Qual o volume de negócios aferido pelo TPB em 2025 versus 2024 e qual o plano de metas e novos projetos traçados para este ano?
Entre janeiro e outubro de 2025, as empresas apoiadas pelo TPB exportaram US$ 441.361.114 quando se consideram apenas as transformadoras integradas às verticais produtivas (segmentos) de utilidades domésticas, construção civil, embalagens, agronegócio, brinquedos e puericultura. O resultado representa alta de 2,47% frente ao mesmo período de 2024, quando as exportações somaram US$ 430.705.651. Ao incorporar também a vertical de insumos, o total embarcado no acumulado de janeiro a outubro de 2025 alcança US$ 1.321.788.724, avanço marginal de 0,26% sobre 2024.Os insumos respondem por 66,61% desse valor exportado no período. No plano geral, o saldo compõe um retrato claro de concentração da pauta em itens de base e de maior escala.
Considerando apenas as verticais de maior valor agregado, nosso balanço de 2025 foi sustentado por uma recomposição interna relevante. O segmento de embalagem segue como a maior vertical em valor, com US$ 284.357.778 entre janeiro e outubro do ano passado, mas recuou 1,85% em relação a 2024 – o que, por si só, funciona como freio estatístico, dado seu peso na cesta dos cinco segmentos verticais. Em contrapartida, o reduto da construção civil avançou 19,53%, alcançando US$ 64.205.476; foi o principal vetor incremental em termos absolutos no período. O segmento de utilidades domésticas cresceu 5,64%, totalizando US$ 77.190.747, enquanto o agronegócio subiu 10,71%, para US$ 14.849.074. O compartimento de brinquedos e puericultura, apesar de manter participação residual, caiu 3,26%, com US$ 758.039. Em termos de estrutura, o ganho de participação mais expressivo foi aferido na construção civil, com aumento de 0,78% no agregado das verticais, sinalizando não apenas crescimento, mas maior relevância relativa dentro do portfólio exportador.
“2025 mostra um setor que cresce melhor quando amplia opções de mercado e reduz a vulnerabilidade a choques em poucos destinos e poucos segmentos da pauta exportadora”
Carlos Moreira, Think Plastic Brazil
Como analisa os resultados de 2025 do ponto de vista geográfico?
O mapa de destinos confirma continuidade com nuances importantes. As Américas permanecem como principal mercado, concentrando 91,88% das exportações das cinco verticais em 2025, mas com leve perda frente aos 92,87% de 2024. Na prática, isso não significa retração regional em valor, pois o continente aumentou 1,39% e somou US$ 405.529.144, mas uma perda de participação por causa do crescimento mais acelerado de outros mercados, em especial a Europa. O ponto central aqui é a mudança dentro das Américas: a América do Sul ampliou sua participação em 2,14% e cresceu 5,49%, enquanto a América do Norte encolheu 18,06%, com queda de 3,10% de participação, movimento consistente com um ambiente mais difícil de acesso ao mercado da região.
Esse ajuste evidencia-se, em particular, nos EUA. No acumulado de janeiro a outubro, o país passou de US$ 52.696.643 em 2024 para US$ 41.006.825 no ano passado, queda de 22,18%, com redução de participação de 12,23% para 9,29% do total exportado pelas nossas verticais produtivas. É um recuo que, por magnitude e velocidade, costuma estar associado ao aumento de barreiras comerciais e custos de internação, como medidas tarifárias e endurecimento de requisitos, além de maior seletividade de compras num cenário de incerteza. Em contrapartida, a dinâmica sul-americana foi claramente favorável: Argentina, Paraguai e Chile cresceram com consistência, atingindo, respectivamente, US$ 126.997.659 (+6,00%), US$ 53.871.276 (+11,91%) e US$ 44.738.145 (+13,39%). O Uruguai manteve volume elevado, com US$ 42.366.301, apesar de leve retração (-1,46%). Somados aos EUA, esses cinco destinos responderam por 70,01% das exportações das nossas verticais em 2025. Vale notar, ainda, movimentos relevantes dentro do próprio bloco regional: Colômbia cresceu 17,45% (US$ 24.363.603) e Equador avançou 26,61% (US$ 7.494.790), enquanto o Peru caiu 48,07% (US$ 6.324.501), sinalizando assimetria de demanda entre as economias andinas.
Qual o balanço do TPB para seus mercados fora do continente americano?
