China: escalada das exportações de PEAD

Capacidade instalada da resina cresceu cerca de 80% em 7 anos
China escalada das exportações de PEAD

O bloqueio do Estreito de Ormuz vem tendo o efeito colateral de catapultar as exportações de resinas em que a China já conquistou ou anda prestes a conquistar a autossuficiência produtiva. O exemplo mais vistoso é polipropileno (PP) e, por sinal, o Brasil figura entre os 10 principais destinos do excedente do polímero embarcado. Mas a fila anda e, nesse sentido, o próximo destaque em poliolefinas promete ser polietileno de alta densidade (PEAD). Colhidos pelo banco de dados da consultoria Icis, os números falam por si: no retrospecto a partir de 2019, o pandêmico exercício de 2020 se distingue pelo recorde de nove milhões de toneladas nas importações chinesas de PEAD. Corte para hoje: o saldo dos mesmos desembarques entre janeiro e maio último converge para a previsão de apenas 1.2 milhão de toneladas do material internadas na China durante este ano. Na mão oposta, segundo a mesma fonte, as exportações chinesas de PEAD somavam 100.000 toneladas em 2020 e a projeção para este ano, com base nos volumes remetidos nos cinco primeiros meses, ronda a casa de 1.8 milhão de toneladas.

Nos pratos dessa balança comercial da China, constam como pesos a demanda doméstica enfraquecida desde 2022, o procurado domínio do mercado internacional de bens intermediários e finais e a torrente de investimentos na busca de independência produtiva em segmentos considerados estratégicos, como químicos e petroquímicos. No âmbito de PEAD, esta política industrial instituída pelo governo de Pequim transparece do aumento aproximado de 80% na capacidade nominal chinesa aferido desde 2029 e ela deve virar este ano na casa de 17.6 milhões de t/a, das quais 87% cabem ao mercado interno, atribui a consultoria Icis. Além das plantas atualizadas em escala, tecnologia e custos, pesa na proeminência mundial hoje desfrutada pela China na petroquímica a sua variedade de rotas de matérias-primas (nafta, gás, carvão, etano etc), tornando a indústria menos dependente do petróleo que o país importa de origens como Oriente Médio e Rússia.

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