Coreia do Sul: refinaria prepara partida de super cracker

Investimento de U$ 7 bi da S-OIL, unidade de craqueamento vai gerar 1.8 M de t/a de eteno
Coreia do Sul: refinaria prepara partida de super cracker

A Coreia do Sul envereda por uma conduta à primeira contraditória em seu intento de erradicar o vermelho do balanço da petroquímica doméstica. De braço dado com o empresariado, o governo de Seul apregoou em maio passado o programa de desinflar a capacidade da indústria e dar-lhe respaldo financeiro, para livrar sua rentabilidade da forca onde foi pendurada pela superoferta interna e o excedente asiático de eteno e derivados. Corte para hoje: a refinaria sul coreana S-OIL, cujo acionista majoritário é a petroleira saudita Aramco, confirma para o quarto trimestre a partida da fábrica Shaheen em Ulsan, centro industrial na costa sudeste do país, noticiam fontes como o site Chemical Week. Trata-se de um mega cracker a vapor com potencial para gerar 1.8 milhão de t/a de eteno; 770.000 de propeno; 200.000 de butadieno e 280.000 t/a de benzeno.

Anunciado em março de 2023, com a superoferta mundial de resinas comendo solta, a fábrica Shaheen mobiliza investimento da ordem de US$ 7 bilhões. O aporte de recursos é considerado o mais vultoso já despejado na petroquímica sul-coreana e, por enquanto, a maior dinheirama aplicada no país por um empreendedor estrangeiro (Aramco) . Entre os pontos altos do complexo, cuja produção alimentará plantas locais downstream, constam reatores de hidrocraqueamento, adeptos de tecnologia que converte diretamente o petróleo cru em insumos petroquímicos como nafta, eteno e propeno. Por meio desse processo, cognominado Thermal Crude to Chemicals, a taxa de conversão do óleo cru em petroquímicos pode chegar a 70% e os custos de produção podem despencar em torno de 70%, atesta o site koreanjoongangdaily.

Tal como ocorre hoje na União Europeia, o governo sul-coreano decidiu passar de indutor de investimentos a ambulatório das companhias petroquímicas locais, em razão dos balanços delas relegados ao fundo do poço pelos excedentes internacionais de eteno e derivados. Foi acertado com a iniciativa privada um plano de cortar em até 25% a capacidade sul-coreana de complexos de craqueamento de nafta, correspondente a um volume entre 2.5 milhões e 3.7 milhões de t/a. Um porta-voz da refinaria S-OIL defendeu na mídia que a fábrica Shaheen em nada desafina da estratégia de racionalização de capacidade do setor. De acordo com o dirigente da refinaria, a iniciativa oficial visa incrementar a eficiência e competividade da petroquímica da Coreia do Sul e, conforme salientou, não há no país instalação de produtividade equiparável à da Shaheeen. Além disso, completou, o novo cracker vai prover fábricas de resinas, em operação nos municípios de Ulsan e Onsan, de petroquímicos básicos hoje importados por elas, reduzindo assim custos e prazos da logística de suprimento.

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