Pesquisa de Opinião

Hoje em dia, trabalhar com estoque alto parado de resina significa custo recorrente ou precaução contra a instabilidade da economia e do mercado?
Wagner Catrasta

Wagner Catrasta

Vice-presidente comercial da componedora Macroplast

“Manter estoque alto é precaução hoje justificada, desde que gerenciada e com teto, gatilho e custo medidos”

Eu enxergo o tema da pergunta não como uma dicotomia, mas como um trade-off entre dois custos que precisam ser comparados e geridos: o custo de carregar estoque e o custo esperado da falta de matéria-prima. No cenário atual, a precaução se justifica, desde que seja gerenciada, com teto, gatilho e custo medidos. Estoque parado imobiliza capital e, se o mercado cair, o estoque comprado caro desvaloriza na hora.

Estamos num ambiente de instabilidade real, com a guerra no Oriente Médio elevando o petróleo em mais de 40%, reajustes de resinas de até 70-80% acumulados e a crise da Braskem (nota: em recuperação extrajudicial) ameaçando a oferta doméstica. Nesse cenário, o custo da falta de resina, parada de produção, perda de margem, multa contratual, cliente perdido, etc. é muito maior que o custo de carregar o estoque. O estoque vira, então, hedge físico e elemento do poder de barganha do transformador ou componedor com o cliente.

Aqui na Macroplast, minha empresa, a estratégia tem, sido dimensionar o estoque de segurança pela volatilidade real de lead time e demanda em cenários base, estresse e otimista. Com um teto de dias de cobertura e gatilho de redução quando o cenário normalizar. Sendo assim, estoque alto de resina hoje é, para nós, mais precaução do que custo.

Maurício Silvério, diretor executivo da Cyan Tintas e Vernizes.

Maurício Silvério

Diretor executivo da Cyan Tintas e Vernizes

“O propósito de manter estoque não é segurar preços, mas aumentar a segurança do nosso fornecimento aos clientes”

Numa situação normal de mercado, estoque representa custo. Mas, em momentos de crise, de interrupções na cadeia de suprimentos e aumentos provocados por questões geopolíticas, ele passa a ter também um papel estratégico.

Na minha empresa, a Cyan, a preocupação com segurança de abastecimento não começou com a guerra atual. Antes dela, a empresa já mantinha uma estrutura preparada para trabalhar com estoques maiores de matérias-primas, inclusa uma área de 4.000 m para armazenagem.

O cenário deste ano reforçou a importância dessa estratégia. A propósito, nossa dependência de importações é bastante elevada. Hoje, praticamente 80% das matérias-primas utilizadas na produção brasileira de tintas de impressão são asiáticas. Isso deixa nosso setor exposto a questões geopolíticas, interrupções de rotas marítimas, oscilações de frete e outros fatores que afetam a cadeia internacional de suprimentos. Essa dependência constitui uma das razões pelas quais a empresa trabalha, historicamente, com uma estrutura de estoque capaz de oferecer maior segurança de abastecimento. Em paralelo, nossa área denominada Pesquisa e Desenvolvimento de Novas Matérias-Primas e a cadeia de suprimentos vêm buscando alternativas de abastecimento em mercados fora do território abrangido pela guerra. O objetivo é ampliar as possibilidades de compra e diminuir a exposição da empresa a uma única região fornecedora.

O propósito de manter estoque não é segurar preços, pois ele não elimina os efeitos das oscilações do mercado. A principal função é garantir maior segurança no fornecimento e, assim, reduzir o risco de interrupção no atendimento aos clientes.

Portanto, temos movimentado os estoques conforme chegam as novas cargas de matérias-primas e seguimos trabalhando com um sistema de custo médio. A título de referência, eu calculo que, de janeiro ao final de agosto, os aumentos nos preços médios dos insumos que utilizamos ficaram na ordem de 30% a 40%. Os materiais mais impactados foram os solventes derivados da cadeia petroquímica e alguns pigmentos cujas formulações contêm ingredientes também destinados a fins bélicos.

