Tempo de andar com fé

Cromaster renova e amplia capacidade para quando a retomada chegar
Cromaster renova e amplia capacidade para quando a retomada chegar

Militam no Brasil em torno de 150 componedores de masterbatches cuja capacidade total ronda 500.000 t/a e um naco de 60%a 70% desse volume é abocanhado por 20 indústrias de maior porte, estima a consultoria MaxiQuim. 2025 não está sendo ensolarado para este setor. O período é indigesto a toda a cadeia plástica nacional, mas o elo dos masters se distingue por constituir um drone extraoficial para se averiguar por sobrevoo os danos causados, em bens duráveis e não duráveis, pela economia mantida sem rumo por arcaísmo político. Na entrevista a seguir, José Fernandes Basílio Filho, diretor comercial da referencial componedora paulistana Cromaster, que ele fundou há 26 anos com o sócio João Daniel, sintetiza o preocupante clima espiritual vigente no reduto dos concentrados, mas não se entrega ao derrotismo brandindo ações preparatórias em sua empresa para a retomada que sempre há de vir.

No mundo e no Brasil, o reciclado perde espaço para o super ofertado e acessível plástico virgem. O fator preço tem levado muitos brand owners e transformadores a preferirem a resina virgem, deixando em segundo plano o apoio à sustentabilidade. Diante dessa mudança em curso, a intensa oferta de masters e compostos contendo resina reciclada como veículo caminha para ser cada vez mais esvaziada daqui por diante?

Na verdade, o masterbatch, como um produto que sempre necessita estar agregado a uma política de serviços, sempre vai procurar atender as necessidades dos clientes. Na medida em que as resinas virgens ocupam seu espaço em detrimento das recicladas e seu apelo da sustentabilidade, devido ao excesso de oferta e preços bem competitivos, os fabricantes de masters seguem as mesmas diretrizes definidas pelos brand owners. Além do que, processar resinas virgens é muito mais vantajoso quando se trata de produção de coloridos. Nesse caso, os ajustes das cores, exigem bem menos testes no atendimento aos padrões de coloração requeridos do que os plásticos reciclados pós-consumo (PCR). Afinal, por mais que sejam trabalhados e adequados aos processos, tratam-se de polímeros originários de processamentos anteriores e com cargas e pigmentos embutidos que geram muito mais cuidados na elaboração do master.

“Estamos lutando para fechar 2025 com crescimento próximo de 10% sobre 2024”

José Fernandes, Cromaster

José Fernandes, Cromaster

Juros estratosféricos, inflação sem controle, câmbio volátil, encarecimento de matérias-primas e poder aquisitivo tensionado marcaram o 1º semestre. Quais os segmentos atendidos por sua empresa que considera mais e menos penalizados pela conjuntura de janeiro a junho e, com base nela, qual a expectativa para o exercício completo de 2025 versus 2024?

As condições econômicas instáveis, somadas a um ambiente político pouco confiável, deixam o mercado muito inseguro para investimentos. Essas incertezas geram uma expectativa sempre ruim em relação aos próximos passos. Como a pergunta já afirma, juros altos aliados a crédito caro e escasso, em nada favorecem ou motivam para que mude esse quadro de hesitação do empreendedor. Nessa conjuntura toda, percebemos que alguns segmentos em que atuamos tiveram um desempenho um tanto abaixo de nossas projeções, a exemplo de cosméticos, autos e brinquedos. Mas lutamos por um segundo semestre melhor, período de aquecimento muito tradicional no mercado plástico, para fecharmos 2025 com crescimento próximo a 10% em relação a 2024, um pouco abaixo dos 15% inicialmente previstos.

No Brasil, 2026 é ano eleitoral, período em que o governo aquece pontualmente a economia em busca de votos. Entre os clientes da Cromaster há quem esteja investindo hoje de olho nessa possível retomada em 2026?

Não noto entre nossos principais clientes nem expectativas nem movimentação no sentido de um crescimento acentuado em 2026. Todos apostam ainda em uma política instável e juros muito altos. Além do mais, o governo deverá aumentar muito os gastos, em seu populismo desenfreado para ganhar as eleições, gerando muito mais incertezas. 2026 ainda será um ano de espera quanto a decisões de investimentos.

O setor brasileiro de masters e compostos apresenta um grande distribuidor (activas) e transformadores de peso (Valgroup e Lord) controlando plantas componedoras. A seu ver, esses exemplos demonstram ou não perda de validade para o princípio empresarial de que não se deve competir com fornecedores e clientes?

