Resinas: EUA lideram importações brasileiras no 1º semestre

Escalada nos embarques de polietilenos garantiu a dianteira ao país
EUA lideram importações brasileiras no 1º semestre

A abençoada linha de passe entre logística, matéria-prima (gás natural) a custo imbatível e polietileno (PE) de sobra mimoseou a petroquímica dos EUA com a fatia do leão nas importações brasileiras de resinas commodities no primeiro semestre. No total desembarcado de 1.808.009 toneladas, a indústria americana compareceu com 728.289, constata cruzamento de dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) respaldado em escrutínio do comércio exterior pelo governo.

A proeminência dos EUA se confirma nas internações de poliolefinas, os termoplásticos de maior produção e consumo mundiais. Na raia de polietileno de alta densidade (PEAD), foram importadas pelo Brasil de janeiro a junho 216.852 toneladas da resina americana contra 270.200 na mesma época em 2024. Quanto a polietileno de baixa densidade (PEBD), resina de produção nacional insuficiente, os EUA exportaram para cá 159.189 toneladas na primeira metade de 2025, aquém das 208. 469 desembarcadas no referido período do ano passado. Os maiores volumes de polímeros trazidos dos EUA foram os de copolímeros de etileno e alfa-olefina. No primeiro semestre, entraram aqui 260.897 toneladas versus 306.111 toneladas arroladas nos primeiros seis meses de 2024. Ainda na seara das poliolefinas, o Brasil comprou dos EUA 5.090 toneladas de PP entre janeiro e junho, sem destoar muito das 7.341 adquiridas no mesmo período um ano antes. Pela voz corrente na praça, a merreca dessas importações resulta da limitada capacidade da resina nos EUA acrescida da vigência de sobretaxa tarifária aplicada pelo Brasil.
Decretado em maio último, o salto de 8,2% para 43,7% na tarifa antidumping para importações brasileiras de PVC dos EUA ajuda a explicar a esqualidez dos desembarques do vinil americano na primeira metade do ano. Foram internadas então apenas 86.261 toneladas versus 71.112 nos seis meses iniciais de 2024.

Low profile chinês

Nos pedidos de mais protecionismo e subsídios volta e meia bradados pelo setor químico brasileiro ao governo, a China é pintada como a encarnação da concorrência desleal, praticante de preços predatórios para os produtos nacionais. Se a imagem soa bem na retórica, sua confirmação na vida real é posta em dúvida pela mirrada participação chinesa nas importações brasileiras de resinas commodities na primeira metade do ano.

O rastreio da Abiquim informa que, no primeiro semestre, as importações brasileiras de PVC da China, nº 1 global no vinil, foram uma mixaria: 573 toneladas versus ínfimas 1.186 no igual período em 2024. Em PP, o Brasil adquiriu da China 44.057 toneladas entre janeiro e junho último versus 68.762 na mesma época um ano antes. No compartimento de PEs, foram internadas aqui reles 3.458 toneladas de PEAD chinês na primeira metade de 2025 contra 2.856 no referido período no exercício anterior. A pequenez dos volumes prossegue no nicho de PEBD: o Brasil importou da China 595 toneladas nos seis meses iniciais deste ano, acima da simbólicas 157 desembarcadas entre janeiro e junho de 2024. Para provar de vez a miudeza dessas remessas: no primeiro semestre entraram aqui apenas 11 toneladas de copolímeros de etileno e alfa-olefina chineses, degrau abaixo das também insignificantes 24 toneladas registradas nos mesmos seis meses um ano antes.

Balanço da Argentina

No primeiro semestre deste segundo ano do mandato do arquiliberal Javier Milei, a Argentina importou do Brasil 115.126 toneladas de resinas commodities. Em contrapartida, exportou 191.815 ao parceiro vizinho, atesta varredura da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

No plano geral, as mudanças arrojadas na legislação e cortes de gastos públicos contundentes implantados pelo presidente não se fizeram sentir a fundo, por ora, no perfil das exportações brasileiras de termoplásticos para a Argentina, sob a égide do Mercosul tão contestada por Milei. Em PP, as importações argentinas da resina da Braskem somaram 26.759 toneladas entre janeiro e junho último contra 19.627 no mesmo período em 2024. No nicho de PET, a Argentina comprou no primeiro semestre do Brasil 12.580 toneladas, de leve acima das 11.759 internadas na primeira metade do ano passado. Quanto a PVC, a Argentina importou do Brasil 4.050 toneladas no semestre inicial de 2025 perante 2.420 no igual período no exercício anterior. Em PS, foram desembarcadas na Argentina 7.977 toneladas do polímero brasileiro no primeiro semestre, à frente das minguadas 1.157 toneladas internadas nos seis meses iniciais de 2024. No flanco de PEs do Brasil produzidos pela Braskem, a Argentina internou no primeiro semestre 24.180 toneladas de PEAD versus 17.533 no mesmo período no exercício precedente. Em PEBD, zarparam do Brasil para a Argentina 38.686 toneladas entre janeiro e junho passado, acima das 29.562 computadas na metade inicial de 2024. Quanto a copolímeros de etileno e alfa-olefina, o Brasil remeteu no primeiro semestre para a Argentina módicas 894 toneladas perante apenas 45 no mesmo período do exercício anterior.

Na mão oposta desse comércio exterior, o Brasil importou da Argentina 48.571 toneladas de PP no primeiro semestre, mesmo patamar das 45.419 internadas entre janeiro a junho de 2024. Em PET, vieram da Argentina para cá na primeira metade do ano 4.092 toneladas, acima do saldo de 2.353 registrado no mesmo período no exercício precedente. Na ala de PVC, produzido na Argentina em planta de 240.000 t/a da Unipar, foram trazidas ao Brasil 24.223 toneladas do vinil, de leve acima das 26.904 importadas no referido período em 2024. No front de PS, o Brasil adquiriu da Argentina 542 toneladas entre janeiro e junho último e apenas 18 no mesmo semestre um ano antes. O desfecho desses indicadores é dado pelo balanço de PE, poliolefina produzida na Argentina no complexo de 742.000 t/a da Dow em Bahia Blanca. Em termos de PEAD, o Brasil importou da Argentina 31.799 toneladas no primeiro semestre versus 30.893 em igual período em 2024. Na raia de PEBD, foram internadas aqui 23.723 toneladas da commodity argentina no primeiro semestre perante 21.178 nos mesmos seis meses no ano passado. No compartimento dos copolímeros de etileno e alfa-olefina, desembarcaram no mercado brasileiro 58.865 toneladas do termoplástico argentino, corpos á frente das 35.856 toneladas internadas no mencionado semestre em 2024.

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