Abalo em pilares do plástico na Alemanha

Custos proibitivos e falta de mão de obra alarmam o setor
Abalo em pilares do plástico na Alemanha

Além da torrente de plantas petroquímicas fechadas, o fogaréu da desindustrialização na Europa grassa, em particular, na cadeia plástica na Alemanha, maior economia do continente e coração da vanguarda global em matérias-primas e equipamentos. A pressão exercida anos seguidos pela carteira esvaziada de pedidos e custos produtivos proibitivos, como os de energia e encargos trabalhistas, abala cada vez mais pilares alemães do plástico, entre eles a disponibilidade de mão de obra qualificada e o progresso da reciclagem, apontaram em entrevista em 11/8 à associação de maquinário industrial VDMA Peter von Hoffmann e Frank Lechner, respectivamente gerente geral da unidade de negócios de máquinas para compostos e gerente geral de tecnologia de processo e P&D da fabricante alemã Coperion.

“A Alemanha gera em torno de 5.7 milhões de t/a de sucata plástica, das quais perto de 35% é reciclado, evidenciando espaço para o crescimento dessa atividade”, ponderou Lechner. “ Como a procura por plástico recuperado supera o volume de resíduos destinados a este processo, a indústria alemã de reciclagem vem desacelerando”. A propósito, o noticiário recente desvenda uma profusão de unidades de reciclagem química e mecânica na Europa descendo as portas ou inadimplentes. Além do mais, argumentou o especialista, tem caído a produção alemã de plásticos, pois indústrias têm realocado para o exterior parte de suas capacidades para escapar da eletricidade cara em demasia. “Por sua vez, a baixa em vigor nos preços do petróleo também não ajuda a reciclagem, tornando o polímero de segundo uso mais caro que o virgem”, acrescentou Lechner. Mesmo assim, notou, a adesão à reciclagem de plástico pós-consumo segue forte na Alemanha e no mundo, deixando subentendida a intensidade dessa tendência visceral para o negócio de extrusoras da Coperion.

A insuficiência de mão de obra gabaritada na Alemanha preocupa Peter von Hoffmann. Na entrevista à VDMA ele considerou não enxergar solução capaz de amenizar o quadro no futuro em razão da crise demográfica (subida da mortalidade e recuo da natalidade) do seu país. “Por motivos como este a Coperion tem se voltado para a construção de máquinas de alta automação e cada vez menos dependentes de pessoas para operá-las. Apesar de tudo, continuamos precisando de gente qualificada e temos trabalhado duro para atrair e manter esse pessoal na empresa”

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