colocar hoje a guerra no Irã cara a cara com um impasse fora da curva das previsões iniciais sobre seu desdobramento, rumina artigo postado em 28/8 no New York Times (NYT). “O petróleo segue sendo extraído, mas em menor volume e a gasolina continua cara. Navios permanecem navegando no Oriente Médio, mas em quantidade inferior ao nível pré-guerra”. Antes do conflito, nota outro balanço da conjuntura publicada em 27/8 pelo Wall Street Journal (WSJ), cerca de 130 cargueiros cruzavam o Estreito de Ormuz, média reduzida a 15 em agosto devido aos ataques do Irã e bloqueio dos portos locais pelos EUA.   

Com o barril a USD$ 89 em 28/8, situou o NYT, o petróleo mostrou-se 23% mais caro que antes de Trump acordar irado em 1/2, salgando desde então o preço dos derivados da fonte de energia fóssil, para júbilo aliás das indústrias petroquímicas atoladas no vermelho da superoferta de resinas desde 2022. O jornal nota que o grosso do empresariado do setor energético apostava eufórico, à entrada de março, em disparada do barril nas lonjuras dos US$ 150.

“A economia global tem se mostrado supreendentemente eficiente em se manter sem toda a energia que costumava comprar do Golfo Pérsico”, contrapõe cobertura do NYT. Um comportamento justificado no artigo publicado pela redução das importações do óleo cru do Oriente Médio por países ultra dependentes dele (China, por exemplo). Também influíram no quadro, insere o mesmo artigo, países como EUA e China, que recorreram ao abundante combustível de suas reservas estratégicas, conjuntura  favorecida ainda pelo aumento da produção petrolífera norte-americana e por petroleiras do Oriente Médio que encontraram meios de exportar o óleo bruto, apesar da navegação espinhosa pelo Estreito de Ormuz. A propósito, o artigo do WSJ observa que os estoques da reserva estratégica de petróleo dos EUA despencaram ao menor nível desde os anos 1980.       

O tráfego pelo Estreito de Ormuz, via de transporte para 20% do petróleo mundial antes da guerra, ainda está praticamente paralisado, constata o balanço do NYT. Antes do conflito, mais de 100 navios por dia passavam pelo estreito entre o Irã e Omã, percurso agora trilhado por apenas cerca de uma dúzia, segundo a empresa de dados marítimos Kpler. O Irã busca reafirmar o controle local cobrando dos navios pela passagem antes gratuita pelo estreito. Muitas operadoras logísticas, retoma o fio a matéria do NYT, passaram a sondar trajetos para evitar o estreito, a exemplo das remessas de petróleo cru pelo Mar Vermelho, rota na mira de ataques da milícia Houthi, apoiada pelo Irã e controladora de parte do Iêmen. A alternativa do percurso pelo norte do Mar Vermelho é considerada mais complexa, longa e custosa. De acordo com o artigo de WSJ, navegar com petroleiro do Golfo Pérsico até a China custa agora mais de U$500.000 por dia, orça a empresa de dados marítimos Clarksons Research. O montante supera o dobro do valor antes dos ataques iranianos ao estreito, aumento justificado inclusive pelos custos de seguro mais elevados e pela queda no número de transportadoras dispostas a singrar pelas arriscadas rotas. Noves-fora, as remessas de óleo do Oriente Médio prosseguem atrás dos níveis pré-guerra.

Compartilhe esta notícia:

Deixe um comentário