Carro elétrico eleva potência dos plásticos de engenharia

Exigências inéditas e dianteira da China pilotam o maior mercado das resinas avançadas

Os números esbanjam alta voltagem. As vendas mundiais de veículos eletrificados (elétricos e híbridos), projeta a publicação Quatro Rodas, devem fechar 2026 com 23 milhões de unidades entregues contra 20.3 milhões em 2025. O saldo equivale a cerca de 30% das vendas de carros novos no mercado internacional, este liderado pela China com 12.9 milhões de eletrificados comercializados em 2025. No Brasil, eletrificados mobilizaram 16% das vendas de carros de passeio no primeiro semestre e, no mesmo período no ano passado, o indicador cravava 8.7%, registra a entidade ICCT Brasil. Tem mais: rastreio da Associação Brasileira do Veículo Elétrico situa em 1.003.310 veículos da categoria vendidos de janeiro de 2012 a julho último. Detalhe: a parcela do segundo meio milhão foi colocada em 14 meses. A empresa Bright Consulting confia que a frota brasileira de eletrificados totalize em 2026 cerca de 1.4 milhão de unidades, quantidade ampliada para 1.7 milhão no decorrer de 2027.

Mas por trás desses resultados exuberantes, a terra treme no reduto global dos plásticos de engenharia. Afinal, o mercado automotivo é a menina dos olhos desses materiais, graças à multidão de peças técnicas do motor a combustão e sem lugar na configuração do motor elétrico. O impacto dessa perda de mercado, novos requisitos técnicos e oportunidades de aplicações e perspectivas para a sobrevida dos produtores mundiais de polímeros nobres são palmilhados nesta entrevista por Flávio da Silva, CEO da consultoria OHXIDE.

“O carro elétrico não exterminará o mercado de plásticos de engenharia tradicionais. Mas encerra a era do crescimento fácil, baseado em volume para peças sob o capô”

Flávio Silva, OHXIDE Consultoria

Flavio Silva da OHXIDE Consultoria

O que deve acontecer aos fabricantes de plásticos de engenharia quando em seu maior cliente mundial, a indústria automobilística, os carros de motor a combustão cederem a liderança na produção e vendas aos elétricos (EVs), que utilizam bem menos esses materiais?

Antes de entrar na discussão direta sobre o que deve acontecer com os produtores dos tradicionais plásticos de engenharia, é importante entender dois pontos-chave:

  1. Como vem transcorrendo o crescimento na produção e venda globais de EVs?
  2. Quais aplicações ou partes dos EVs demandarão novas resinas?

A explicação do primeiro quesito abre com a análise das vendas de automóveis em geral versus EVs nas principais regiões do mundo, detalhadas a seguir:

EUA

  • Venda total de veículos consolida recuperação pós-pandemia     (~16,0 milhões de unidades em 2024 e ~16,2 milhões em 2025).
  • Margem das montadoras e concessionárias segue sob pressão de custos operacionais e incentivos de venda.
  • Mudanças na política federal (transição de governo) reduzem incentivos diretos aos EVs, reestimulando o foco de investimento das montadoras em veículos a combustão (ICE) e híbridos;
  • Crescimento das vendas de EVs puros desacelera, com os consumidores americanos migrando em forte preferência para veículos híbridos (HEVs/PHEVs). Penetração de EVs 100% elétricos no total de vendas de autos permanece na faixa de 7% a 8%.
  • De 2020 até 2025, a taxa de crescimento médio anual (CAGR) nas vendas de EVs foi de ~45%, desacelerando fortemente no período 2024–2025.
Veiculos vendidos nos EUA 2018–2025

Fontes: Cox Automotive / Kelley Blue Book (KBB) | EIA (U.S. Energy Information Administration) & Argonne National Laboratory

EUA: preferência dos consumidores migra para veículos híbridos.

EUA: preferência dos consumidores migra para veículos híbridos.

