Billion passa a recomendar injetoras da Engel  

Desindustrialização da Europa paira sobre a parceria das duas indústrias

Em fevereiro de 2025, Korbinian Kiesl, CEO da Billion, última palavra da França em injetoras, bradava na mídia que a procura por suas linhas standard para produtos commodities vinha esfriando enquanto fluiam os pedidos de máquinas sob medida, personalizadas para aplicações específicas, um território no qual o dirigente enaltecia a competitividade de sua marca, mais assentada na Europa, versus rivais como os chineses. Corte para 31 de agosto último: matéria no site Plastics News destaca a decisão da Billion de concentrar-se na assistência ao parque de suas injetoras já em funcionamento e de recomendar a parceira austríaca Engel para acolher as encomendas de novos equipamentos. O comunicado dessa aliança salienta que, dadas as semelhanças entre os conceitos tecnológicos dos dois fabricantes, o transformador usuário de linhas Billion pode agora, sem gastos adicionais, transpor seus moldes para novas máquinas Engel que vier a adquirir.

É estridente o silêncio do comunicado desse acordo comercial quanto aos custos impraticáveis de manufatura na Europa, a exemplo de gastos com energia e trabalhistas, hoje apontados entre os principais agentes da metástase da desindustrialização em curso no continente. Essa vulnerabilidade tem franqueado a internação na zona do euro de máquinas e resinas asiáticas (China à frente) mais acessíveis e de performance irrepreensível. A sangria desatada nos últimos anos na indústria plástica europeia, visível no fechamento de crackers e plantas de resinas e na inadimplência de vários fabricantes locais de máquinas, periga aprofundar por obra de um provisório acordo comercial que já atemoriza a petroquímica local. Firmado em 20 de maio último, o tratado bilateral isenta de tarifas as importações europeias de resinas norte-americanas, de preços imbatíveis por causa da matéria-prima, o gás natural mais barato do planeta.

O acordo estabelecido com a Engel entreabre uma literal saída à francesa da Billion do negócio de novas injetoras, seu campo desde a fundação em 1949, situa o artigo de Plastics News. A Billion passa agora a continuar a conviver com clientes que já dispunha pela via dos serviços de suporte técnico pós-venda, repassando para a Engel os eventuais pedidos de linhas 0 km colocados por esses transformadores. Não foi divulgado se a Billion receberá alguma compensação por suas indicações da Engel para o fornecimento de máquinas novas.

Apesar da sua estrutura bem mais internacionalizada, a Engel também enfrenta dificuldades em seu mercado. No ano fiscal encerrado em 31 de março último, ela informou à praça o declínio de 6% nas vendas (US$1.6 bilhão) perante o exercício anterior, este também penalizado por queda de 10% na receita precedente, assinala a matéria de Plastics News. Mas a Engel também segue investindo em tecnologia. Por montante não divulgado, ela adquiriu, em outubro de 2025, a indústria norte-americana Trexel Inc., ás no processo de espuma microcelular MuCell.

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