“Não será com defesa comercial sobre matérias-primas que vamos conseguir prosperar como indústria”
José Ricardo Roriz Coelho, ABIPLAST
De 2016 a 2019, o número de empresas transformadoras no Brasil caiu de 11.312 para 10.891. De 2020 a 2024, a quantidade subiu de 11.032 para 12.889. Como explica esses dois movimentos opostos num cenário nacional de enfraquecimento da indústria manufatureira em geral?
Esse comportamento decorre, em especial, do aumento do número de pequenos negócios abertos para produção de artefatos plásticos. Tratam-se de empresas pequenas que manufaturam peças simples e, por conta da classificação econômica, são reconhecidas como empresas transformadoras de plástico.
Vale salientar que o processo de industrialização tem a ver com a participação delas no PIB. Este movimento de unidades pode implicar desmembramentos e abertura de pequenos negócios, conforme fortemente observado no nosso setor.
Fonte: Perfil Abiplast 2025
No plano geral, considera que as 1.587 empresas surgidas entre 2020 e 2024 sejam de novos entrantes na transformação ou de transformadores na ativa que constituíram novas razões sociais?
De 2016 a 2023 o número de empregos na transformação subiu de 305.725 para 363.368. Como conciliar este aumento com o empenho do setor em reduzir a intervenção humana nos processos mediante automação? E daqui por diante, com a inteligência artificial nas máquinas, o quadro de pessoal na produção de transformados caminha para encolher?
Qual era, em janeiro, sua projeção para o desempenho da sua empresa em 2025 versus 2024, qual é esta mesma previsão hoje em dia e quais as razões para eventuais mudanças nessas suas estimativas?
Em 2024, as exportações brasileiras de transformados (292.080 toneladas) ficaram no patamar de 2020. Como o Brasil pode crescer nesse comércio internacional se o seu eteno custa o triplo da referência mundial (EUA e Ásia)? Isso também explica a eterna liderança da Argentina, à sombra do Mercosul, como maior cliente externo dos transformados brasileiros?
Fonte: Perfil Abiplast 2025
A China já responde por 1/3 da produção mundial das resinas. Continua a investir na expansão das capacidades em busca de autossuficiência. Em meio ao excedente global, ela quer substituir plantas defasadas por outras de classe mundial e, para contornar a erosão das margens de lucro, a nova diretriz de Pequim é incrementar a exportação de artefatos plásticos. Em 2024, a China liderou com folga as exportações de transformados para o Brasil. Essa dianteira deve engrossar com a nova política de comércio exterior? E quais os segmentos da transformação brasileira mais ameaçados por essas importações rivais?
1 Pergunta
para Roberta Fantinati
diretora administrativa e comercial da componedora Termocolor
Qual era, em janeiro, sua projeção para o desempenho da sua empresa em 2025 versus 2024, qual é esta mesma previsão hoje em dia e quais as razões para eventuais mudanças nessas suas estimativas?
“Em janeiro, a Termocolor projetava crescimento aproximado de 17% no volume de vendas para 2025, em relação a 2024. A previsão baseava-se na estabilidade da demanda observada em 2023 e no aumento de 6% na capacidade produtiva registrado no primeiro semestre de 2024 – fatores que indicavam um cenário promissor de expansão, sustentado pela fidelização de clientes e pela eficiência operacional. Ao longo do ano, porém, o contexto econômico apresentou mudanças relevantes. O início de 2025 foi marcado por um ambiente desafiador, impulsionado pela alta do dólar, pela implementação de políticas antidumping que afetaram matérias-primas essenciais nas formulações da empresa e por um cenário macroeconômico mundial conturbado.
Entre os fatores externos, destacam-se: oscilações de mercado, que impactaram a previsibilidade da demanda, em especial no segundo semestre; incertezas econômicas e políticas, que afetaram a confiança e o ritmo de compra de alguns segmentos de clientes; aumento nos custos de insumos e logística, exigindo ajustes operacionais e comerciais para preservação da competitividade.
Todas essas condições levaram à revisão da projeção inicial. A expectativa atual da Termocolor aponta para crescimento mais moderado, em torno de 2% em relação a 2024. Ainda assim, a empresa mantém sua trajetória de crescimento sustentável, apoiada em estratégias de expansão para novos segmentos, aumento de market share e uma carteira contendo um punhado de clientes que estão conosco há mais de 40 anos ininterruptos”.
Em janeiro de 2024, o governo instituiu a política industrial Nova Indústria Brasil (NIB), vitaminada com financiamento público. Qual o montante já destinado à indústria transformadora de plástico?
No levantamento de 2024 da Abiplast, das 15 principais origens de importações brasileiras de transformados sete são da Ásia, correspondendo a cerca de 70% das 971.080 toneladas então desembarcadas. Quais os principais tipos específicos de transformados flexíveis e rígidos exportados da Ásia para o Brasil em 2024?
Fonte: Perfil Abiplast 2025
Quais os efeitos práticos causados na cadeia plástica nacional pelas barreiras tarifárias impostas pelo Brasil sobre os volumes importados de PP, PE e PVC em 2024?
1 Pergunta
Para Sílvio Davi Pires
diretor comercial da fabricante de extrusoras Rulli Standard
Qual era, em janeiro, sua projeção para o desempenho da sua empresa em 2025 versus 2024, qual é esta mesma previsão hoje em dia e quais as razões para eventuais mudanças nessas suas estimativas?
O crescimento da transformação brasileira de PVC e poliolefinas deve se apoiar daqui para a frente primordialmente nas importações, sob pressão do excedente global e da falta de competitividade econômica da petroquímica nacional? Essa dependência externa prejudica ou não as novas decisões de investimentos?
Não queremos a dependência externa, pois o melhor para a indústria é ter fornecimento competitivo no mercado interno e agregar valor à produção aqui. O que defendemos é que haja investimento na expansão da capacidade doméstica e que esse produto seja competitivo para podermos enfrentar a concorrência internacional. Para tanto, existem estratégias como desenvolver fontes alternativas de matérias-primas, aumentar o uso da rota do gás natural para a petroquímica, entre outros modelos que devem ser pensados e estruturados como plano de desenvolvimento da cadeia plástica.
Por que a produção brasileira de transformados em 2024 – 7.46 milhões de toneladas – foi recorde no histórico desde 2016 e com qual grau de ocupação da capacidade instalada o setor operou no ano passado? Como avalia este nível de ocupação?
O nível médio de utilização este ano da capacidade instalada do setor de artefatos plásticos está em 69%. No ano passado o índice médio estava em 68%, sem grandes excedentes. É um percentual que podemos considerar adequado e mostra que ainda há fôlego na transformação para assegurar crescimento de produção sem pressionar a necessidade de grandes investimentos.
Como já estamos no último trimestre do ano, qual a sua atual projeção do desempenho da transformação em 2025 versus 2024, qual era esta mesma previsão no início do ano e quais as razões das eventuais mudanças nessas suas estimativas?
Estimamos que o ano termine com um crescimento de 2% frente ao resultado de 2024, um resultado que mostra uma redução no dinamismo de crescimento desse setor frente aos resultados dos anos anteriores. De forma geral, a demanda da indústria veio mostrando ao longo de 2025 sinais de estagnação e isso se refletiu no desempenho do setor de transformação de plástico. Desde o início do ano, já se refletiam em nossas sondagens que 2025 seria um exercício de menor crescimento. As últimas enquetes do empresariado demonstram uma visão um pouco otimista para estes últimos meses do ano, o que nos faz manter essa estimativa de fechamento ao redor de 2%. •