No ano passado, a Europa foi o destaque de nossa diversificação de destinos. As exportações para o continente somaram US$ 24.278.605 no período, alta de 27,23% frente a 2024, elevando a participação europeia para 5,50% e ampliando-a em 1,07%. O crescimento se apoiou em dois pilares complementares: o fortalecimento da região sul, com Espanha atingindo US$ 13.936.558 (+17,77%) e Portugal chegando a US$ 1.061.840 (+26,27%), e um salto expressivo no Leste Europeu, puxado pela Rússia, mercado que avançou para US$ 3.271.733 a partir de uma base baixa em 2024. Também houve expansão em mercados do Norte e Centro do continente, como Alemanha (US$ 1.320.262; +37,77%), ao mesmo tempo em que alguns destinos recuaram. Foram os casos da Bélgica (-53,67%) e Itália (-27,49%).
Em leitura econômica, o conjunto sugere que parte do esforço comercial foi realocado para mercados onde o apetite de compra e a viabilidade de acesso foram mais favoráveis. Isso compensou parcialmente a perda de tração que aferimos na América do Norte.
Essas mudanças no mapa de vendas de 2025 envolveram Ásia e África?
Na Ásia, o desempenho se manteve estável, com sinais de recomposição interna. O continente totalizou US$ 6.630.970 em 2025, recuo de 2,63%, mantendo participação de 1,50%. O Oriente Médio cresceu 4,45% e atingiu US$ 5.507.584, mas com mudanças claras entre países: Emirados Árabes Unidos caíram 13,13% (US$ 2.356.709), enquanto Israel subiu 25,43% (US$ 1.110.413) e a Arábia Saudita avançou 43,59% (US$ 978.500). Já a Ásia Oriental recuou 19,24%, com quedas relevantes em Japão e Coreia do Sul, o que ajuda a explicar por que o continente, no agregado, não acompanhou o dinamismo europeu em 2025.
A África, por sua vez, fechou janeiro a outubro de 2025 com US$ 4.357.836, retração de 5,38%, e participação de 0,99%. O dado agregado, porém, esconde uma mudança importante de composição. A África Ocidental caiu 43,38%, fortemente impactada pelo recuo da Nigéria. Ele reduziu suas compras em 60,32% e passou-as ao saldo de US$ 866.076. Em contraste, houve avanço na África Austral – cresceu 74,17% (US$ 1.298.688), com destaque para a África do Sul, país que mais que triplicou seus resultados para US$ 581.028, e Angola, que somou US$ 564.736 (+14,31%). O norte da África também acelerou, com alta de 140,56% para US$ 729.968, influenciada por abertura ou retomada em mercados como Argélia. Em termos estratégicos, é um sinal de que, embora o continente ainda tenha peso pequeno no total, existem bolsões de tração que merecem leitura fina por país e não apenas com base no agregado continental.
No fechamento do último período, o quadro geral do balanço do TPB é de crescimento moderado e de qualidade mista. Entre as cinco verticais produtivas, a expansão de 2,47% indica capacidade de avançar mesmo com turbulências em mercados relevantes, apoiada por ganhos robustos em construção civil e desempenho positivo em utilidades domésticas e agronegócio. Ao mesmo tempo, a queda em embalagem, sugere pressão concorrencial e reforça a necessidade de defender participação por meio de ações que possam nos ajudar a competir na América do Norte e a diversificar mercados. No consolidado com insumos, o quase-empate do crescimento (+0,26%) confirma que a dinâmica do setor, quando vista de forma ampla, permanece altamente dependente de uma vertical que concentra dois terços das exportações e teve leve retração, o que limita a tração agregada.
Materiais de construção: carro-chefe das exportações de transformados com amparo decisivo do Think Plastic Brazil.
Quais os pontos de atenção trazidos à tona pelo balanço?
Primeiro, consolidar o bom momento na América do Sul, onde o crescimento é mais difuso e o ganho de participação é claro, sem perder de vista o risco de concentração excessiva em poucos destinos. Segundo, tratar a queda dos EUA como um tema tático de curto prazo, com gestão de barreiras, recomposição de canais e eventual reposicionamento de portfólio. Terceiro, acelerar o esforço de diversificação de modo disciplinado, aproveitando o avanço europeu e selecionando oportunidades em Oriente Médio e África. Em síntese, 2025 mostra um setor que cresce e o faz melhor melhor quando amplia opções de mercado e reduz a vulnerabilidade a choques em poucos destinos e em poucos segmentos da pauta exportadora.
Quais as novas metas do TPB inspiradas pela atuação no ano passado?