O foco no sistema de custo médio nos permitiu administrar de forma gradativa os impactos das altas nos insumos, sem realizar repasses integrais de uma única vez. Em determinados momentos, inclusive, absorvemos parte desses aumentos nas nossas margens. Para deixar patente a relevância desse método que adotamos, eu projeto na ordem atual de 30% a 40% o aumento no custo das matérias-primas para a manutenção do estoque. Em seu trabalho com custo médio, a Cyan tem realizado os repasses à medida em que o estoque vai se movimentando. Não houve um repasse integral desses aumentos de uma única vez, pois essa postura faz parte da política de relacionamento da empresa com os clientes.

Por tudo isso e a dependência de uma cadeia internacional sujeita a interrupções e oscilações cada vez mais frequentes, o estoque continua tendo para nós um custo financeiro. Mas também deve ser analisado pelo seu valor estratégico para a continuidade do abastecimento.

A atual instabilidade de suprimento e demanda nos levou a revisar as expectativas deste ano para o mercado de tintas de impressão de embalagens plásticas flexíveis. Em janeiro, a Cyan confiava em crescimento da ordem de 5% a 6% superior ao PIB, impulsionado também por questões internas da empresa, como a abertura de novas praças e o aumento do volume colocado no exterior, em especial na América Latina. Para o mercado interno, a expectativa era crescer de 1% a 2% acima da inflação.

Com o início da guerra, percebemos um pico de consumo provocado pelo receio de possível escassez. Mais adiante, como as matérias-primas dos clientes retornaram rapidamente a um patamar de preço semelhante ao anterior ao conflito no Oriente Médio, o mercado passou a andar de lado, consumindo os estoques que haviam sido adquiridos. Para este último semestre, nossa expectativa é de um consumo aproximadamente 15% superior ao dos seis meses iniciais, em particular por questões de sazonalidade. Esse movimento tende a equilibrar parcialmente o desempenho irregular registrado na primeira metade do ano. Ainda assim, considerando o cenário geral de 2026, a expectativa é de crescimento entre 1% e 2% acima do PIB, o que, na prática, representa um mercado muito próximo da estabilidade, com pouco avanço real no ano.

Entre os segmentos de embalagens flexíveis impressas mais afetados este ano pela desaceleração e instabilidade da economia, eu destaco sacarias e big bags para movimentação de cargas e sementes do agronegócio, decorrência em especial da taxa de juros elevada e da limitação de crédito. Outro segmento impactado é o de pet food e de alimentos que não são de necessidade básica, como cookies e snacks, produtos cujo consumo em regra sobe quando há sobra de recursos no orçamento das famílias. O mercado de descartáveis, de atuação muito ligada ao varejo, também foi atingido pela crise que o setor de flexíveis vem enfrentando.

Felipe Toledo, diretor executivo da Camargo Embalagens

Felipe Toledo

Diretor executivo da Camargo Embalagens

“A gestão está nesse ponto: achar o volume que segura a instabilidade de entrega sem comer o caixa”

Ainda carregamos, hoje em dia, um certo estoque de segurança de materiais específicos. Mas isso custa. Com a Selic em 14% ao ano, resina e filme parado são dinheiro parado, mais armazenagem, seguro e movimentação. Custo recorrente, sem discussão.

A falta de produto saiu da discussão. O material existe, mas o problema é a garantia da data de entrega.

A logística não se resolveu. O Estreito de Ormuz completou seis meses fechado no fim de agosto, com o tráfego de navios cerca de 85% abaixo do período pré-guerra. As rotas mudaram, o trânsito alongou, frete e seguro subiram. A resina existe, mas nem sempre chega no dia combinado.

Então, acho necessário um pulmão. 

A gestão está nesse ponto: achar o volume que segura a instabilidade de entrega sem comer o caixa. Estoque demais é financiar o problema do fornecedor com dinheiro que a operação precisa. Estoque de menos é deixar o resultado do ano na mão de uma programação que hoje não se cumpre sozinha. Não existe decisão fácil e sem custo neste tema.

