Só o discurso é lindo

Na vida real, a indústria da reciclagem é tratada com indiferença

Silva: recicladores vistos como lixeiros. Embora endeusada nos palanques verdes, o setor de reciclagem de plásticos trafega com cores bem menos charmosas em seu dia a dia, seja por razões inerentes à própria indústria, caso da presença de paraquedistas despreocupados com a excelência na produção, e por motivos notados fora dela, como a carga tributária e a instabilidade no fluxo de suprimento da matéria-prima a ser recuperada. Sem papas na língua, bem ao seu estilo, Paulo Francisco da Silva, diretor comercial da recicladora Neuplast e sumidade no ramo, descasca o abacaxi da realidade do setor nesta entrevista. PR – Como o poder público enxerga a indústria recicladora? Silva – A reciclagem vem sofrendo ataque do governo em todas as esferas- federal, estadual ou municipal –, na forma de negativas de desoneração de folha, a não concessão de ICMS subsidiado pelo governo de São Paulo, pela não implantação das coletas seletivas previstas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e não cumpridas pelas prefeituras e, pior ainda, com a anuência do governo federal que prorroga ao máximo essa situação e já lá se vão mais de quatro anos da promulgação da lei. Fala-se muito de atitudes e posicionamento ambientalmente corretos, a chamada onda verde, com lindos eventos em Brasília, na frente parlamentar e por aí vai. Na prática, os chamados agentes ambientais que somos nós, os recicladores, temos de suportar o tratamento dispensado a “lixeiros”, do tipo assim: “precisamos de vocês para retirarem nossos descartes mal cheirosos, mas não os queremos

 

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