
No plano geral, o temário foi cindido em quatro blocos. O primeiro versou sobre os compromissos nacionais e internacionais firmados por representações brasileiras do plástico em duas frentes. Uma delas é o apoio ao esforço mundial de aliviar a proteção ambiental ao desenvolvimento econômico. A outra é a busca, no Brasil, de maior entrosamento entre empresas de matérias-primas, recicladoras e indústrias de produtos finais de rápido consumo no sentido de reabilitar a imagem do plástico como aliado da natureza alargando o espaço para aplicações do plástico reciclado e persistindo no esforço em curso há mais de 20 anos de conscientizar a sociedade, de forma didática, a respeito das afinidades do plástico com a economia circular e da contribuição para ela advinda da prática do descarte correto de embalagens pós-consumo. O recado foi transmitido nas exposições de Fabiana Quiroga, diretora de Reciclagem e plataforma WeCycle da Braskem; Bárbara Dunin, assessora da Rede Brasil do Pacto Global e Daniela Lerario, diretora executiva da TriCiclos Brasil.
O segundo bloco de palestras focou os ajustes necessários na frota do plástico para acertar o passo com o perfil da nova geração de consumidores hiper conectados. Pelo flanco das resinas, Yuri Tomina, gerente de desenvolvimento de mercado de polietileno da Braskem, colocou à disposição dos transformadores o aparato de recursos e inteligência de mercado da companhia para desenvolvimentos em conjunto de inovações em embalagens. Do outro lado do balcão, Giovanna Fischer, diretora da consultoria Kantar Worldpanel Brasil, expôs o impacto dos últimos anos de crise na demanda de produtos de rápido consumo e as decorrentes mudanças na cesta, tickets de compras e escolha de marcas pela população.
Por seu turno, Vanessa Mathias, sócia da consultoria White Rabbit, comentou a controversa visão do plástico aos olhos dos consumidores Millenials; os valores que defendem, caso da economia compartilhada e combate à poluição ambiental e os atributos que norteiam a preferência deles na compra e a adesão desse público ao e-commerce. Na mesma trilha, o consultor e designer Celso Negrão Gonçalves debruçou-se sobre os movimentos iniciais do varejo digital no Brasil, visíveis em supermercados e em redutos como cosméticos, apontou a evolução em quinta marcha da digitalização no comércio internacional, encabeçada pela Amazon, e alertou para a inescapável influência dessa tendência na concepção de embalagens. Na esfera do Brasil, Negrão se deteve na escalada do atacarejo na preferência de uma população de poder aquisitivo enfraquecido e alertou que o crescimento deste canal do comércio físico tende a requerer das embalagens plásticas peculiaridades de exposição e manuseio inexistentes no ambiente dos supermercados.
O conceito da Indústria 4.0 foi o prato de resistência das palestras de Ricardo Prado Santos, vice-presidente da Piovan, e Fabio Cazelli Buckeridge, diretor digital da Braskem. Ambas as exposições desmistificaram a crença de que o ingresso de uma indústria transformadora na era da fábrica inteligente se resolve com o desembolso de capital em TI e robótica. Tão ou mais relevante, eles deixaram claro, é o suado esforço para amoldar ao estágio 4.0 a cultura de uma empresa de histórico preso ao nível 1.0, da automação básica do parque fabril. No desfecho, os palestrantes voltaram-se para o custo/benefício da produção inteligente, destacando conveniências como as ferramentas para a gestão mais meticulosa, o aprimoramento da mão de obra qualificada, o encurtamento do processo de desenvolvimentos e a extrema redução de tempos de ciclo e de gastos energético e logístico.
A última seção do evento correu por conta das oportunidades e desafios para a transformação desembainhados pela impressão 3D. Klaus Gargitter, CEO da Monster, fabricante nacional de filamentos para impressão, e Fabio Lamon, líder de manufatura digital da Braskem, expuseram os pré-requisitos para esse investimento, as possibilidades descortinadas na adequação de polímeros ao processamento 3D, a ausência de colisão com processos tradicionais como a injeção de resinas e o potencial para a impressão final além de ferramenta de prototipagem mais rápida, a exemplo de arcadas dentárias impressas pela Monster em prazos e precisão inatingíveis pelo trabalho manual de protéticos com gesso. •