Mas o produto mais caro continua sendo o que não chega.

Carlos Fadigas, CEO da consultoria CF Partners

Carlos Fadigas

CEO da consultoria CF Partners

“Um estoque mantido por 3 meses pode tornar-se entre 4,5% e 6% mais caro apenas em razão do custo financeiro”

Trabalhar com estoques elevados de produtos transformados e, principalmente, de resinas oferece, sim, alguma proteção contra a recente volatilidade dos preços. Essa estratégia permite ao transformador evitar a compra de matéria-prima nos momentos mais agudos de alta, em especial diante da dificuldade de repassar integralmente o aumento dos custos aos preços dos produtos transformados. Esse problema é relevante, em particular, para quem vende ao varejo, cujas margens também se encontram bastante pressionadas.

Para adotar esta estratégia, entretanto, a empresa precisa, em primeiro lugar, dispor de capital suficiente para adquirir e imobilizar um volume maior de estoque. Além disso, é fundamental considerar o custo desse capital, sobretudo num momento no qual o Brasil apresenta o maior juro real dos últimos 20 anos.

Dependendo da estrutura de capital da empresa, o custo financeiro de manutenção do estoque pode chegar a algo entre 1,5% e 2% ao mês. Isso significa que um estoque mantido por três meses pode tornar-se entre 4,5% e 6% mais caro apenas em razão do custo financeiro. Trata-se de um impacto extremamente relevante quando comparado às margens EBITDA de alguns segmentos da transformação.

Em resumo, manter estoques mais elevados constitui uma proteção importante no atual cenário de volatilidade, mas é uma proteção extremamente cara em razão do nível das taxas de juros. Cabe a cada transformador calcular esse custo e avaliar se a proteção proporcionada pelo estoque adicional justifica o capital investido.

José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico

José Ricardo Roriz Coelho

Presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast)

“A percepção de que poderia faltar material, de peso muito grande na formação dos estoques e preços no início da guerra, perdeu força”

Uma das causas dos choques extremos de preços observados a partir de março foi justamente uma corrida por estoques preventivos diante do receio de falta de material disponível por conta da guerra no Irã, envolvendo insumos, matérias-primas e produtos acabados.

Hoje, esse movimento já se reverteu em boa medida. Os preços recuaram bastante em relação aos picos observados no início do conflito, embora ainda estejam, de maneira geral, acima dos níveis do período pré-guerra.

O cenário atual, no entanto, ainda tem algumas pressões de custo importantes, em particular relacionadas ao petróleo, matérias-primas petroquímicas, fretes e eventuais restrições logísticas ou pontuais de oferta. Afinal, a incerteza em relação ao conflito ainda existe e pode voltar a afetar esses mercados.

Por outro lado, os indicadores conjunturais apontam para uma demanda global ainda fraca e, até o momento, não houve um comprometimento relevante da capacidade global de produção de resinas. Ou seja, aquela percepção de que poderia faltar material, de peso muito grande na formação dos estoques e preços no início da guerra, perdeu força.

Então, acho que hoje a questão dos estoques passa muito mais por esse equilíbrio. Estoque parado tem custo, imobiliza capital e precisa ser considerado dentro da realidade de cada empresa. Ao mesmo tempo, algum nível de estoque naturalmente faz parte da segurança operacional, principalmente em um ambiente que ainda tem volatilidade. O que mudou é que o risco de desabastecimento deixou de ser o principal fator do mercado, enquanto demanda, oferta e custos voltaram a ter um peso maior na formação dos preços.

Alcides Guerreiro Torres, fundador e diretor do grupo Greco e Guerreiro

Alcides Guerreiro Torres

Fundador e diretor do grupo Greco e Guerreiro

“Procuramos ter segurança de abastecimento sem transformar o estoque numa posição especulativa”

Trabalhar com estoque alto e, principalmente, com resina parada, representa hoje mais uma ameaça à competitividade do que uma proteção contra a instabilidade do mercado.

