Previsão de queda nas vendas globais de carros

Consultor vê o setor carente de medidas de incentivo às compras de veículos

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Repassada pelo consultor Paul Hodges, blogueiro do portal Icis, uma declaração de fonte da montadora alemã BMW escancara um tremor de terra em andamento na indústria automobilística mundial. “Nos anos 1970, nosso negócio era vender carros. Na década seguinte, surgiram as facilidades de leasing e financiamento. Hoje em dia se pode pagar pelo uso do veículo, tal como ocorre na indústria de música- antes se comprava o álbum e agora se paga pela audição dele”. Para apimentar o pirão das montadoras, lembra o analista, brotam feito desmentidos em Brasília os serviços de táxi tipo Uber; toma vulto o negócio dos carros compartilhados e já se mexem no berçário do mercado os veículos inteligentes, sem motorista. Hodges também assinala o impacto dos preços declinantes dos carros usados, cuja quantidade posta à venda aumenta ponto de entidade chinesa Auto Dealer Association já prever vendas de seminovos no mesmo patamar das de veículos zero km no seu país em 2010. Esses abalos nas fundações do setor automotivo mundial são registrados e meio às escoriações que ele sofreu no frustrante 2016 em seus sete mercados capitais, responsáveis por 85% das suas vendas no planeta. As boas novas no passado, assinala Hodges, concentraram-se nas vendas de EUA e China. Por sinal, as vendas de carros no mercado chinês saltaram de 6.7 milhões de unidades em 2007 para 24,2 milhões no ano passado. Na União Europeia, as vendas aferidas de 14,6 milhões de veículos no ano passado estão aquém do platô de 15.6 milhões em 2007. Por seu turno, os japoneses compraram 4,2 milhões de carros em 2016, aquém dos 4,8 milhões faturados 12 anos antes. Por seu turno, de janeiro a novembro, a Índia mandou bem, com vendas de 2.9 milhões de carros, mas em dezembro, a queda no movimento foi arredondada em 20%, por mudança na política monetária. No Brasil, encaixa o blogueiro, as vendas de 2 milhões de carros em 2016 traduzem o quarto exercício seguido de vermelho no balanço do setor. Por fim, o mercado russo faturou em 2016 a metade dos 2.8 milhões de carros vendidos em 2012. Para Paul Hodges, as vendas do setor automotivo mundial ofegam agora sob viés de baixa, dada a ausência de grandes medidas de estímulo à compra de veículos, aliás, um panorama cavernoso para governos empenhados em manter ascendentes as vendas de carros, devido ao seu impacto no mercado de trabalho.