Brasil: diesel puxa disparada dos custos logísticos

Reajustes nas taxas de transporte e seguro de cargas causados pela Guerra no Irã
Brasil: diesel puxa disparada dos custos logísticos

Suspensa por enquanto pelas tarifas mínimas de frete homologadas pelo governo, a ameaçada greve nacional dos caminhoneiros também retrata o choque dos custos logísticos, azedados pela Guerra no Irã, em cadeias industriais como a do plástico. Na mesma toada, o site Icis divulgou em 25/3 que varejistas de petroquímicos e químicos foram comunicados sem açúcar e sem afeto a respeito de reajustes de até 30% em futuras cargas e com taxas de transporte de contêineres para o Brasil  correspondentes ao dobro ou triplo dos já saudosos valores médios vigentes antes do conflito no Oriente Médio. No embalo, pululam na praça relatórios atestando encarecimento maiúsculo do seguro de cargas.

“A geopolítica deixou de ser um tema distante para impactar diretamente o caixa das transportadoras”, constata em release Cristiano José Baratto, presidente do Instituto de Estudos de Transporte e Logística (IET). Na calculadora da entidade, o custo da logística nacional ronda 13.3% do PIB, índice elevado e tendendo a subir na garupa da disparada do barril em meio ao entrevero sem término à vista no Oriente Médio.

Pelo cruzamento de dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT), o modal rodoviário abocanha ao redor de 65% da movimentação de cargas no país e até 35% do custo operacional desse frete cabe ao diesel. Essa dependência do combustível fóssil pelos caminhoneiros ilustra a sensibilidade dos gastos da cadeia transportadora e desdobramentos a jusante dela às oscilações nas cotações do óleo derivado da destilação do petróleo. Retomando o fio, Baratto comenta no release do IET que os efeitos da degringolada geopolítica causada pela Guerra no Irã são mais contundentes em regiões detentoras do grosso da produção, consumo e escoamento logístico do Brasil – Sul e Sudeste. Uma referência dessa magnitude é o porto de Santos (SP), por onde passa uma fração aproximada de 30% da balança comercial brasileira.

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