PET está numa enrascada nos EUA

A fragilidade econômica e circular da resina norte-americana
PET está numa enrascada nos EUA

Mestre-sala do plástico na passarela da sustentabilidade, PET hoje amarga nos EUA uma descida ao purgatório, constata artigo de 21/5 postado no site Plasticos News. Por anos a fio, o poliéster grau garrafa se celebrizou pelo sucesso internacional de sua reciclagem mecânica, inclusive para reúso no envase de alimentos, e da coleta dos resíduos de suas embalagens. No mundo inteiro, esse show do polímero inspirou legisladores a buscar meios para acentuar sua circularidade, inclusive através da determinação do emprego de teores crescentes do material reciclado em produtos transformados, caso do decreto de logística reversa de embalagens plásticas instituído em 2025 no Brasil.

Nos últimos anos, porém, o tempo fechou para PET nos EUA, abalando a resiliência de sua cadeia doméstica até o elo da reciclagem, como demonstra a estagnação de três décadas em sua taxa de coleta, cita o artigo de Plastics News. Global player na resina, a petroquímica mexicana Alpek fechou sua unidade de reciclagem e peletização em Reading, no estado americano da Pensilvânia. Adquirido por US$ 80 milhões no pandêmico 2020, este ativo engloba capacidades de 115.000 t/a de flakes (obtidos de garrafas) e 49.000 de pellets (obtidos de flakes). Ainda nos EUA, a Alpek encerrou em setembro passado as atividades da recicladora californiana de PET rPlanet Earth, na ativa desde 2018 e com instalações orçadas em US$ 100 milhões. No cercado do poliéster virgem, a propósito, a Alpek desligou em 2023 sua fábrica de apenas 170.000 t/a em Charleston, na Carolina do Sul.

Analistas calculam que, nos últimos três anos, uma parcela de 10% da produção de PET virgem foi encerrada nos EUA, tal como ocorreu até agora com sete grandes plantas recicladoras da resina. Diante da pressão das exportações de PET virgem e reciclado da Ásia (China à frente) para o mercado norte-americano, sai pelo ralo a competitividade da resina local. A combinação de preços deprimidos e demanda volátil, incrementada desde março pela guerra no Irã, mina o estímulo a novos investimentos nos EUA, tanto em infraestrutura de reciclagem como na capacidade instalada de PET virgem. Fala por si o há anos inacabado mega complexo petroquímico em Corpus Christi, Texas, joint venture da Alpek, Indorama e Far Eastern idealizada para produzir 1.1 milhão de t/a de PET e 1.3 milhão de t/a do intermediário ácido tereftálico purificado (PTA).

Os fundamentos econômicos da cadeia americana de PET estão em xeque, evidencia a matéria de Plastics News. A Associação de Recicladores de Plástico dos EUA calcula que, até o momento, o país perdeu em torno de 25% de sua capacidade de reciclagem de PET em pouco mais de um ano, com plantas fechadas da costa leste à oeste e investimentos de peso engavetados diante da queda na rentabilidade e do fogo cerrado das acessíveis importações concorrentes, panorama enegrecido mais ainda pela disparada dos preços de PET a reboque do conflito no Oriente Médio – uma enrascada ambiental e economicamente carente de sustentabilidade e, por ora, sem solução à vista.

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