Acredito que ainda exista muito desconforto com situações onde empresas rompem esse princípio empresarial. Devido a tamanho incômodo, algumas indústrias ainda rejeitam muito a compra de produtos de fornecedores/clientes que se mostram seus concorrentes. Porém, competência técnica e o poderio econômico alcançado fazem com que algumas empresas, como as citadas na pergunta, avancem nessa direção sem se preocuparem com os aspectos comerciais, colocando seus materiais de maneira agressiva e abrangente. Sempre defendi que o mercado está para todos que trabalham bem, com honestidade e transparência. Mas acho que esse mal-estar gerado por competidores que dublam como fornecedores ou clientes acontece na maioria dos casos.

Na voz corrente entre componedores, o atendimento perto dos clientes é vital para abreviar o desenvolvimento de soluções encomendadas e para prover suporte técnico na linha de produção do transformador. As facilidades da Inteligência Artificial (IA) tendem a quebrar este paradigma, permitindo, a grosso modo, um atendimento perfeito não presencial, à distância? Como sua empresa está se preparando para esta nova realidade? Explicar em detalhes, se possível com exemplos.

Considero primordial, de maneira geral, a proximidade entre componedor e o cliente para desenvolvimentos e processos resultarem adequados e satisfatórios. É ilusória a expectativa de que a IA irá fazer o que o vendedor e ou assistente técnico realizam em suas atividades relativas ao atendimento a problemas e necessidades apresentadas pelos transformadores, seja para novos desenvolvimentos ou ajustes de produtos e adequações aos processos apresentados. A IA vai trazer condições para essas áreas de suporte ganharem mais rapidez e eficácia. O serviço apresentado pela equipe técnica no desembaraço de certas situações nunca será 100% atendido por uma plataforma digital de IA. Cito como exemplos casos em que o cliente não tem muita clareza sobre o que precisa para melhorar suas embalagens quando em processamento em máquinas muitas vezes antigas e de poucos recursos técnicos, circunstâncias nas quais a experiência do técnico da componedora em conjunto com o operador da transformadora consegue achar a melhor solução.

Vale a pena para um componedor com planta no Brasil de masters commodities recorrer a um distribuidor de resinas para ampliar suas vendas? Ou é melhor focar na comercialização apenas por sua empresa?

Acho que materiais commodities combinam plenamente com o aumento da penetração proporcionado a esses produtos pelos distribuidores. São canais competentes para a venda desses tipos de matérias, pois tratam-se de masters multiuso e que não requerem maiores cuidados técnicos na sua aplicação. O mercado de plásticos é muito amplo e disperso, com grupos de transformadores sem uma necessidade regular de produtos novos. São os típicos clientes para serem supridos por distribuidores que lhes levam os masters commodities junto com os polímeros.

Quais as principais inovações incorporadas na capacidade instalada da Cromaster?

Nosso foco este ano foi a renovação do parque industrial, para tornar mais eficaz e econômico o fornecimento de produtos já em linha. Modernizamos os aglutinadores em termos de melhora acentuada nos ciclos de processo, bem como na facilidade de troca de cores nos sistemas produtivos. Aumentamos em torno de 20% a capacidade instalada com a aquisição de duas linhas de produção. Com este investimento nos sentimos prontos para encarar os próximos anos, inclusive torcendo muito para 2026 ser melhor do que as expectativas apontam. Será um ano de mudanças já com os primeiros passos para a reforma tributária e simplificação dos impostos, infelizmente sem redução das taxas cobradas. 

LyondellBasell concentrada na circularidade

Carta de navegação mundial em masterbatches, a LyondellBasell acompanha de perto o abalo causado no plástico reciclado pós-consumo (PCR) pelo excedente barateador da resina virgem. Afinal, a empresa não só é formadora global de preços em poliolefinas novas em folha como também transita na Europa e EUA pela reciclagem e biopolímeros. Daí a sua visão menos afogueada em relação ao debate sobre espaço do reciclado como veículo em masters, internacionalmente conturbado hoje em dia pela oferta mais acessível da super-ofertada resina virgem. “Temos atendido transformadores e brand owners com sustentabilidade no DNA e é importante termos uma ênfase regulamentar nela, de forma a ampliar o alcance da circularidade”, atesta Roberto Castilho, diretor de negócios da LyondellBasell. “Já dispomos de uma série de soluções para substituir embalagens multimaterial por mono, seja em base polietileno (PE) ou polipropileno (PP), viabilizando a simples e econômica reciclagem mecânica para gerar materiais recuperados de melhor qualidade”. Na mesma trilha, ele acena com seus compatibilizantes PE/PP contendo poliamida (PA) para ampliar a taxa de reciclagem de poliolefinas.

