Desde o fim do último super ciclo mundial de investimentos petroquímicos (1992-2021), o Brasil se firma como dependente de corpulentas importações complementares de resinas, devido a plantas com capacidade aquém da demanda e não competitivas em custos por seu elo com a nafta, matéria-prima mais cara que a rota preferencial do gás natural. Esta vulnerabilidade foi aguçada no primeiro semestre, quando o comércio exterior brasileiro dos termoplásticos trombou com a guerra tarifária, globalizada desde 2/4 por Trump, e com o mercado nacional atordoado pela inflação fora da meta, juros na lua, crédito arredio, dólar volátil e consequentes recordes de inadimplência empresarial e perda do poder aquisitivo individual. Por essas e (muitas) outras, o país acumulou de janeiro a junho último importações de 1.808.009 toneladas de resinas commodities contra 1.959.566 no mesmo período em 2024, aponta o modelar rastreio da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), conectada aos sensores do governo. Na pálida mão oposta, nossas exportações somaram 485.887 toneladas na metade inicial do ano versus 426.068 nos seis primeiros meses do exercício anterior.
Ociosidade declina em PET
Na raia dos termoplásticos estirênicos, o consenso na praça situa a capacidade nacional do poliestireno (PS) gravitando ao redor de 540.000 t/a, enquanto a do monômero é orçada em 710.000 t/a. Pois no primeiro semestre deste ano, o Brasil importou 57.423 toneladas de PS contra 59.305 nos seis meses iniciais de 2024. Quanto ao estireno, cujo maior consumidor nacional é a planta de 120.000 t/a de PS da Innova na Zona Franca, foram internadas 85.331 toneladas de janeiro a junho último, abaixo das 115.460 desembarcadas no mesmo semestre do ano passado.
Em 2024, o Brasil produziu 801.000 toneladas de PET, salto de 11, 25% sobre o saldo de 2023, pela régua da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet). O desempenho demonstra ser página virada o longo tempo em que a capacidade brasileira do poliéster, da ordem de 1 milhão de t/a, colidia com a demanda doméstica então 50-60% inferior. Sob o crivo da Abiquim, o Brasil importou discretas 88.753 toneladas da resina entre janeiro e junho último, acima das 72.925 registradas no mesmo período em 2024.
Insuficiência de PVC
Os volumes aqui desembarcados saem da discrição na raia de PVC. A capacidade nominal do Brasil é fixada em 1.010.000 t/a. Na prática, porém, o indicador se mantém bem abaixo desde 2018, quando aconteceu em Maceió (Al) o desastre geológico causado pela mineração de sal gema, hoje encerrada, insumo para alimentar a cadeia cloro-soda da Braskem, nº1 nacional do vinil. Daí os alentados volumes importados desde então de PVC, como ilustram as 326.380 toneladas trazidas no primeiro semestre, à frente das 294.513 registradas nos mesmos seis meses em 2024.
O contexto das importações no semestre inicial também escancara a já crônica incapacidade da produção doméstica para acompanhar o andar da demanda nacional de PVC, mesmo estando a conjuntura atual menos fulgurante para materiais de construção, o maior segmento do polímero. A propósito, na garupa da proximidade geográfica e das benesses do acordo bilateral com o Brasil, a Colômbia liderou, no semestre passado, o ranking das exportações de PVC para o Brasil. Única produtora local do vinil, a planta de 420.000 t/a da mexicana Orbia enviou então para cá 142.946 toneladas contra 121.866 na mesma época um ano antes. Entre os grandes consumidores da resina colombiana no Brasil figura outra controlada da Orbia, a Amanco Wavin, potência em materiais de construção. Abaixo da Colômbia, os EUA despontam como exportadores de PVC para o Brasil na primeira metade de 2025, mesmo sob o peso de antidumping há mais de 30 anos ininterruptos. No primeiro semestre, entraram 86.261 toneladas do polímero americano, algo acima do saldo de 71.112 registrado em igual período em 2024. O rol das principais origens das nossas compras externas de PVC no primeiro semestre fecha com as 40.381 toneladas despachadas pelo Egito que, entre janeiro e junho de 2024, internou aqui 25.598 toneladas da resina.