Europa

  • Venda de veículos segue em patamar inferior aos níveis pré-pandemia, com o crescimento estrutural sustentado pelos eletrificados (EVs e Híbridos).
  • Pressão regulatória severa (metas de redução de CO2 da UE) força as montadoras a enfatizar a oferta dos veículos eletrificados, apesar da retração de subsídios diretos em países-chave como Alemanha.
  • Híbridos (HEVs e PHEVs) disparam na preferência do consumidor europeu, superando 43% de participação de mercado.
  • Disparidades regionais acentuadas: países do Norte e Oeste (Noruega, Alemanha, França) lideram a eletrificação, enquanto os do Sul e Leste mantêm forte apelo por híbridos e veículos de menor custo.
  • De 2020 até 2025, a taxa de crescimento médio anual (CAGR) nas vendas dos veículos eletrificados na Europa permaneceu expressiva (~25% a 28%); movimento de carros a combustão encolhe consistentemente.
Vendas de veiculos na Europa

Fonte: ACEA (European Automobile Manufacturers' Association)

Europa: eletrificados à frente das vendas de carros ainda abaixo dos anos pré-pandemia

Europa: eletrificados à frente das vendas de carros ainda abaixo dos anos pré-pandemia

China

  • Venda de veículos elétricos cresceu 25% em 2024 e 29,5% em 2025.
  • Superou 50% de penetração mensal nas vendas de novos veículos em meados de 2024 e 2025 (ultrapassando carros a combustão no mercado interno).
  • Aceleração na eletrificação total da frota e expansão das exportações de EVs (+90% em 2025).
  • Consumidores chineses mantêm forte preferência por EVs e modelos “low-carbon”, impulsionados por subsídios locais e forte sensibilidade a preço.
  • Governo chinês mantém expansão acelerada da infraestrutura de carregamento rápido para EVs.
  • *De 2020 a 2025, a taxa de crescimento médio anual dos veículos elétricos superou 60%.
Vendas de veiculos na China 2018–2025

Fonte: CAAM (China Association of Automobile Manufacturers) | CPCA (China Passenger Car Association)

03 China

China: liderança global nas vendas de EVs que saltaram 55% no último biênio.

Qual a tendência percebida nesse cenário mundial?

Fica claro que o aumento do número de carros elétricos é grande, principalmente na China (e Ásia) e Europa. Essa tendência de crescimento deva permanecer, mas com percentual ano a ano menor.

E como esse quadro influi nas aplicações de resinas em carros elétricos?

No plano geral, polipropileno (PP) é a resina mais consumida em automóveis. Entre os plásticos de engenharia, destacam-se poliamidas (PA), copolímero de acrilonitrila-butadieno-estireno (ABS) e policarbonato (PC).

Numa alteração no modelo de produção de carros à combustão para o de elétricos, o motor é a área de maior ruptura técnica e substituição de resinas. No entanto, carroceria, faróis e o interior também passam por adaptações impulsionadas por novas demandas de leveza, aerodinâmica e eficiência térmica.

No motor a combustão, o ambiente exige resinas para suportar altas temperaturas (120 °C a 200 °C) e contato direto com óleos de cárter, combustível e fluidos de exaustão. São tradicionais os usos de grades de PA 6 e 6.6 com fibra de vidro em aplicações tipo coletores de admissão e tampas de cabeçote e de polibutileno tereftalato (PBT) e poliacetal (POM) em componentes como bombas de combustível e válvulas.

No EV, a locomoção fica a cargo do pack de baterias, inversor e motor elétrico. Por este sistema, plásticos resistentes a combustível/óleo sintético perdem espaço para compostos focados em retardamento de chama, isolamento elétrico de alta voltagem (400V–800V+) e resistência à hidrólise (para refrigeração líquida com água/glicol). As resinas dominantes nesse ambiente incluem poliftalamida (PPA), polisssulfeto de fenileno (PPS), PBT aditivado, PC/ABS antichama, e poliamidas especiais, como PA 6 12 e PA 12.

