Jabuticabas de plástico

A estratégia única de bancar uma ideia sem combinar com a realidade

Por ser fruta que só dá por aqui, a jabuticaba teve seu significado estendido para designar qualquer singularidade do Brasil. Nosso setor plástico, por sinal, cultiva desde o século passado um jabuticabal sem fim. Entre as espécies mais frondosas, constam, por exemplo, o estranho hábito de grandes transformadores revenderem resinas no mercado paralelo, ou então, projetos petroquímicos que mudam de rota várias vezes no seu desenrolar, virando enfim uma refinaria de petróleo natimorta. Desde o ano passado, o mercado presencia o amadurecimento de mais uma jabuticaba. Trata-se do lançamento de mais uma feira a se colocar como referência nacional e internacional da indústria brasileira do plástico. Não é caso se de aventar aqui as motivações dos organizadores para o empreendimento, sejam elas políticas, econômicas, comerciais, da boca para fora ou,digamos assim, sublinguais. O sabor inconfundível da jabuticaba é logo sentido até por quem considera cultura Wesley Safadão. Os mentores da feira em gestação evocam a contribuição de Garrincha, aliás uma jabuticaba do futebol, a um ápice do pensamento econômico, a Teoria dos Jogos. Está imortalizada nesta descrição por Nelson Rodrigues. “No meio de campo, Nilson Santos, Zito e Didi trocariam passes curtos para atrair a atenção dos russos… Vavá puxaria a marcação da defesa deles caindo para o lado esquerdo do campo… Depois da troca de passes no meio do campo, repentinamente a bola seria lançada por Nilton Santos nas costas do marcador de Garrincha. Garrincha venceria facilmente seu marcador na corrida e, com a bola dominada, iria até à

 

Para continuar lendo cadastre-se gratuitamente.

Conteúdo restrito a assinantes e cadastrados.
Se você já é usuário, faça login.
Novos usuários podem se cadastrar abaixo.

 

Login de Usuários
   
Registro de Novo Usuário
*Campo obrigatório