Infalíveis suspeitos de costume pelo sumiço dos lucros no setor, a superoferta global e o mercado europeu à deriva convenceram a Sabic, pilar saudita em polímeros controlado pela turbo petroleira Saudi Aramco, a repassar por US$ 950 milhões a fundos privados alemães negócios considerados jóias da coroa 10 anos atrás. Por US$ 450 milhões, a operação de plásticos de engenharia na Europa e EUA foi entregue ao fundo Mutares e por US$ 500 milhões o Aequita levou os ativos poliolefinicos europeus, noticiou em 9/1 o site Plastics News.
O fundo Aequita não é estranho no ninho petroquímico. Em 2025, comprou quatro ativos europeus de olefinas e poliolefinas da LyondellBasell. Essa estrutura é agora encorpada pela transação fechada com a Sabic, envolvendo eteno, todos os tipos de polietileno (PE), polipropileno e compostos. Os materiais são providos por quatro plantas na Inglaterra, Holanda, Alemanha e Bélgica. Por sua vez, o fundo Mutares assume as rédeas dos negócios da Sabic em policarbonato (PC), polibutileno tereftalato (PBT) e grades e compostos de ABS, um portfólio originário de quatro unidades nos EUA e, com uma fábrica por país, completam o rol Espanha, Alemanha, México e Brasil (compostos em Campinas, SP). O Mutares assinala ainda ter adquirido assim a maior capacidade mundial de PC e, nos EUA, tornou-se líder na produção de ABS e o único possuidor de fábrica de PBT no país.
A venda do negócio de PC da Sabic também reflete o ocaso mundial da mídia óptica (CD e DVD). Segundo a plataforma alemã Statista, nota a propósito artigo de 9/1 em Plastics News, o consumo norte-americano de CDs rondava a marca de 1 bilhão de unidades em 2000, tendo despencado para 33 milhões em 2022. Uma queda livre impensável em 2007, quando a Sabic comprou por US$ 11.6 bilhões o negócio de PC grau óptico da GE Plastics, ornado com a icônica marca Lexan. As vendas de CDs foram ceifadas por sites de download de músicas tipo ITunes e Spotify, surgidos respectivamente em 2001 e 2006. Não escaparam da mesma sina os DVDs, cujas vendas nos EUA pairavam em US$ 15 bilhões em 2000, desabando a menos de US$ 5 bilhões já em 2010, dimensiona o data center Star Significant. No caso, os suspeitos de sempre da derrocada foram os serviços de streaming de vídeo, iniciados por Netflix em 2007 e logo seguidos por rivais tipo Amazon Prime e HBO Max.