Na carroceria e estrutura do EV, vem à tona o dilema do peso: as baterias adicionam entre 400 kg e 700 kg ao veículo. Para compensar esse peso extra e garantir autonomia de rodagem (km por carga), os plásticos entram em cena na substituição de aço/alumínio. Carroceria e chassi exigem, assim, um uso muito maior de compósitos de altíssimo desempenho (como organosheets / fitas unidirecionais baseadas em PA 6, PPA ou PEEK reforçadas com fibra de carbono ou de vidro contínua). Já na armação de assentos e fechamentos, compostos de alta rigidez específica têm sido homologados para peças estruturais internas e painéis de fechamento que, em carros com motor à combustão, são manufaturados com estampados metálicos ou resinas convencionais. O advento dos EVS também muda radicalmente o design e papel funcional de faróis e demais componentes do sistema de iluminação. Por exemplo, frentes oclusas e grade iluminada. Como o EV não precisa de grade frontal aberta para radiador, a frente do carro virou um painel contínuo de iluminação e comunicação visual (LEDs integrados). Isso implica novas exigências para resinas. É o caso de PC, que permanece o rei das lentes pela transparência e resistência ao impacto, mas agora se exige para o polímero graus de altíssima fluidez e resistência ao amarelamento UV para moldar peças gigantescas e curvas que cobrem toda a frente do carro elétrico.

Outro diferencial refere-se à transparência em sensores (LiDAR e Radar): em EVs, lentes e capas frontais requisitam graus específicos de PC e PBT que permitam a passagem limpa de ondas de radar e feixes de laser do LiDAR sem atenuação de sinal, algo inexistente nos faróis tradicionais.

Motor elétrico: novas soluções com requisitos impensáveis para o tradicional sistema automotivo de combustão interna.

Motor elétrico: novas soluções com requisitos impensáveis para o tradicional sistema automotivo de combustão interna.

Essas mudanças configuram um horizonte animador para fabricantes de plásticos de engenharia ditos convencionais?

Estratégias de adequação de mix de produção, revisão e ajustes nas capacidades operacionais, P&D e fusões e aquisições de negócios já constam, obviamente, da pauta dessas indústrias. Estamos falando de empresas com cultura de desenvolvimento de processo e produto desde os seus primórdios. BASF, DuPont, Solvay formam entre os precursores da petroquímica e das resinas commodities. Para fabricantes deste naipe o desafio já começou e a virada para o veículo elétrico não exterminará o mercado de plásticos de engenharia mais tradicionais. Mas encerra a era do crescimento fácil baseado em volume para peças no compartimento sob o capô. Essas indústrias enfrentarão uma queda na demanda por toneladas de polímeros automotivos convencionais. Porém, mudarão para um nicho de expansão de margens nos segmentos de alta voltagem, retardância a chamas e gestão térmica de baterias. Terão maior sucesso as empresas que dominarem a formulação de compostos avançados e souberem migrar do fornecimento de resinas e plásticos de engenharia para o fornecimento de soluções para sistemas elétricos e térmicos inteligentes.

Por que os EUA, com toda sua cadeia petroquímica e poderio digital e automotivo, não atraem investimentos em resinas de engenharia tal como ocorre na China?

De fato, esta é uma questão que intriga muita gente. Precisamos olhar os dois lados –, do custo e do consumo dos plásticos de engenharia.

O circuito produtivo dos principais plásticos de engenharia revela que nenhum deles, praticamente, provém da cadeia do eteno. O que isso significa? Simples: a vantagem competitiva dos EUA não se traduz em vantagem de custo para estes produtos. PA se origina do benzeno, PC, do benzeno + propeno, PBT e PPA do paraxileno, POM vem do metanol. Então, deste rol de polímeros, apenas POM poderia ter alguma vantagem de custo ao utilizar o gás natural mais barato dos EUA. Por sua vez, a Ásia, possuidora da maior concentração de crackers de nafta do mundo, detém vantagem natural no suprimento da cadeia de matérias-primas intermediárias para plásticos de engenharia, produzindo as correntes de aromáticos (benzeno, tolueno, paraxileno).

Do lado do consumo, os plásticos técnicos obedecem a uma lógica e logística diferente de polímeros commodities, exportados com facilidade via contêineres em grânulos obtidos de altas escalas. A resina de engenharia é, invariavelmente, customizada ou beneficiada e convertida (transformada) localmente.