Entre as principais soluções em linha com a economia circular desovadas há pouco do pipeline da LyondellBasell, Castilho distingue o concentrado Polybatch AO 5NG para auxiliar e diminuir o odor associado ao uso de PCR. “Seus aditivos também controlam a degradação térmica, contribuindo para melhorar o processamento e reduzir a obstrução de telas”, complementa o diretor. Ele aproveita a deixa para ressaltar as virtudes do master expansivo Polybatch U 0294. “Na injeção de PE ou PP, ele libera dióxido de carbono, gás que fica aprisionado na estrutura do plástico e possibilita economia de 20% a 30% no emprego da resina”. Além do mais, ele assinala, a peça contendo esse master ganha mais estabilidade pela formação de uma estrutura de células menores e mais homogêneas. No embalo, Castilho alonga a fila de novidades adeptas da circularidade com os grades Polybatch AMF 7152 e AMF 7206, diferenciados pela incorporação de princípios ativos alternativos aos fluorpolímeros.

Retomando o fio do PCR, o executivo da LyondellBasell sublinha a recente entrada em cena do master Polybatch CA 10012. “Aprimora as propriedades mecânicas de aplicações de PCR e permite aumentar o teor do material na mistura com grades virgens”.

No âmbito das soluções de barreira, a Lyondell acena, para substituir em embalagens monomaterial as opções tradicionais de PA e copolímero de eteno e álcool vinílico (EVOH), com o master Polybatch BAR. “Também assegura excelência na selagem e características físicas e ópticas”, acrescenta Castilho. No arremate do arsenal de desenvolvimentos da série Polybatch ligados por cordão umbilical à circularidade, Castilho tira da manga um ás nas vestes do master Easy Pour. “Permite que cremes ou pastas de alimentos ou cosméticos fluam com mais facilidade para fora da embalagem, convergindo assim para a conveniência sustentável de uso total do conteúdo e simplificação da reciclagem da embalagem vazia”. Para coroar os prós de Easy Pour, Castilho comenta que esta especialidade da LyondellBasell também aprimora o aspecto do head space (espaço vazio com ar dentro da embalagem) em bisnagas transparentes.

Avanços da Konica Minolta para manter as cores na linha

Prioridade zero nas bancadas laboratoriais de componedores de masters, a régua do controle digital de cores sobe com a chegada dos espectrofotômetros portáteis CM-16d e CM-17d da americana Konica Minolta. “Além da portabilidade, esses modelos permitem, devido a seu formato, a medição de amostras côncavas e convexas superior à de outros instrumentos no gênero”, enfatiza o gerente técnico /comercial Grelton Nascimento. No embalo, ele distingue também nesses equipamentos a incorporação de novos iluminantes padrão CIE (LED-B1 a LED-B5, LED-V1 e V-2, LED BH-1 e LED-RGB1) com respectivas temperaturas de cor 2851 e 2840 K. “Além dos dados colorimétricos tradicionais, esses espectrofômetros agregam novas fórmulas Jetness (My e Mc) e Subtom (dM). No âmbito específico do modelo CM-17D, Nascimento insere a disponibilidade de duas aberturas de medição e de câmara digital para posicionamento preciso do instrumento sobre a amostra.

Outro ás do monitoramento de cores que a Konica Minolta acaba de tirar da manga: o espectrofotômetro de bancada (bench-top) CM-700 3700 A Plus. “É ID do recurso: 1503942860 nosso modelo mais sofisticado, destinado a medições por refletância e transmitância”, indica o executivo. “Possui novo sistema óptico, em aço inox, de baixo coeficiente de expansão térmica, o que amplia sua durabilidade e estabilidade”.

Nascimento sublinha ainda o recurso disponível da correlação instrumental de DE ab* 0.08 e repetibilidade de DE ab*0.005, além do ajuste de UV por filtro e quatro aberturas de medição. Para fechar os pontos altos desse espectrofotômetro de mesa, ele cita a incorporação de tecnologia de Análise e Ajuste de Comprimentos de Onda (WAA), por sinal patenteada pela Konica Minolta. “Por meio dela, este ajuste é efetuado durante o procedimento diário de calibração do instrumento”.

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