O sopro de embalagens in house (dentro das instalações do cliente) é, no universo do plástico, a tradução mais próxima do casamento como uma rara e indissolúvel união por compatibilidade de gênios. Esse conceito de pleno encaixe de interesses emoldura a produção de frascos de polietileno de alta densidade (PEAD) há 25 anos a cargo da transformadora Unipac nas dependências da matriz, em Regente Feijó (SP), da parceira com a Alimentos Wilson, fabricante de produtos como molhos, atomatados e condimentos. A mais recente cereja no bolo é a ampliação, anunciada ao final de maio, dessa capacidade de sopro in house – passou de 3,5 milhões para 5 milhões de unidades anuais de recipientes (inclusos novos formatos de 3,2 e 5 litros), salto viabilizado pela implantação da segunda sopradora da unidade, informa Mauro Fernandes, diretor comercial da Unipac. Esquivo a abrir o investimento feito em conjunto pelas duas empresas, ele esclarece que, além da nova linha de sopro por extrusão contínua, os gastos abrangeram mais moldes, aumento da equipe e adequações da infraestrutura.
Com essa expansão, a Unipac agora responde pelo sopro de todas as embalagens rígidas de PEAD da indústria aliada. “As tampas dos frascos são injetadas na nossa unidade em Limeira (SP)”, explica Fernandes. “Centralizamos a produção ali pelo fato de essa fábrica também atender outros clientes de tampas, otimizando assim sua escala e eficiência operacional”.
Economia logística
Carlos Giunquetti, diretor geral da Alimentos Wilson, assinala que a aliança com a Unipac foi estabelecida em 1999. “A decisão visava substituir os tradicionais recipientes metálicos por embalagens plásticas, com foco em inovação qualidade e custos competitivos”, ele esclarece. “A Unipac propôs a operação in house e a selecionamos como fornecedora por sua qualificação e pela afinidade de seus valores com os nossos. O portfólio da Alimentos Wilson também incorpora frascos de PET, não incluídos no mix da planta in house porque, segundo Giunquetti, a Unipac não detém a tecnologia de moldagem de recipientes com o poliéster grau garrafa, respondendo pela totalidade do suprimento de recipientes de PEAD.
Os atrativos do sopro in house delineiam, por si, as razões da perenidade da parceria da Unipac com a Alimentos Wilson. Entre as vantagens, Fernandes distingue a economia logística, pois etapas de transporte são zeradas pela produção dos recipientes na planta do cliente. O diretor da Unipac salienta ainda as conveniências da rapidez e flexibilidade nas entregas das embalagens. “São ajustadas à sazonalidade da demanda e ao ritmo de envase”, ele complementa, acrescentando à multidão de benefícios proporcionados a customização dos recipientes (gramatura, pigmentação e design sob demanda) e tratativas ágeis de qualidade.
Operação customizada
Na prática, enxameiam complexidades no percurso para as partes chegarem a uma sintonia fina que erija uma operação de sopro in house. Uma referência desses desafios: em 49 anos de ativa, a Unipac logrou conquistar apenas três parcerias desse tipo. Além do acordo firmado com a Alimentos Wilson em 1999, a transformadora entrou no sopro in house de embalagens de agroquímicos para a Syngenta em 2009 e, oito anos depois, para a Nufarm, indústria mais tarde adquirida pela Sumitomo Chemical que, por seu turno, preservou a unidade da Unipac em operação 24/7 na fábrica de defensivos em Maracanaú (CE).

“Apesar dos resultados positivos colhidos nesses três casos, a expansão do modelo in house enfrenta desafios estruturais e estratégicos que ajudam a explicar o número restrito de indústrias finais aderentes a essa modalidade de suprimento de embalagens”, reconhece Fernandes. Trata-se de operação, ele coloca, dependente de comprometimento de longo prazo, investimentos de porte, altamente sincronizada e com fluxo de produção próximo da linha de envase. “Isso implica adaptação logística, cultura de cooperação e planejamento conjunto”. Ele sublinha ainda a exigência de customização total do modelo in house. “Cada planta é desenhada para as especificações da indústria final parceira, a exemplo de singularidades do design e características técnicas das embalagens e de particularidades da personalização da gestão de estoque e abastecimento”. Por essas e outras, deixa claro Fernandes, o trio de operações da Unipac “não só valida o modelo de sopro in house como evidencia que a adoção dele depende de condições nem sempre presentes no mercado como um todo”.