A China não é apenas o maior produtor de veículos do mundo. Também detém a hegemonia da montagem de eletrônicos de consumo, equipamentos de energia solar/eólica e linha branca. Nos EUA, embora as indústrias automotiva e de defesa sejam fortes, houve nas últimas décadas o esvaziamento de setores de manufatura leve e eletroeletrônicos de consumo, “terceirizando” essa produção para a Ásia. Sem o cliente final ao lado para absorver o volume físico diário, cai bastante a viabilidade da construção de unidades de resinas de engenharia no país.

Outro fator importante na análise é o custo e produtividade de novos investimentos. A construção de unidades de plásticos de engenharia requer aportes bilionários em dólar e alta complexidade técnica, a exemplo de instalações integradas de PC a partir do cumeno/bisfenol-A, ou plantas de PA atreladas a cadeias de adiponitrila. A China constrói plantas petroquímicas em tempos recordes (18 a 24 meses, em geral) a custos por tonelada instalada sensivelmente abaixo da média ocidental. O suporte estatal local (linhas de crédito subsidiadas e simplificação ambiental) reduz drasticamente o risco do investimento. Já nos EUA, processos de licenciamento ambiental e a judicialização de licenças aumentam a incerteza e arrastam anos a fio a implementação de novos projetos, encarecendo a taxa interna de retorno deles.

Frontal de EVs: novas oportunidades para injeção de grandes peças de PC.

Frontal de EVs: novas oportunidades para injeção de grandes peças de PC.

Nos últimos anos, fundos privados têm dominado a aquisição de fabricantes ocidentais de plásticos de engenharia. Qual a explicação para o distanciamento dessas transações demonstrado por indústrias químicas /petroquímicas?

Trabalhei muitos anos em M&A (fusões & aquisições) na petroquímica e vem daí minha visão de que esta tendência passa por dois pontos principais. Primeiro deles: na Europa e EUA unidades de plásticos de engenharia têm sofrido bastante com perda de margens e dificuldade de competir com marcas asiáticas Daí porque empresas como BASF, DuPont e DSM tenham começado a ver este segmento como mau negócio, mesmo com margens ainda melhores que as resinas commodities, e assim começam a fomentar estudos de desinvestimentos para estas operações.

Segundo ponto: quem compraria? Petroquímicas centradas em commodities não são as favoritas, até porque o modelo estratégico de negócio é diferente. Relaciono algumas razões a seguir.

Modelo

Petroquímica

Plásticos de Engenharia & Compostos

Foco Operacional

Alta escala, eficiência de ativos, continuidade operacional e custo unitário.

Customização, flexibilidade de lote, P&D de formulação e serviço técnico local.

Comercial

B2B Spot ou contratos de longo prazo balizados por índices (margens/spreads).

Venda consultiva (spec-in), longa aprovação em montadoras/OEMs .

Portfólio de Produção

Dezenas de grades padrão (ex.: PE, PP, PVC base).

Milhares de SKUs (código para identificar e diferenciar variações de um produto) com aditivações específicas (fibra de vidro, retardantes de chama, cromo).

Como interpreta esse comparativo entre os dois negócios?

Não faz sentido para petroquímicas atuar diretamente neste modelo. Com isso, entram em cena os fundos privados. Seu foco é reestruturar a operação e reduzir seus custos para depois vender o ativo a outra empresa.

Estes fundos focam nas mudanças de:

  1. Margem e Preço – Os fundos conseguem cortar custos corporativos herdados das antigas matrizes químicas. Também renegociam contratos de preços focando em valor percebido pelo cliente final e não apenas no custo do polímero base.
  2. Plataformas de Consolidação – O fundo privado utiliza uma empresa comprada como plataforma para adquirir outros formuladores menores. Ganha assim escala em nichos como EVs, dispositivos médicos e eletrônicos.
  3. Horizonte de Investimento de Curto/Médio Prazo – O fundo opera com ciclo definido (5 a 7 anos, em geral) para capturar sinergias com rapidez, desalavancar a dívida da aquisição através da forte geração de caixa do negócio e vender o ativo consolidado a um múltiplo superior de EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).