Elas estão na pauta do nosso 15º Ciclo Estratégico, que cobre o biênio de 2026 e 2027. Sua ambição é clara: ampliar a base apoiada para 196 empresas no primeiro ano e 252 no segundo; manter uma taxa elevada de conversão dessa base em indústrias exportadoras, com meta de chegar a 160 delas em 2026 e 205 em 2027. Em paralelo, sustentar um ritmo relevante de renovação do portfólio, com 55 entrantes em 2026 e 51 em 2027, além da formação de novas exportadoras, projetadas em 5 no primeiro ano e 12 no segundo.
Do ponto de vista econômico, o indicador mais sensível e que ‘amarra’ o restante do esforço, é o valor exportado: o documento do ciclo projeta aproximadamente US$ 1,22 bilhão em 2026 e US$ 1,73 bilhão em 2027, a partir de metodologia que combina variação no número de empresas exportadoras e crescimento global, do mercados-alvo e do Brasil.
Estas metas são perseguidas num ambiente em que barreiras comerciais e exigências regulatórias ganharam peso e podem limitar acesso, reduzir margens e induzir mudanças de estratégia empresarial. Além disso, nosso diagnóstico mostra obstáculos de acesso ao mercado americano. Isso ajuda a explicar por que muitas empresas, em especial as mais expostas à América do Norte, avaliam alternativas como produzir parcial ou integralmente fora do Brasil.
Quantas empresas foram atendidas pelo TPB em 2025 e qual o seu efetivo atual de exportadoras ativas versus 2024?
Em 2025, considerando o consolidado disponível até outubro, atendemos 260 empresas. No mesmo recorte, o efetivo de exportadoras ativas chegou a 190 empresas em 2025, contra 157 em 2024.
Quais os mercados abertos em 2025 pelo TPB no exterior?
Quando a gente olha para a agenda de ‘abertura’ propriamente dita, o TP Brazil concentrou o esforço, no ano passado, em cinco mercados internacionais para nossos transformadores: Colômbia, Chile, Argentina, Costa Rica e Equador. Na prática, a Colômbia aparece como mercado de abertura para diferentes grupos e como porta de entrada natural para ganhar escala regional com menor fricção regulatória que a observada na América do Norte. O Chile, por sua vez, entrou como aposta de abertura com lógica clara de qualificação de demanda e estabilidade comercial, enquanto Argentina, Costa Rica e Equador completaram o desenho.
O ponto importante é que essa abertura não ficou apenas no plano institucional; ela conversa com o que aconteceu na ponta das exportações no próprio ano. Esses cinco mercados somaram, entre janeiro e outubro de 2025, aproximadamente US$ 207,2 milhões em compras, perto de 47% de tudo o que exportamos nas verticais produtivas no período. Em comparação com 2024, houve ganho de peso relativo dessa cesta, o que indica uma realocação saudável do esforço comercial em direção a mercados onde conseguimos crescer com mais consistência. Dentro desse conjunto, Colômbia avançou 17,45% e chegou a cerca de US$ 24,4 milhões; Chile cresceu 13,39% e atingiu aproximadamente US$ 44,7 milhões; Equador subiu 26,61% e foi a US$ 7,5 milhões; Argentina cresceu 6,00% e alcançou US$ 127 milhões. Costa Rica teve recuo de 8,49%, para US$ 3,6 milhões, um sinal de que ‘abrir mercado’ não elimina a volatilidade de curto prazo, especialmente em países onde a demanda pode oscilar mais por ciclo econômico, câmbio e competição local.
Se for realmente homologado, quais as consequências do acordo comercial União Europeia (UE)-Mercosul para as exportações estimuladas pelo TPB?
A primeira consequência positiva é direta e econômica: a redução (em muitos casos a eliminação) das tarifas de importação na UE para parcela muito ampla dos produtos do Mercosul. A combinação dessa diminuição tarifária com regras mais claras de comércio tende a melhorar a competitividade-preço do produto brasileiro na entrada. Isso significa, na prática, mais margem para negociar, mais previsibilidade para contratos e maior capacidade de disputar clientes europeus com base em custo total, ponto decisivo para muita compra industrial. A Europa já se mostrou um mercado com espaço para avançarmos mesmo antes da divulgação desse acordo – em 2025 o TPB conseguiu ampliar as vendas ao continente a partir de uma base ainda pequena, evidenciando a existência de demanda e de empresas brasileiras aptas a para operar dentro do padrão de competitividade europeu.
