Mal saído de um período marcado por juros e custos de produção abusivos, inadimplência recorde e baixa nos preços das commodities, o tempo no agronegócio brasileiro fechou de vez desde março, com a explosão e instabilidade, trazidas pela guerra no Irã, dos preços e suprimento do petróleo e derivados como fertilizantes. Em contraste com essa tempestade perfeita, a agricultura foi, em 2025, o maior mercado de plásticos flexíveis em intensidade de crescimento – saltou 9.7% versus 2024, para a marca de 316.000 toneladas. Impulsionam este feito o crescimento da procura por alimentos de qualidade e a valorização da produtividade e rentabilidade no campo, como demonstra a arrancada da transformadora Lonax, sediada há 24 anos em Sarzedo, região metropolitana de Belo Horizonte. Na selfie atual, sua capacidade instalada ronda 5.000 t/mês de um mix onde cabem lonas (linhas multiuso e agro), filmes para estufas, geomembranas, silos bolsas, sacos para silagem e, à parte do segmento rural, a linha Pegue & Leve (lonas para proteção contra tinta e pó). Mas este potencial vai mudar logo. “A filial em Recife (PE), inaugurada em dezembro de 2023, está em fase de ampliação e deverá fornecer em breve nosso portfólio completo”, adiantam Ivana Pontes e Pollyana Penido, respectivamente presidente e vice-presidente da Lonax.
Ivana Pontes e Pollyanna Penido: ampliação em dois anos de operação da filial em Pernambuco.
Agronegócio é o carro-chefe da Lonax, que também tem olhos para a construção civil, mineração e gestão de resíduos. A conjunção de ganhos de escala e eficiência logística de alcance nacional, com particular ênfase na agroexuberância do Nordeste, Norte e Centro-Oeste, convergiu para o investimento em Pernambuco, complementando a cobertura do Sudeste/Sul exercida pela matriz. Já em 2024, primeiro exercício operacional da filial recifense, a Lonax sustentava responder por 60% do mercado de lonas de polietileno (PE). Por sinal, a Lonax fez história neste nicho por pioneirismos como a venda do produto por peso e não por espessura e em tubetes de bobinas mais finos, que ensejam a entrega de mais lona e menos papelão.
Com quase três décadas de bagagem em plástico, Ivana e Pollyana dão o tom de inovação contínua na gestão da Lonax desde a fundação. “No plano geral do portfólio, os principais avanços recentes em termos técnicos e de custo-benefício”, elas distinguem, “envolvem formulações provedoras de maior resistência mecânica, utilização de materiais de alta performance; automação de processos e atenção maior no tocante a propriedades ópticas”. Uma percepção mais concreta dessa observação é proporcionada por um dos itens mais vistosos do mostruário da Lonax, os agrofilmes. As películas da empresa sobressaem pela transparência, difusão de luz, resistência física e controle térmico do cultivo protegido. Conforme atestam estudos de campo conduzidos por entidades de pesquisa agronômica, entre os pontos altos hoje aferidos entre filmes de estufas das marcas mais renomadas na praça, constam a capacidade de se manter firmes à tração e ao rasgo, aumento da vida útil, controle da luz e reflectância e a aditivação contra UV, agroquímicos e adubos.
Geomembranas: tecnologia Lonax assegura alta resistência química, impermeabilização e durabilidade.
Hoje em dia, pelo menos duas vertentes influenciadoras do agronegócio são acompanhadas de perto por Ivana e Polyanna. Uma delas é o crônico déficit na armazenagem de grãos. Para 2026, o índice projetado supera 135 milhões de toneladas. A produção esperada de 353.4 milhões de toneladas supera a capacidade estática de estocagem, que cobre apenas cerca de 61,7% da colheita, o menor índice em 20 anos. Noves fora, perdas na produtividade e receita da colheita.
No consenso das analistas, a lacuna se deve a uma combinação de fatores: e falta de conscientização dos produtores sobre a importância da armazenagem estratégica; preços, custos logísticos e políticas de incentivo ao agro em mudança constante; dificuldade de acesso ao crédito (em especial para agricultores menores e médios) e praxe disseminada de vender a safra logo após a colheita, sem armazenar grandes volumes na propriedade. para garantir fluxo de caixa imediato. “Este panorama geral reduz o poder de negociação dos produtores rurais e impulsiona soluções como o silo bolsa (bem mais acessível que o armazém metálico) que permite ampliar com rapidez a capacidade de estocagem de grãos na propriedade”, acentuam as fundadoras da Lonax. Para se diferenciar no nicho ultra concorrido de silos bolsas, a empresa tem investido no desenvolvimento de filmes multicamada de melhor barreira ao oxigênio e propriedades mecânicas. Este último quesito se vincula às exigências de silos bolsas de maior proteção da colheita contra perfurações e rasgos causados por animais e insetos. “Para corresponder às expectativas, utilizamos formulações de PE com maior resistência e proporcionamos suporte ao agricultor com provas de campo e orientação de instalação e manejo dos nossos silos bolsas que, tal como as geomembranas, ganha este ano novas medidas no catálogo”, acrescentam Ivana e Pollyana.
Silo bolsa: demanda cresce à sombra do avantajado déficit nacional de armazenagem de grãos.
Outro enfoque do agronegócio merecedor de marcação de perto da Lonax é o impacto das mudanças climáticas. Hortifrútis são ultra sensíveis a eventos extremos como secas prolongadas, ondas de calor e frio, chuvas intensas, ventanias e geadas. A alface, por exemplo, depende de temperatura amena e boa umidade para brotar a contento, ilustram análises da Embrapa Hortaliças, assinalando que tais condições-chave de cultivo são ameaçadas em especial no verão, quando temperaturas acima de 40ºC são registradas em grandes áreas do Brasil. Daí a relevância do cultivo protegido para a Lonax, pois estruturas como estufas e túneis plásticos asseguram microclima controlado e favorável ao desenvolvimento das plantas.
Ivana e Pollyana deixam claro que as cada vez mais frequentes mudanças climáticas têm inspirado a busca da Lonax por maior resistência às intempéries e vida útil para suas linhas de agroflexíveis. Entre aquelas mais aprimoradas, as duas dirigentes realçam as geomembranas de polietileno de alta densidade (PEAD), diferenciando-as da concorrência pela resistência química, impermeabilização, durabilidade e uniformidade produtiva.
Nas últimas décadas, os períodos de seca no Brasil pioraram em frequência e intensidade, atesta o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas. Já o Instituto Nacional de Meteorologia constata quedas de até 30% no volume de chuvas dos anos recentes no Centro-Oeste e Nordeste. Para diminuir este flanco exposto no campo, o setor plástico se empenha em abrir caminho para geomembranas de reservatórios hídricos. O principal benefício, na voz corrente na engenharia civil e ambiental, é a eliminação da perda de água por infiltração, fator crítico em solos arenosos. Além disso, o uso da geomembrana apura o controle do nível da água, garantindo sua disponibilidade contínua, sem depender da sazonalidade das chuvas e evitando perdas por secas prolongadas ou imprevistas. Ivana e Pollyanna sublinham o potencial de expansão do negócio de geomembranas com o rigor normais ambientais e a necessidade de gestão hídrica eficiente. Nesse contexto, a Lonax se impõe com geomembranas com baixa quantidade de soldas, instalação rápida e ofertadas em larguras menores (4 metros, por exemplo) e – medida sem similar nacional no gênero – de até 8 metros. •