Olhando para o cenário internacional, observamos uma situação de sobreoferta nos mercados de resinas, com capacidade produtiva acima do crescimento da demanda. Acredito que esse desequilíbrio tende a manter os preços sob pressão e ajuda a explicar as perspectivas de um mercado mais estável em 2027, conforme as projeções da consultoria ICIS.

Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro e as decisões recentes de política comercial podem alterar bastante a relação entre o preço internacional e o custo da resina importada. A manutenção das alíquotas de importação para determinados tipos de resinas é um exemplo disso. No mês passado, inclusive, a Camex renovou por 12 meses a alíquota de 20% para seis tipos de polietileno (PE) e polipropileno (PP).

Por isso, entendo que formar estoque muito elevado neste momento seria uma estratégia ousada. Existe, sim, um componente de segurança no estoque, principalmente para garantir o atendimento aos clientes e evitar exposição a eventuais rupturas de fornecimento. Mas, para nós, essa segurança precisa ser equilibrada com o custo financeiro e com o risco de carregar uma matéria-prima que pode perder valor.

A estratégia do meu grupo é administrar os estoques da melhor maneira possível, trabalhando com parceiros confiáveis, contratos bem estruturados e planejamento de compras. Procuramos ter segurança de abastecimento sem transformar o estoque numa posição especulativa.

Isso é ainda mais importante porque sabemos que a dinâmica de repasse de preços não é simétrica. Quando a resina sobe, o repasse para o cliente costuma ser mais lento e difícil. Quando a resina cai, a pressão dos clientes por redução de preços é praticamente imediata. Portanto, carregar um estoque muito alto pode comprometer margem e competitividade.

No fim, acho que o melhor caminho hoje é ter estoque suficiente para garantir a operação e o nível de serviço, mas evitar excessos. Num cenário de oferta global elevada e decisões importantes na política de importação brasileira, flexibilidade de compra e capacidade de reação me parecem mais importantes do que simplesmente ter muito material parado no estoque.

Luiz Abreu, diretor de operações da Master Polymers

Luiz Abreu

Diretor de operações da Master Polymers

“Minha empresa procura balancear capital de giro adequado com pronto atendimento das demandas de mercado”

Num mundo dinâmico, com variações de preços e disponibilidade constantes, ambas estratégias aventadas na pergunta funcionam, a depender, principalmente, dos produtos com os quais estamos lidando.

No caso de commodities, como polipropileno (PP) ou polietileno (PE), a estratégia de estoque passa pela oportunidade de adquirir o material ao menor custo possível. Nesse caso, ter um estoque adicional pode levar a oportunidades de vendas futuras e melhoria de margens. Para isso, o mais importante é o timing da compra. Mesmo com o estoque parado, caso ele tenha um custo atrativo, o momento certo da aquisição pode ter reflexos positivos para a operação. 

No caso de produtos de alta performance e resinas especiais, o mais importante é o atendimento das demandas exigentes do mercado. Porém, deve-se ter cautela com possíveis rupturas de compra pelos clientes no case de phase-out de projetos. Com compras regulares de material de parceiros estratégicos internacionais, a manutenção do estoque em níveis saudáveis torna-se uma fortaleza para a evolução dos negócios.

Com o retorno mínimo de investimento hoje exigido, o balanço entre a aversão ao risco de capital de giro maior e o atendimento de oportunidades de negócios é o fator que ditará o nível de estoque adequado à operação de uma empresa. 

Nesse contexto, a Master Polymers, minha empresa, procura balancear capital de giro adequado com pronto atendimento das demandas de mercado. É o resultado de uma política de estoque que privilegia a parceria com os clientes suportada pela reposição eficiente dos fornecedores.

