Desde o fim do último superciclo de investimentos petroquímicos (1992-2021), PET forma com poliolefinas e PVC no time das resinas comodities virgens mais açoitadas pelo excedente global. A derrubada das margens de lucro de PET zero km, consequência da superoferta em colisão com demanda mundial de baixo torque, hoje espezinha a rentabilidade e encolhe a procura pelo contratipo reciclado, numa conjuntura em que o alívio para o bolso, proporcionado pelo acessível poliéster novo em folha, pesa mais para brand owners que a devoção ambiental embutida no uso do reciclado. O Brasil não destoa desse cenário nublado, mas, mesmo assim, prossegue em expansão o consumo e a capacidade nacional de PET bottle to bottle (BTB), a única resina reciclada com aval oficial para uso direto em contato com alimentos, condição que a torna, para a opinião pública, uma incontestável demonstração de alinhamento do plástico com a economia circular. Em contraste com a reciclagem de poliolefinas, apinhada de indústrias menores, o reduto brasileiro de PET BTB destaca-se cada vez mais pela ênfase em escalas e tecnologias em dia com o mundo. A regência desse segmento é exercida pela recicladora Cirklo, controlada pelas plataformas de investimentos eB Capital e Circulate Capital e diferenciada pela mais agressiva estratégia de crescimento no ramo. Na entrevista a seguir, Renato Yoshino, egresso da Braskem e agora diretor de vendas da Cirklo examina as pedras no caminho e perspectivas de dias melhores para PET BTB.
No mundo e no Brasil, o plástico reciclado perde espaço para o superofertado e acessível polímero virgem. Uma das maiores recicladoras de PET americanas, a rPlastic Earth, acaba de fechar as portas por este motivo. Qual a estratégia da Cirklo para ampliar vendas de seu PET BTB num ambiente em que brand owners põem de lado a devoção à sustentabilidade em prol da resina virgem mais em conta?
“O investimento em ecomarketing seria bastante proveitoso para a indústria de PET reciclado”
Renato Yoshino / Cirklo
Exceto a indústria de refrigerantes, os demais setores usuários de PET BTB divulgam pouquíssimo a presença do reciclado em suas embalagens. Não seria proveitoso para a cadeia do reciclado investir em ecomarketing para informar o público final sobre a relevância do uso do material nos frascos e garrafas?
Mantemos diálogo constante com parceiros para sugerir formas de ampliar a visibilidade desta causa, embora a decisão final sobre a rotulação dos produtos caiba a eles. O investimento em ecomarketing seria bastante proveitoso para a indústria. De nossa parte, temos buscado atrair a atenção do consumidor final por meio da produção de conteúdo para as redes sociais, enfatizando a importância da participação da sociedade civil no fomento à economia circular. De qualquer forma, atuamos de modo recorrente na difusão de informações sobre o ciclo da reciclagem e a importância da economia circular na cadeia do plástico.
Entre os concorrentes da Cirklo constam um grande transformador (Valgroup) de PET e poliolefinas com braço na reciclagem e uma petroquímica (Indorama) com braço na reciclagem. Como a Cirklo encara a alternativa de expansão entrando em negócios fora do âmbito da reciclagem?
Um enrosco na reciclagem de PCR no Brasil é a ineficiência e instabilidade da coleta de resíduos. Faz sentido a Cirklo investir na verticalização em operações a montante da reciclagem como coleta seletiva, logística reversa e tratamento de resíduos em aterros?
Com plantas de PET BTB em São Paulo e Paraíba, a Cirklo roda hoje com capacidade nominal de 115.000 t/a. Qual a expectativa para o desempenho do seu setor na conjuntura atual?
Amazônia entra no mapa de reciclagem da Cirklo


