PVC: importações prestes a ultrapassar a produção nacional

Desembarques suplantaram a faixa de 330.000 t no 1º semestre
PVC importações prestes a ultrapassar a produção nacional

Pedra há bom tempo cantada: as importações de PVC devem superar em muito breve a real capacidade produtiva nacional, da ordem de 70% do potencial nominal de 1.030 milhão de t/a, conforme estimativa da consultoria OHXIDE. O mais recente aval à previsão transparece dos indicadores das compras externas do vinil no primeiro semestre, impulsionadas pela oferta doméstica insuficiente desde 2018, quando o desastre geológico em Maceió (AL), lesionou a cadeia de produção de PVC da Braskem, nº1 do Brasil no polímero, a ponto de encerrar sua mineração local de sal-gema e de passar a depender do intermediário dicloroetano trazido dos EUA.

Pente-fino dos números oficiais empreendido pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) fixa em 331.531 toneladas as importações de PVC de janeiro a junho último contra 326. 380 à mesma época em 2025. A mesma fonte situa essas importações em 643.336 toneladas no exercício do ano passado versus 580.086 em 2024 e 425.981 em 2023. Ligando-se os pontos, mantido o pique atual e mesmo com a moderação em vigor nos lançamentos imobiliários e reformas residenciais, mercado-coração do vinil, soa racional a probabilidade de os desembarques ultrapassarem a produção interna até dezembro. Retomando o fio do balanço do semestre inicial, as principais origens das importações brasileiras do polímero operam à sombra de acordos bilaterais comerciais. A liderança cabe à Colômbia, com 169.951 toneladas internadas (142.946 no mesmo período em 2025), seguida de longe pelo Egito, com 67.349 toneladas (40.381 no mesmo período em 2025) e Argentina, onde planta da Unipar remeteu para cá 31.815 toneladas (24.223 no mesmo período em 2025). A propósito, o grupo mexicano Orbia controla a única unidade de PVC (420.000 t/a) da Colômbia e a maior parte de suas exportações para o Brasil destina-se à Amanco Wavin, mega transformadora de tubos e conexões do mesmo conglomerado.

Dada a insuficiente capacidade produtiva, as exportações brasileiras do vinil permaneceram mirradas de janeiro a junho passado: 17.331 toneladas contra 9.139 nos primeiros seis meses de 2025, constata a Abiquim. Os principais destinos dessas remessas do Brasil foram o Paraguai, com 2.980 toneladas (2.520 no mesmo período em 2025); Argentina, com 2.557 (4.050 no mesmo período em 2025) e Marrocos, que recebeu 2.500 toneladas.  

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