Irineu Bueno Barbosa Junior, CEO da recicladora Cirklo

Irineu Bueno Barbosa Junior

CEO da recicladora Cirklo

“Na reciclagem de PET, uma redução excessiva dos estoques pode transformar a economia financeira em custo operacional muito maior”

O estoque de resina deve ser, hoje em dia, analisado sob duas perspectivas que, muitas vezes, são conflitantes: o custo financeiro de carregar estoques elevados e a necessidade de garantir segurança de abastecimento e continuidade operacional.

No cenário brasileiro atual, em que o custo de capital e as taxas de financiamento permanecem elevados, manter um estoque excessivo representa um custo relevante. Capital imobilizado em matéria-prima ou produto acabado deixa de estar disponível para outras necessidades da empresa e, quando financiado, gera despesas financeiras que podem comprometer significativamente a margem do negócio. Além disso, estoques elevados trazem custos de armazenagem, movimentação, seguros, controles e, eventualmente, perdas de qualidade ou obsolescência.

Por essa perspectiva, trabalhar com estoques baixos apresenta vantagens importantes: reduz a necessidade de capital de giro, diminui o endividamento, melhora o fluxo de caixa e aumenta a eficiência do capital empregado. Num ambiente de juros elevados, esses benefícios tornam-se ainda mais relevantes.

Entretanto, no mercado de reciclagem de garrafas PET, campo específico da minha empresa, a análise não pode ser exclusivamente financeira. Existe uma sazonalidade importante na geração, coleta e disponibilidade de garrafas pós-consumo, assim como oscilações de preços e momentos de maior ou menor oferta de matéria-prima. Por essa razão, um determinado nível de estoque regulador é necessário para proteger a operação.

Um estoque mais elevado pode funcionar como uma espécie de seguro operacional. Reduz o risco de interrupção da produção, da falta de matéria-prima, permite absorver oscilações sazonais da cadeia de coleta e oferece maior segurança no atendimento a clientes. Também pode proporcionar proteção contra aumentos repentinos de preços ou dificuldades temporárias de abastecimento.

No sentido oposto, trabalhar com estoque muito baixo aumenta a dependência da disponibilidade imediata dos fornecedores. Essa estratégia funciona melhor quando existe uma cadeia de suprimentos previsível, diversificada e com tempos de entrega curtos. No mercado de reciclagem, entretanto, nem sempre essas condições estão presentes. Uma redução excessiva dos estoques pode transformar a economia financeira em custo operacional muito maior, caso provoque redução da produção, compras emergenciais a preços elevados ou, principalmente, dificuldade para atender os clientes.

Portanto, não acredito que a discussão deva ser simplesmente entre estoque alto ou baixo. O objetivo deve ser encontrar o estoque economicamente ótimo para cada operação.

Em conclusão, estoque não deve ser visto apenas como custo nem simplesmente como proteção. É ferramenta de gestão de risco. Em ambiente de juros elevados, todo excesso de estoque deve ser questionado. Porém, numa cadeia sazonal como a da reciclagem de PET, eliminar o estoque regulador pode gerar um risco operacional superior à economia financeira obtida.

Assim, cada empresa deve dimensionar seu estoque ideal a partir da sua necessidade real de material, da previsibilidade de consumo e, principalmente, do tempo e da confiabilidade de resposta de seus fornecedores. O melhor estoque não é necessariamente o menor possível, mas aquele que oferece o equilíbrio mais eficiente entre capital de giro, custo financeiro e segurança de abastecimento.

José Augusto Viveiro, gerente comercial-commodities da distribuidora Mais Polímeros

José Augusto Viveiro

Gerente comercial-commodities da distribuidora Mais Polímeros

“O estoque regulador de matéria-prima permitirá ao transformador trabalhar com o custo médio, pois combinará o custo real com o de reposição”

Certamente, essa pesquisa contém a pergunta de US$1 milhão.

No mundo das commodities (e não apenas dos termoplásticos), a gestão de estoque é uma das principais ferramentas de uma empresa. Afinal, nela estão a operação da fábrica e a manutenção do negócio em patamares saudáveis de rentabilidade e produtividade.

