Resinas: mercado comedido pauta comércio Brasil-Argentina em 2025

Indústria brasileira importou 427.000 t e exportou 218.000 ao maior parceiro no Mercosul
Resinas: mercado comedido pauta comércio Brasil-Argentina em 2025

Em outubro de 2023, na reta das eleições presidenciais da Argentina, o ultraliberal Javier Milei, estranho no ninho de uma política populista falida há décadas, arengava no palanque suas posições pró-mercado. Por sinalizar aumento na oferta de materiais importados, dada a estagnação da produção doméstica, o discurso embutia exigência de maior competência internacional à petroquímica argentina e, óbvio, fazia a transformação de plástico esfregar as mãos. O balanço comedido mas consistente do comércio de resinas Brasil-Argentina em 2025 traz indícios de uma página importante sendo virada no país vizinho. No consenso dos observadores e torcedores, a abertura da economia defendida por Milei e suas medidas eficazes de controle de inflação e do déficit público já permitem vislumbrar o almejado cenário em que o mercado interno vai desabrochar e as matérias-primas, já acessíveis, serão mais abundantes e novas capacidades instaladas serão possíveis na petroquímica local, à sombra dos investimentos que começam a espocar em petróleo e gás natural das reservas argentinas de xisto.

No saguão das poliolefinas, as exportações brasileiras para a Argentina em gradual reerguimento emplacaram 53.685 toneladas em 2025 versus 49.861 em 2024, indica rastreio do governo brasileiro (Secex) repassado pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). Por seu turno, o país remeteu 47.465 toneladas de polietileno de alta densidade (PEAD) ao mercado argentino no asno passado, poucos corpos à frente das 40.391 precedentes. Na suíte dos polietilenos de baixa densidade e linear (PEBD e PEBDL), os embarques brasileiros para a maior economia vizinha somaram 74.087 toneladas no último período contra 65.409 em 2024. No fecho do cercado poliolefínico, as exportações brasileiras de copolímeros de etileno e alfa-olefina permaneceram pró-forma: meras 897 toneladas em 2025 e 348 em 2024, indicadores que traduzem a atual capacidade insuficiente no país de grades de PEBDL providos por catalisadores metalocenos, por exemplo.

Exportações limitadas de PVC

A escassez também transparece da produção brasileira de PVC. Sua capacidade nominal é estimada em 1.030 milhão de t/a. No entanto, a capacidade real se desmilinguiu devido à catástrofe geológica em Alagoas em 2018, efeito da mineração descuidada (hoje encerrada) do insumo sal gema pela Braskem, maior produtora do polímero vinílico no país. Com o fim do acesso ao sal gema local e por ter, em decorrência, passado a importar dos EUA dicloroetano, intermediário para PVC, a Braskem há oito anos opera seu parque da resina com ocupação a desejar, cedendo assim espaço no mercado interno às importações e degolando suas vendas externas do vinil. Por seu turno, a capacidade de 300.000 t/a não permite a Unipar, a outra produtora de PVC no país, voos mais altos no comércio exterior. O envio do vinil brasileiro à Argentina comprova todas essas limitações. Aos números: em 2025 o Brasil exportou ao maior parceiro no Mercosul meras 7.447 toneladas de PVC para a Argentina e meras 5.724 no exercício anterior.

Pelo flanco de poliestireno (PS), os volumes embarcados também seguem discretos, embora ascendentes: em 2024, o Brasil mandou à Argentina 4.821 toneladas do polímero (1.695 do tipo expansível/EPS) e, no ano passado, despachou 16.156 toneladas (2.330 de EPS). Por fim, no quiosque dos poliésteres, as exportações brasileiras de PET para transformadores argentinos fecharam 2025 em 18.780 toneladas, bem abaixo das 34.464 do saldo anterior. No cômputo geral das resinas brasileiras internadas na Argentina, PET foi a única acusar declínio no último escrutínio.

Dianteira de PP argentino

PP manteve em 2025 o cetro da resina argentina mais importada pelo Brasil sob consumo interno em fogo brando. Foram 100.806 toneladas desembarcadas e 99.490 em 2024. Ainda no cercado das poliolefinas, o Brasil recebeu da Argentina no ano passado 77.312 toneladas de PEAD, de leve acima das 74.923 anteriores. Em PEBD + PEBDL, foram desembarcadas aqui 52.813 toneladas vindas do país vizinho em 2025 contra 50.860 no exercício precedente. Por fim, no compartimento dos copolímeros de etileno e alfa olefina vieram da Argentina para cá 136.874 toneladas em 2025, bem acima das 83.167 registradas em 2024.

Das demais resinas commodities, a mais importada da Argentina pelo Brasil foi PVC – 46.706 toneladas em 2025 versus 65.092 um ano antes. PET vem a seguir, com 12.570 toneladas desembarcadas aqui perante 5.461 anteriores. A relação fecha com irrisórias importações brasileiras de 572 toneladas de PS argentino no último exercício versus 18 toneladas internadas em 2024.

Petroquímica defasada

Os volumes de resinas exportados pela Argentina refletem a estagnação da petroquímica local, carente de investimentos em escalas e atualização tecnológica, apesar de desfrutar a competitiva rota do gás natural/etano. Projeções da consultoria Polyolefins Consulting fixam os seguintes indicadores para PEs, resina de produção monopolizada na Argentina pela Dow: uma planta de 100.000 t/a de PEBD com tecnologia tubular Arco há 45 anos na ativa; uma unidade de 122.000 t/a de PEAD com tecnologia em suspensão Hostalen há 40 anos em operação e duas fábricas swing de PEBD/PEBDL: uma de 150.000 t/a licenciada com tecnologia gas phase Unipol e produzindo há 45 anos e outra de 370.000 t/a adepta das tecnologias em solução Dowlex com 26 anos de mercado.

Em PP, a Argentina conta com duas plantas hoje sob a guarda da Petrocuyo: uma unidade de 130.000 t/a, adepta da tecnologia Novolen e que roda há 37 anos, e a planta de 180.000 t/a licenciada pela Shell e com 34 anos de estrada. Por sua vez, a Unipar-Indupa responde sozinha pela produção Argentina de PVC, à frente de planta de 240.000 t/a licenciada da Solvay e operando há 65 anos. Na raia de PET, a Alpek toca a fábrica de 210.000 t/a equipada com tecnologia da Eastman e a relação fecha com a unidade de 65.000 t/a de PS cristal e de alto impacto da Pampa Energia, munida de tecnologia Monsanto e em cena há 45 anos em Zárate, província de Buenos Aires.

Compartilhe esta notícia: