UMA PERGUNTA

Para Clóvis Dinis Cortesia

Diretor presidente do Grupo Copobras

Devido ao baixo valor comercial e limitações técnicas para o processo, é incipiente a participação de descartáveis na reciclagem de plástico no Brasil. Ao aumentar para 6,75% o IPI para descartáveis em geral (plástico e papel), o governo denigre injustamente uma cadeia industrial como vilã ambiental para arrecadar mais. Os fins justificam os meios?

Clóvis Dinis Cortesia, diretor presidente do Grupo Copobras

“Entre os integrantes do setor industrial e produtivo, é natural que exista certa resistência ao aumento de impostos. Afinal, a experiência acumulada demonstra que esse tipo de medida tende a reduzir a competitividade das empresas sem gerar, necessariamente, benefícios claros, proporcionais e sustentáveis para a sociedade como um todo.

É notória a importância de produtos descartáveis como copos, talheres e alguns tipos de embalagem que, por serem de uso único, garantem a higiene. Além disso, reduzem os riscos de contaminação cruzada, em locais de grande fluxo de pessoas como praças de alimentação em shoppings, hospitais, escritórios e eventos. A relevância desses itens também se destaca quando verificada a cultura crescente do delivery de alimentos.

No contexto atual da gestão pública brasileira – que busca conciliar elevados compromissos orçamentários com a necessidade de equilíbrio fiscal – o aumento da carga tributária acaba se tornando uma alternativa recorrente de ajuste. No entanto, essa prática não se restringe a um setor específico. Assim, o reajuste do IPI sobre produtos descartáveis não parece ter como propósito atribuir à cadeia do plástico a responsabilidade por questões ambientais, mas, sim, compor o conjunto de ações voltadas à arrecadação fiscal. Outros segmentos produtivos enfrentam desafios semelhantes dentro desse mesmo cenário”.

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