Guerra no Irã: efeitos colaterais na petroquímica da Ásia

China perde acesso ao petróleo com desconto do Irã e Venezuela
Guerra no Irã: efeitos colaterais na petroquímica da Ásia

“Não tenho certeza se o mundo compreende o impacto negativo sobre o negócio petroquímico causado pelo petróleo cru subsidiado e vendido a preços abaixo do mercado”, ponderou Marc Lashier, CEO da petroquímica norte-americana Philips 66 em conferência sobre energia realizada em 4/3 pelo banco Morgan Stanley e coberta pelo site Chemical Week. Lashier sustentou sua percepção com a dependência da China, assentada em crackers da rota nafta, em relação ao óleo bruto comprado com desconto da Rússia Venezuela e Irã. As duas últimas origens, por sinal, saíram de cena com a deposição do ditador Maduro por Trump e a guerra em curso no Oriente Médio.

O diferencial do preço privilegiado do óleo bruto que o país importa, comenta o dirigente, torna a China mais agressiva no comércio internacional de polietileno, um trunfo por sinal abalado pela deposição de Maduro por Trump e pela degola no suprimento do combustível iraniano sob a guerra em curso no Oriente Médio.

Nesse ínterim, retoma o fio o CEO da Phillips 66, refinarias e indústrias petroquímicas da Ásia (em especial, das regiões sudeste e nordeste) estão reduzindo operações, inclusive recorrendo em massa a paradas por força maior de término indefinido. Essa reação generalizada decorre das restrições no abastecimento de petróleo bruto e derivados (casos de nafta e gás natural, por exemplo) remetidos do seu maior fornecedor no gênero, os conglomerados do Oriente Médio.

Em relatório liberado para assinantes em 11/3, a consultoria Alembic Global Advisors assinalava que o setor petroquímico já caminhava para um aperto estrutural “antes dos atuais desdobramentos geopolíticos. Conforme alegou, as margens reduzidas desencadearam uma onda de fechamentos de fábricas de eteno na Europa e na Ásia. A soma desse movimento com potenciais cancelamentos de projetos, restrições de matéria-prima e interrupções de operações não rentáveis (em particular na China) pode tornar o mercado global do petroquímico básico “mais limitado do que os investidores esperam.”

A consultoria Jeffries LLC, repassa o artigo em Chemical Week, prevê em comunicado à praça que os produtores de olefinas da América do Norte aumentarão suas taxas de operação, pois os concorrentes do Oriente Médio e restante da Ásia reduzirão a produção devido a interrupções na cadeia de suprimentos enquanto a guerra no Irã prosseguir. Nessa trilha, conjetura a matéria do portal, os produtores norte-americanos de derivados de eteno pela rota do gás natural poderão deparar com a recuperação de seus lucros, hoje em níveis muito baixos, mais cedo do que o esperado.

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