Segundo ganho: o setor transformador brasileiro é muito dependente das Américas e, dentro disso, vulnerável a choques de barreira comercial e a mudanças regulatórias em mercados específicos. Se a UE se abre de forma mais consistente, ela vira uma alternativa real de crescimento justamente no momento em que muitas empresas estão pressionadas a reavaliar estratégia por conta de tarifas e barreiras em outros destinos. Além disso, a Europa não é apenas um mercado grande, mas sofisticado, com cadeias produtivas integradas e compras com alto padrão técnico. Quando você conquista espaço lá, você ganha volume e credencial. Isso tende a fortalecer sua marca e facilitar sua entrada em outros mercados com exigências similares.
No plano dos segmentos, embalagens é onde o efeito do acordo bilateral pode ser mais expressivo, por duas vias. A primeira, com exportação de embalagens e artefatos plásticos para a própria Europa, favorecida por menor tarifa e menos atrito burocrático. Na outra via, o acordo tende a impulsionar fluxos do agronegócio para o mercado europeu e isso puxa demanda por soluções de embalagem, agrofilmes, irrigação e logística. Por sua vez, utilidades domésticas e bens de consumo ganham a chance de competir em nichos, desde que entreguem conformidade técnica, segurança de materiais e narrativa de qualidade. O segmento de materiais de construção pode avançar, mas aí a variável logística e o atendimento a normas europeias viram ponto central.
Outro efeito positivo está do lado dos insumos e da tecnologia. Se o acordo reduzir tarifas para máquinas, equipamentos, moldes, aditivos e matérias-primas de origem europeia, isso pode baixar custo de investimento e acelerar a modernização do parque industrial brasileiro. Eu vejo isso como competição saudável: acesso mais barato à tecnologia e insumos de alto desempenho melhora produtividade, qualidade e capacidade de atender especificações.
Brasil e Colômbia; remessas colombianas despontam entre as importações brasileiras de resinas e mercado colombiano azeita decolagem de transformados do Brasil na América do Sul.
E quais seriam os possíveis efeitos negativos desse acordo?
O primeiro é a pressão competitiva no mercado interno e na própria região. Se a indústria europeia ganhar acesso gradual ao Mercosul, seus produtos europeus entrarão com preço mais competitivo e qualidade muito forte, o que aperta margens e tira espaço de empresas menos eficientes. Isso pode afetar utilidades domésticas e brinquedos com mais intensidade, pois são segmentos em que importado concorre com o produto nacional no varejo. Em alguns nichos de construção civil também pode haver disputa, principalmente em itens de maior valor agregado. Existe ainda um risco regional importante: nós somos muito fortes no comércio intra-América do Sul e, com a abertura, parte dessa vantagem relativa diminui, porque países vizinhos passam a ter alternativa de compra europeia com tarifas reduzidas ao longo do tempo. Se a empresa brasileira não defender relacionamento, serviço, prazo e custo total, pode perder espaço.
Segundo ponto negativo: o custo de conformidade para exportar à Europa. Tarifa menor ajuda, mas não elimina as barreiras técnicas. A UE exige padrões rigorosos de segurança, química de materiais, rotulagem, rastreabilidade e sustentabilidade. Adequar produto a este padrão exige dinheiro e gestão. Então, o acordo pode ampliar a oportunidade, mas escancara a diferença entre empresas preparadas e as atreladas a processos pouco padronizados.
Terceiro risco: se a importação de resinas, compostos ou até semielaborados crescer muito e o Brasil não avançar em competitividade sistêmica, parte do valor agregado pode ser deslocado para fora. Em um cenário extremo, algumas empresas podem ser tentadas a importar partes prontas ou semiprontas em vez de produzir integralmente aqui, em especial se o Custo Brasil seguir alto.
Por fim, cabe considerar um elemento de timing e risco político. Mesmo homologado, o acordo tende a ter cronogramas de redução tarifária e um período de adaptação. Portanto, os ganhos não são instantâneos e, tratando-se de um entendimento com relevante componente ambiental/político, sempre existe a possibilidade de pressões, condicionantes e ruídos na sua implementação. Isso reforça a necessidade de trabalhar desde já com inteligência de mercado e com uma estratégia muito pragmática: selecionar nichos e países onde o Brasil tem competitividade clara, preparar conformidade técnica e ambiental, construir canal e presença comercial, e, ao mesmo tempo, defender os mercados regionais que hoje sustentam os volumes de nossas exportações.


