PE e PP: guerra no Irã abre mercados para China

Exportações chinesas ocupam espaço de petroquímicas do Oriente Médio
PE e PP: guerra no Irã abre mercados para China

Na contramão das previsões pessimistas entoadas todo início de ano por viciados em chutometria, a China caminha para fechar 2026 com salto de 4,5% no PIB, situa o FMI. O ganho demonstra, tal como ocorre desde 2022, o acerto da política incentivadora de exportações como antídoto de Pequim para o consumo interno contaminado pelo colapso imobiliário, endividamento do governo, choque demográfico e desemprego entre os jovens. Entre as poliolefinas, os termoplásticos mais consumidos no planeta, exportações chinesas na órbita maiúscula de oito milhões de toneladas indicam no que deu este ano a conjunção da intensa escalada de investimentos na capacidade instalada doméstica com a guerra no Irã desde março. O conflito erodiu a produção e vendas de petroquímicas do Oriente Médio, um espaço abocanhado pela China, com musculatura de sobra para se deleitar com a demanda deixada a descoberto na Ásia-Pacífico, Europa, Turquia, África e América Latina, reconhecem analistas.

Projeções apontam para o acréscimo este ano na faixa de 10 milhões de t/a na capacidade total de poliolefinas da China, fixada acima de 45 milhões de t/a e resultado do hercúleo esforço do país para atingir uma independência produtiva considerada estratégica por Pequim, uma conquista aliás já celebrada pelo governo em polipropileno (PP). Em relação a polietilenos (PE) na China, a mídia especializada situa para este ano em 18.3 milhões de t/a a capacidade instalada do grade linear (PEBDL), em 17.6 milhões de t/a a capacidade da resina de alta densidade (PEAD) e nas imediações de 9.4 milhões de toneladas o potencial do país para fornecer o tipo de baixa densidade (PEBD), sendo o consumo aparente local desse polímero commodity projetado em 8.92 milhões de t/a pela consultoria S&P Global.

Encarapitadas nesse aparato industrial, as exportações chinesas de pellets de PE devem acumular por volta de 3.5 – 4 milhões de toneladas no exercício corrente, dimensiona a plataforma Icis. Afinal, até julho último elas já superavam a marca de 2.05 milhões de toneladas embarcadas. De acordo com a mesma fonte, 2026 registrará na China exportações da ordem de 1.7 milhão de toneladas de PEAD, de 400-600.000 toneladas de PEBD e na crista de 1.1-1.4 milhão de toneladas de PEBDL.    No banco de dados da plataforma ICIS, a capacidade instalada de PP na China ronda 57-58 milhões de t/a este ano. A mesma consultoria coloca este potencial 120% acima do consumo aparente chinês e delimita em 75-78% o nível médio de ocupação das plantas locais da poliolefina. Em paralelo, analistas estimam na casa de 4.7 milhões de toneladas o volume adicionado este ano à capacidade chinesa de PP, cujas exportações devem alcançar ao redor de quatro milhões de toneladas no exercício corrente. 

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