Pressão dos excedentes
Resinas mais consumidas no mundo, as poliolefinas totalizam capacidade nominal na órbita das 6 milhões de t/a no Brasil, a cargo da Braskem. Sua capacidade nominal de polipropileno (PP) é dimensionada em 1.850 milhão de t/a. Os preços internacionais competitivos pela super-oferta e rota mais acessível do gás natural, aliados à crescente carência doméstica de determinados grades contribuem para justificar as importações de 339.016 toneladas de PP no primeiro semestre, praticamente o mesmo patamar atingido pelos desembarques de 366.099 toneladas em iguais meses de 2024. No retrospecto do primeiro semestre deste ano as três principais origens das importações brasileiras de PP abrem com a Colômbia, comparecendo com 68.779 toneladas, acima das 40.857 internadas no mesmo período em 2024. Na vice-liderança vem a Arábia Saudita, com 68.578 toneladas despachadas para o Brasil entre janeiro e junho último, queda sensível diante das 102.185 toneladas colocadas no país na mesma época um ano antes. Por fim, a Argentina, cuja capacidade nominal de PP é de 310.000 t/a, remeteu para cá 48.571 toneladas na metade inicial deste ano, volume de leve superior ao de 45.419 toneladas desembarcadas aqui nos primeiros seis meses de 2024.
Na trincheira dos polietilenos (PE), a capacidade instalada da Braskem é delimitada em 3.201 milhões de t/a, sendo também pressionada pelo irremovível excedente internacional puxado por EUA e Ásia. Os tipos de PE mais importados pelo Brasil no primeiro semestre deste ano foram os copolímeros de etileno e alfa-olefina (inclusos grades lineares de PE), de densidade inferior a 0,94. De janeiro a junho último entraram no país 355.309 toneladas contra 393.036 no mesmo semestre um ano antes. A seguir, cabem as importações da resina de alta densidade (PEAD): 320.298 toneladas internadas na primeira metade do ano, abaixo do registro de 361.913 na mesma época em 2024. A relação fecha com polietileno de baixa densidade (PEBD), resina de capacidade nacional deixada há anos atrás pela demanda. No primeiro semestre, foram desembarcadas 235.499 toneladas, enquanto no mesmo período do exercício anterior chegaram 296.317 toneladas. No primeiro semestre, a tabela das maiores fontes internacionais de PE para o Brasil é encabeçada com folga pelos EUA, com 636.937 toneladas internadas versus 784.781 entre janeiro e junho de 2024. A seguir, consta a Argentina, onde a Dow monopoliza a produção de PE com capacidade nominal de 742.000 t/a e que remeteu para cá no semestre passado 114.386 toneladas contra 87.927 aferidas nos resultados do mesmo período em 2024. O rol das principais origens dessas importações se completa com o Canadá, cujos desembarques de PE na primeira metade de 2025 somaram 46.550 toneladas, saldo aquém do resultado de 75.017 computado na mesma época no exercício anterior.
Presença simbólica
Há bom tempo, dada a falta de investimentos, a petroquímica brasileira marca presença no exterior com exportações apenas por honra da firma, como exemplificam os volumes remetidos no primeiro semestre. Em PS, foram remetidas 24.894 toneladas entre janeiro e junho contra 20.250 no mesmo período em 2024. No caso do estireno, as vendas externas foram simbólicas: 125 toneladas no primeiro semestre e 25 na mesma época no ano passado.
No cercado de PET, as remessas ao exterior totalizaram 23.380 toneladas na primeira metade de 2025, abaixo das 33.048 entre janeiro e junho do exercício precedente. Em PVC, o Brasil despachou minguadas 9.139 toneladas ao exterior nos primeiros seis meses deste ano contra 8.925 na mesma época em 2024. A resina mais exportada pelo Brasil no primeiro semestre foi uma poliolefina: PEBD, com vendas externas então de 191.510 toneladas versus 153.295 em igual período um ano antes. No tocante a PEAD, foram exportadas no primeiro semestre 128.393 toneladas perante 120.453 em igual período precedente. Quanto a copolímeros de etileno e alfa-olefina, as exportações ficaram em irrisórias 916 toneladas na metade inicial de 2025 versus míseras 62 no referido semestre em 2024. Bem mais encorpadas, as exportações brasileiras de PP somaram 107 .530 toneladas nos seis meses iniciais deste ano versus 90.010 na mesma época no exercício precedente.


