Resinas: o impacto das importações dos EUA e China

Países compõem 40% dos desembarques em 2025 no Brasil
Resinas: o impacto das importações dos EUA e China

Desde o fim do último ciclo global de investimentos petroquímicos (1992-2021), a caça sôfrega a canais de desova do mega excedente de resinas, puxado pelas capacidades dos EUA e China, joga luzes sobre uma região de petroquímica deficitária e não competitiva – a América Latina, com Brasil à frente. Por sinal, o balanço de 2025 relativo a essas importações ilustra a relevância da crescente da demanda brasileira, espaço desfrutado aqui mesmo com barreiras tarifárias interpostas à internação de termoplásticos commodities, inclusos produtos de insuficiente oferta doméstica. Rastreio do governo (Secex) repassado pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), crava em 1.385.644 toneladas as importações de resinas dos EUA e em 165.187 toneladas as da China no ano passado. O total equivale a cerca de 40% das 3.7 milhões de toneladas de resinas de todas as origens então desembarcadas no Brasil.

No consenso dos olheiros do panorama global, o ímpeto das exportações norte-americanas deve seguir inalterado até o final da década, enquanto as remessas da China tendem a deslanchar à medida em que sua indústria vá cumprindo a estratégia política de conquistar plena independência produtiva em petroquímicos. No plano específico brasileiro, um gatilho para essa expansão chinesa é o encarecimento da importação de resinas da América do Norte, como polietileno (PE), determinado por medidas antidumping aprovadas por Brasília, levando importadores à consequente busca de fornecedores para tentar substituir as encomendas dos EUA e Canadá, a exemplo das petroquímicas da Ásia.

Mesmo encarecidas por medidas antidumping, as importações brasileiras de polietilenos dos EUA não negaram fogo sob na economia interna em fogo baixo no ano passado. Em polietileno de alta densidade (PEAD), os desembarques totalizaram 408.108 toneladas, pouco abaixo das 478.033 toneladas do saldo de 2024. Quanto aos tipos de baixa densidade e linear (PEBD e PEBDL), as importações emplacaram 328.061 toneladas em 2025 versus 368.497 um ano antes. Por fim, na suíte presidencial dos copolímeros de etileno e alfa-olefina as importações estadunidenses culminaram em 539.271 toneladas em 2025 perante 528.201 precedentes. Entre os materiais mais procurados neste compartimento, sobressaem PEBDL metalocênico, de produção nacional há muito atropelada pela demanda.

Em contraste – e ainda na sala de estar das poliolefinas –, as importações brasileiras de polipropileno (PP) dos EUA mantiveram low profile, decorrência da restrita capacidade da resina norte-americana, em razão do baixo teor de propano no gás natural da rota petroquímica local. Aos números: o Brasil importou em 2025 apenas 10.496 toneladas de PP dos EUA, aquém das 12.525 internadas em 2024.

No flanco dos vinílicos, o Brasil fechou 2025 com importações alentadas de PVC dos EUA. Os volumes internados mantiveram a robustez mesmo onerados por antidumping renovado há décadas, embora a produção doméstica não cubra a demanda desde 2018, quando o desastre geológico cometido pela Braskem em Alagoas baixou bem a ocupação de sua capacidade do polímero. Por essas e outras, o Brasil importou 97.347 toneladas de PVC dos EUA no ano passado, degraus abaixo das 127.668 do resultado anterior. Do lado dos volumes inexpressivos, o país trouxe dos EUA 1.405 toneladas de poliestireno (PS) e 956 de PET em 2025, enquanto as respectivas importações em 2024 foram fixadas em 1.595 toneladas de PS e 1.765 de PET.

Arrancada de PP

Monitoramento da consultoria Icis revela que as importações de PP pela China colapsaram de 6.1 milhão de toneladas em 2020 para 300.000 cinco anos depois. Na contramão, as exportações chinesas saltaram de 1.4 milhão de toneladas em 2021 para 3.1 milhões no ano passado. Nos meandros dessas mexidas, pulsa a plena autossuficiência na petroquímica perseguida com afinco anos a fio pela China e PP forma entre os primeiros rebentos dessa estratégia ditada por mandamento político de Pequim. Sob este jogo corrido, o Brasil importou 49.335 toneladas de PP chinês em 2021 e 106.944 toneladas em 2025, fixa o banco de dados da Icis. O rastreamento atestado pela Abiquim situa as importações brasileiras de PP da China em 80. 412 toneladas no último período contra 115.758 em 2024.

Por causa da logística e preços dadivosos de sua rota petroquímica (gás natural/etano), os EUA reinam com folga entre as importações de polietilenos pela América Latina. Mas esse predomínio tende a ser contestado pela China, vislumbram analistas, à medida que cumpra o objetivo de alcançar autonomia na crescente produção de PE, gerando excedente sobre a demanda interna para despejar no exterior. No balanço de 2025, o Brasil comprou da China 7.731 toneladas de PEAD, 1.256 de PEBD +PEBDL e 150 toneladas de copolímeros de etileno e alfa olefina. Em 2024, essas importações emplacaram 6.749 toneladas de PEAD; 689 de PEBD + PEBDL e 24 de copolímeros de etileno e alfa olefina.

No cercado de PVC, o Brasil desembarcou 1.073 toneladas de PVC chinês em 2025 versus 1646 em 2024. Os volumes ganham corpo em PS: importações de 39.343 toneladas no ano passado, dele acima das 31.359 do saldo anterior. Por fim, no saguão de PET, as compras brasileiras do poliéster da China acumularam 35.622 toneladas no último período, quase o dobro das 19.068 internadas em 2024.

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