 Ou seja, o distanciamento das petroquímicas nas aquisições de plásticos de engenharia reflete um reposicionamento estratégico: preferem concentrar capital na escala de insumos básicos, na transição energética e na reciclagem em massa. Com isso, os fundos privados assumiram o protagonismo porque possuem o perfil financeiro e a agilidade operacional necessários para agregar empresas fragmentadas, racionalizar a estrutura de custos de unidades separadas de grandes conglomerados e extrair valor de margens em nichos técnicos de alta complexidade.

Fundos privados: interesse na compra de indústrias de plásticos de engenharia para reestruturar e revender os ativos.

Fundos privados: interesse na compra de indústrias de plásticos de engenharia para reestruturar e revender os ativos.

China já lidera a capacidade e comércio global de plásticos de engenharia. Como vê a possibilidade, a curto prazo, de companhias chinesas adquirirem múltis europeias desses materiais?

Bem, muito do que respondi na última pergunta ajuda nesta resposta. Com base nisso e no atual cenário marcado por barreira geopolítica e regulatória na Europa, acho baixa a probabilidade de companhias chinesas realizarem aquisições envolvendo múltis europeias de plásticos de engenharia. Embora as empresas da China possuam capacidade financeira e interesse estratégico em absorver o know-how de formulação ocidental, a questão regulatória combinada com a preferência chinesa por investimentos greenfield (construção de plantas próprias) ou parcerias pontuais torna pouco prováveis transações desse tipo.

A China continuará dominando o mercado global através da sua escala de produção doméstica, vantagem em custos de matérias-primas e avanço do compounding (beneficiamento de materiais) local. Por sua vez, a Europa continuará a erguer barreiras regulatórias e protecionistas para impedir a perda do controle acionário de seu patrimônio tecnológico químico.

Data centers e IA: consumo intenso de compostos de maior valor agregado não abala supremacia da demanda do setor automotivo.

Data centers e IA: consumo intenso de compostos de maior valor agregado não abala supremacia da demanda do setor automotivo.

Aplicações de plásticos de engenharia na infraestrutura para data centers e IA podem substituir, a médio prazo, a demanda do setor automotivo mundial, rumo ao declínio com a supremacia dos carros elétricos?

Não. A escala física de peças produzidas para 85+ milhões de veículos por ano gera uma demanda global enorme. O cenário para os fabricantes de plásticos de engenharia será o de uma “recomposição” da carteira de venda – o setor automotivo prosseguirá a âncora (garantindo a ocupação de capacidade das plantas de polimerização base, mesmo com redução já comentada na 1ª pergunta) e o setor de data centers e IA funcionará feito fronteira de margem e inovação, proporcionando maiores spreads econômicos por quilo vendido e absorvendo compostos de maior valor agregado.

Nos data centers de IA, a densidade energética aumentou drasticamente (saltando de 10-15 kW para 40-100+ kW por rack). Isso impõe as seguintes exigências termoelétricas sem precedentes para polímeros:

  • Sistemas de Refrigeração Líquida – Com a migração do ar para o resfriamento líquido, os conectores, tubulações, coletores e engates rápidos cobram polímeros com estrita estabilidade dimensional. Resinas como PPS, PPA, poliéter-éter- cetona (PEEK)  e fluoropolímeros (PTFE/PFA) ganham destaque.
  • Gerenciamento Térmico e Conectores de Alta Frequência – Conectores de sinais e barramentos de energia em servidores de IA operam sob temperaturas extremas contínuas. As aplicações são preenchidas por compostos de PBT, polímeros de cristal líquido (LCP) e PA 9T/4T com retardantes de chama UL 94 V-0 sem halogênio e baixíssima perda dielétrica.
  • Fios e Cabos de Alta Velocidade – O isolamento de cabos de transmissão de dados ultra rápidos e fibra óptica exige polímeros fluorados e compostos para os mercados elétrico e eletrônico que ofereçam resistência à propagação de sinal com atenuamento insignificante.

Data Centers e IA trarão uma mudança do perfil de “Volume” para “Super-Especialidade”. Em suma, obrigarão o desenvolvimento de mais polímeros para acessar a demanda com maior complexidade técnica e, com isso, melhores margens nos preços praticados para essa nova leva de plásticos de engenharia.

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