Concorrência acirrada e carga tributária impelem indústrias de transformação a buscar refúgio em áreas incentivadas e em portos com vantagens tarifárias para importações de matérias-primas. Mesmo à sombra desses atrativos, as importações brasileiras de poliolefinas, as resinas mais consumidas, acusaram recuo no primeiro semestre na internação pelos terminais de Manaus, no Amazonas, e de Itajaí, Navegantes e Itapoá, em Santa Catarina. O declínio evidencia a retranca no poder aquisitivo imposta pelos juros altos, inflação indomada e encarecimento dos produtos finais, com destaque para bens de consumo de movimento rápido, entre eles, alimentos, bebidas e artigos de cuidados pessoais, fios condutores da demanda de polietilenos (PE) e polipropileno (PP).
Entre janeiro e junho último, foram desembarcadas no porto de Manaus 62.009 toneladas de PP, atrás das 71.455 computadas no mesmo período em 2024, aponta meticuloso pente-fino da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) com base em varredura de dados pelo governo. No viveiro de PE, desembarcaram no primeiro semestre na Zona Franca 76.281 toneladas da resina de alta densidade (PEAD), bons degraus abaixo das 103.896 registradas na mesma época um ano antes. No nicho do polímero de baixa densidade, o porto de Manaus recebeu 127.532 toneladas importadas na metade inicial de 2025 contra 150.228 aferidas no igual período em 2024. Por fim, o porto que serve o polo industrial assentado na Zona Franca foi o destino no primeiro semestre de 154.105 toneladas de copolímeros de etileno e alfa-olefinas, quantidade em essência no mesmo patamar das 159.041 toneladas ali internadas nos seis meses iniciais do exercício anterior.
Em Santa Catarina, por sua vez, seus portos incentivados registraram a chegada de 188.755 toneladas de PP no primeiro semestre, período em que, em 2024, foi computado o desembarque de 199.653 toneladas. Na raia de PEs, os portos catarinenses internaram na primeira metade de 2025 o total de 127.143 toneladas da resina de alta densidade (PEAD) versus 145.365 ali descarregadas na mesma época no ano passado. Quanto aos grades de baixa densidade (PEBD), foram desembarcadas nos portos de Santa Catarina 47.128 toneladas entre janeiro e junho último, quantidade inferior às 68.307 toneladas ali registradas no referido período em 2024. O bloco de PEs do exterior acolhidos pelos portos de Santa Catarina fecha com copolímeros de etileno e alfa-olefinas. No primeiro semestre, foram internadas 107.321 toneladas, bons degraus abaixo das 143.966 anotadas nos seis primeiros meses do ano anterior.
Como a região sul sedia forte parcela da transformação nacional de materiais de construção, a internação de PVC pelos portos marítimos de Santa Catarina é significativa, inclusive devido ao fato de a produção doméstica do vinil ter sido ultrapassada há bom tempo pelo andar da demanda interna. O levantamento da Abiquim constata a entrada pelos portos catarinenses de 132.802 toneladas de PVC importado entre janeiro e junho último perante 141.390 assinaladas na mesma época em 2024.


