Paz no Oriente Médio pode prejudicar petroquímica

Retomada da produção asiática acena com volta do excedente de resinas e queda nas margens
Paz no Oriente Médio pode prejudicar petroquímica

Assinado em 17/6 sob afoito foguetório midiático, o provisório cessar-fogo entre EUA e Irã depende, para emplacar, de 60 dias de negociação de pontiagudas cláusulas pétreas. Embora bonito na foto da economia mundial, o acordo inicial de paz desfere tiro no pé da petroquímica norte-americana. Afivelada à rota do gás natural mais barato do planeta e imune à alta do petróleo tornado escasso pela guerra, ela escapou dos prejuízos arcados desde 2022 com a superoferta de resinas e hoje se extasia com uma rentabilidade no sétimo céu, mérito da crise na produção da Ásia imposta pelo conflito no Oriente Médio. “As margens de lucro do polietileno de alta densidade (PEAD) nos EUA, baseadas no etano, permaneceram acima de US$ 1.500 por tonelada pela nona semana consecutiva, uma sequência que só foi interrompida duas vezes nos últimos 13 anos”, exemplificou artigo postado em 11/6 no site da consultoria Icis. Outro trecho emblemático: “Na semana que terminou em 5 de junho, as margens contratuais de PEAD à base de etano nos EUA foram as mais altas do mundo pela segunda semana consecutiva, superando as margens spot da China continental à base de carvão, que detinham o recorde anterior. O aumento das margens nos EUA é ainda mais notável, considerando a sua fragilidade no início do ano (nota: antes da guerra), quando elas representavam quase um terço das taxas atuais”.

O desfecho azedo de um Oriente Médio apaziguado para a petroquímica dos EUA é sinalizado pela volta à cena do excedente mundial de químicos como polímeros, na garupa da retomada da produção asiática e consequente depressão dos preços, argumenta em artigo de 18/6 Will Beecham, o editor adjunto da Icis. Outra enxaqueca: menos dependente da rota da nafta, por trilhar também as vias do carvão e gás, a China ampliou brutalmente as exportações de resinas desde o início da guerra (28/2), preenchendo a lacuna aberta pela queda na produção do Oriente Médio. Com o retorno da superoferta mundial, preços e lucratividade dos termoplásticos devem sentir a punhalada do desembarque de competitivos materiais chineses em destinos já abarrotados. “Com a perspectiva de mais oferta entrando no mercado após o acordo de paz, os clientes podem adiar compras e esvaziar estoques na esperança de que os preços caiam ainda mais”, acrescenta Beecham. Lorenzo Meazza, outro analista da Icis, projeta que a atual capacidade global de PE exceda a demanda ao redor de 26 milhões de toneladas.

O suspense se agrava com divulgados avisos de que os volumes armazenados de petróleo bruto e derivados estão se aproximando das mínimas históricas atingidas em 1990. Se os estoques caírem muito, analistas anteveem possíveis preços físicos do petróleo Brent na faixa de US$ 150-160 por barril. “Um aumento repentino no preço do petróleo provavelmente elevará as margens de lucro de PEAD nos EUA, pois os preços de venda da resina subirão, enquanto os custos da matéria-prima permanecerão estáveis ​​com base no gás natural”, conclui matéria do analista da Icis Al Greenwood.

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