Petroquímica: China mais atenta à erosão da rentabilidade

Estratégia da autossuficiência produtiva gera excedente prejudicial de derivados de eteno
Petroquímica: China mais atenta à erosão da rentabilidade.

Surda às leis da oferta e da procura, a China foi a locomotiva do último superciclo mundial de investimentos petroquímicos (1992-2021), submissa à meta do governo de conquistar a autossuficiência produtiva em matérias-primas como polímeros, caso notório de polipropileno (PP). Ocorre que deu a lógica e, desde 2022, o excedente gerado com descomunal contribuição chinesa afunda as margens de lucro da petroquímica mundial. As calamidades financeiras causadas no país pela capacidade sobrante versus baixo nível de ocupação chegaram ao ponto de o governo de XI Jin Ping dar a entender em eventos recentes a medalhões da indústria internacional que poderia considerar tirar o pé do acelerador, mediante ações de racionalização de sua produção de resinas e fim de linha para plantas obsoletas, apregoa artigo postado em 18/8 no portal Chemical Week.

Por trás da obesidade mórbida da oferta, a China hoje responde pela fatia do leão da capacidade incorporada desde 2019 à produção global de eteno, atesta rastreio da consultoria S&P Global Commodity Insights. Desde então o país contribui para o cenário com o acréscimo na faixa de 25 milhões de t/a do petroquímico básico. Em decorrência, a capacidade chinesa de eteno emplacou 51.2 milhões de t/a ao final de 2024 e deve aumentar 9.8 milhões de toneladas ainda este ano; 7.6 milhões em 2026; 4.8 milhões em 2027 e 3.8 milhões em 2028, enumera o radar da S&P Global.
Consequência do excedente engendrado pelo governo de Pequim, as exportações chinesas de derivados de eteno não têm funcionado a contento como meio de desova do excedente doméstico.

Afinal de contas, relata a matéria em Chemical Week, vários países e regiões têm reagido a esta ofensiva com investigações de prática de dumping, volta e meia resultando na homologação de sobretaxas tarifárias para resinas trazidas da China. Em paralelo, a pressão da sobra chinesa de polímeros tornados mais acessíveis tem influído na racionalização da capacidade petroquímica em curso na Europa, onde a indústria manufatureira em geral tem sido vergada por custos nos píncaros de insumos como energia e matérias-primas. Apenas no noroeste europeu, em torno de 4.6 milhões de toneladas da capacidade de eteno foram desativadas ou rumam para este fim em 2027

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