Operar com estoque muito próximo do giro mensal deixará a indústria transformadora em situação de vulnerabilidade, caso tenhamos algum fator exógeno (como furacão, conflitos bélicos, greve etc.) que impacte de maneira significativa a oferta de resina. Em vários desses momentos, vimos variações importantes dos preços. Não ter estoque de segurança, portanto, tirará a empresa do jogo, pois perderá competitividade frente a concorrentes mais estruturados e credibilidade perante seu cliente.

O estoque regulador de matéria-prima permitirá ao transformador trabalhar sempre com o custo médio, pois combinará o custo real com o custo de reposição, preparando assim sua empresa para o que está por vir. A vertente do custo de reposição permitirá a ele preparar sua tabela e seu caixa para posteriores movimentos de aumento. Desconsiderar esses movimentos (de aumento do custo) poderá trazer uma consequência significativa para o fluxo de caixa, comprometendo a operação futura.

Em tempos de incertezas (como o que estamos vivenciando), talvez o ideal seja buscar a melhor equação entre o fornecimento de resinas nacional e importada. Neste contexto, a distribuição oficial oferece uma gama de soluções que permite a manutenção do fluxo de entrega e o fracionamento da quantidade, diminuindo, desse modo, o impacto no capital de giro do transformador.

O patamar do preço deixa de ser, portanto, a variável mais importante. Para uma fábrica, afinal, sai mais caro ficar sem produto.

Patrick Gulli, diretor comercial para a América do Sul da transformadora Alpla

Patrick Gulli

Diretor comercial para a América do Sul da transformadora Alpla

“A melhor estratégia é trabalhar com níveis equilibrados de estoque e contratos robustos de fornecimento, priorizando fornecedores locais para a maior parte do consumo”

Hoje em dia, trabalhar com estoques muito altos de resina representa mais um risco financeiro do que uma proteção. Claro que o estoque ajuda a garantir abastecimento em momentos de crise e pode até gerar alguma vantagem competitiva, mas a volatilidade de preços e de demanda pode transformar rapidamente esse excesso em prejuízo. É algo que estamos vendo acontecer com distribuidores e transformadores no mercado.

A melhor estratégia é trabalhar com níveis equilibrados de estoque e, principalmente, com contratos robustos de fornecimento, priorizando fornecedores locais para a maior parte do consumo. Isso traz mais previsibilidade e segurança de abastecimento sem deixar a empresa excessivamente exposta ao capital parado e oscilações de mercado

Ivana Pontes, presidente da transformadora Lonax

Ivana Pontes

Presidente da transformadora Lonax

“Nossa estratégia é trabalhar com um estoque de segurança que preserve a continuidade da produção sem comprometer o capital de giro”

No atual cenário de mercado, entendemos que trabalhar com estoques altos em excesso não é necessariamente uma estratégia de proteção. Estoque parado representa capital imobilizado, custo financeiro e maior exposição às oscilações de preços.

Por outro lado, o mercado de resinas plásticas continua sujeito a fortes variáveis externas, como câmbio, petróleo, questões geopolíticas e logística internacional. Soma-se a isto, no cenário doméstico, a incerteza natural de um período eleitoral. Ela pode aumentar a volatilidade do câmbio e influenciar expectativas sobre juros, política econômica e ritmo da atividade industrial.

Nesse ambiente, consideramos igualmente arriscado operar com estoques excessivos ou demasiadamente reduzidos. Nossa estratégia é trabalhar com um estoque de segurança bem dimensionado, que preserve a continuidade da produção sem comprometer, desnecessariamente, o capital de giro”.

Mais do que simplesmente formar estoques, entendemos que o diferencial está na leitura constante do mercado, na diversificação das fontes de fornecimento e na capacidade de antecipar movimentos quando surgem sinais concretos de pressão sobre preços ou disponibilidade.

Em um cenário de tantas variáveis econômicas, políticas e geopolíticas, estoque deixou de ser apenas uma questão operacional e passou a ser uma importante ferramenta de gestão de risco e capital.

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