O agravamento e término incerto do conflito no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz desencadeiam um nefasto efeito dominó para a petroquímica mundial: um rompimento nos fluxos de comércio de químicos, plásticos e petróleo/gás, uma redução drástica na disponibilidade que, por tabela, encarece matérias-primas, transporte e preços internacionais. No epicentro desse pandemônio, os crackers da Ásia mostram-se particularmente vulneráveis pela aguda dependência de nafta petroquímica remetida pelo modal marítimo do Oriente Médio. A situação chegou ao extremo de a corporação indonésia Chandra Asri Pacific e o conglomerado sul- coreano Yeochun NCC (YNCC) atirarem a toalha no ringue ao declarar à praça, no início de março, paradas por força maior, A medida radical foi justificada com as interrupções e atrasos nas entregas programadas de nafta, em razão do bloqueio do Estreito de Ormuz e do endurecimento da guerra EUA-Irã.
Em seu complexo integrado, a Chandra Asri Pacific opera um cracker a vapor base nafta em condições de fornecer 900.000 t/a de eteno e 490.000 de propeno. Na raia das resinas, conta com plantas de 610.000 t/a de polietileno linear de baixa densidade (PEBDL), de 145.000 do grade alta densidade (PEAD) e uma unidade de 590.000 t/a de polipropileno, atesta a consultoria Icis.
No balanço do exercício de 2024, o grupo YNCC anotou vendas da ordem de US$4.7 bilhões. Em petroquímicos básicos, a companhia lista capacidades como 2.285 milhões de t/a de eteno, 1.289 milhão de propeno, 457.000 de benzeno e 378.000 t/a de butadieno. No saguão das poliolefinas, o YNCC exibe potencial para gerar 180.000 t/a de PEAD, 457.000 do grade de baixa densidade (PEBD), 425.000 de PEBDL, 530.000 do tipo linear metalocênico (PEBDLm) e 730.000 t/a de PP. Entre os intermediários, o mix do conglomerado alinha 1.691 milhão de t/a de dicloroetano, 814.000 de cloreto de vinila (MVC) e 351.000 t/a de estireno.


