Na contramão da lógica imposta pelos juros exorbitantes, inadimplência e crédito seletivo, a indústria automobilística brasileira virou o primeiro semestre encantada com um impensável azul: as vendas internas somaram 1.372 milhão de autoveículos, volume 8.8% acima do saldo no mesmo período em 2025, comparou em júbilo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O movimento foi puxado pela categoria dos automóveis, cujas vendas saltaram 23.7% acima (208.000 unidades a mais) do registrado na metade inicial do ano passado. Desse incremento, 73.000 compactos se alinham ao programa de governo Carro Sustentável (zero IPI) e 130.000 são carros elétricos (60.000 importados). O contingente de veículos do exterior então comercializados aqui é estimado em 280.000 unidades. A Anfavea justifica com essas importações dominadas por marcas chinesas e com as quedas nas exportações de autos em geral e nas vendas internas de caminhões e ônibus o fato de a produção automobilística nacional não ter seguido o ritmo do mercado nacional nos seis meses iniciais de 2026. A Anfavea prevê agora que três milhões de unidades serão emplacadas até dezembro próximo.
No mundo e no Brasil a indústria automobilística engole 60-70% da demanda de plásticos de engenharia, razão da liderança no material exercida no planeta pela China, cuja montagem anual da ordem de 31.3 milhões de veículos corresponde a mais de 30% da produção global. Retomando o fio da meada doméstica, o avanço das importações brasileiras de carros e as vendas de outros bens duráveis (eletroeletrônicos, materiais de construção etc) inibidas pelos juros ajudam a explicar o discreto recuo nas internações dos principais polímeros nobres no primeiro semestre de 2026. Rastreio dos cálculos do governo pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) crava em 29.827 toneladas as importações de poliamidas (PA) 6 e 6.6 de janeiro a junho último, abaixo das 32.893 aferidas no mesmo período em 2025. No cercado dos copolímeros de acrilonitrila butadieno estireno (ABS), as internações na primeira metade deste ano somaram 47.732 toneladas perante 51.508 compiladas à mesma época no ano passado. Por fim, relata a Abiquim, as compras externas brasileiras de copolímeros de estireno-acrilonitrila (SAN) limitaram-se a 12.128 toneladas nos seis primeiros meses de 2026, em essência o mesmo platô das 1.604 toneladas descarregadas aqui no semestre inicial do ano precedente.


