Moldes: Trump fecha o mercado dos EUA

Barreira tarifária de 50% visa revigorar matrizarias americanas
Trump: tarifa para aço e alumínio extensiva a moldes para transformação de plástico.
Trump: tarifa para aço e alumínio extensiva a moldes para transformação de plástico.

Em artimanha protecionista para reerguer a metalurgia dos EUA, o governo Trump agregou moldes de injeção, sopro e compressão ao bojo das importações americanas de aço e alumínio gravadas com alíquota alfandegária de 50%, noticiou em 24/8 o portal Plastics News. Olheiros de plantão sentiram gosto agridoce na sobretaxa: embora acarinhe o reduto das matrizarias esvaziado nos EUA os anos 1990, ela encarece seus moldes para a clientela, perigando acrescer 10-20% os custos das ferramentarias locais.

Por sua vez, relata a matéria em Plastics News, transformadores de maior porte, como Amcor Global Containers and Closures, e indústrias finais do calibre da LG Electronics questionaram na mídia a racionalidade da ação contra o livre comércio. Tambem salientaram que moldes não são itens estratégicos para a segurança dos EUA e frisaram o desgosto com o encarecimento de seus custos de produção, resultante da sobrecarga de 50% pespegada nas importações americanas de matrizes para transformar plásticos.

Outra pedra no sapato do renascimento da metalurgia americana, promessa eleitoral de Trump, é o envelhecimento da sua força de trabalho, distinguiu no artigo de Plastics News Scott Peters, presidente da consultoria Molded Marketing LLC. “Embora a medida reative programas de aprendizado técnico, vai demorar para o setor contar com o número de graduados que o mercado aquecido vai exigir”. A carência de pessoal jovem e gabaritado e de uma quantidade aceitável de matrizarias locais, segmento posto em declínio pela concorrência importada, converge agora para previsões de prazos de entrega dos moldes americanos inaceitáveis pelos clientes transformadores, situação que, sob vigência da taxa de 50%, Peters pondera que também deve, a curto prazo, encarecer as matrizes até a capacidade dos fornecedores aumentar e, a partir daí, ocorreria a queda dos preços e prazos de entrega.

Como se não bastasse a baita tarifa de 50%, a regulação americana de comércio exterior prevê, para determinados casos, o acréscimo desta alíquota a outras taxas anteriores de importação. Por exemplo, explica na matéria de Plastics News Laurie Harbour, sócia da consultoria Wipfli LLP, um molde trazido da China é alvo nos EUA de tarifa de 55% decretada em 2018, no primeiro governo Trump, e que passa a 105% sob a vigência da nova barreira alfandegária.

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