Schütz Vasitex acentua circularidade de embalagens industriais

Reciclagem e logística reversa pesam cada vez mais nos desenvolvimentos
Schütz Vasitex acentua circularidade de embalagens industriais

No plano macro, a indústria brasileira atravessa hoje um campo minado, se esgueirando a muito custo entre juros descomunais, crédito retrancado, déficit fiscal versus gastança populista e inflação fora da meta e que poderia estar acima de 5% não fosse a surpreendente valorização cambial durante este ano. No plano micro, no entanto, bolsões de setores fundamentais para a economia e o consumo de resinas, tipo agronegócio e os universos da química e alimentos, exibem uma capacidade camaleônica de adaptação à conturbada realidade atual. Por tabela, esses setores proporcionam um bem-vindo respiro às cadeias de seus fornecedores. Nos domínios do plástico, fala por si o reduto de embalagens industriais, onde a subsidiária brasileira da alemã Schütz Vasitex impera com suas bombonas, tambores e IBCs (Intermediate Bulk Containers ou reservatórios intermediários para produtos a granel), impulsionados pela supremacia funcional e sustentável. Nesta entrevista, o CEO Luiz Francisco da Cunha esquadrinha o comportamento do mercado e os fundamentos dos avanços constantes em seus recipientes de polietileno de alta densidade (PEAD).

Como dimensiona a atual capacidade instalada de embalagens industriais da Schütz Vasitex no Brasil? Qual o nível de ocupação no 1º semestre e, com base nele, qual a expectativa para produção e vendas da empresa no exercício inteiro de 2025 versus 2024?

Contamos com uma capacidade instalada robusta e flexível para atender à demanda nacional e regional por IBCs, tambores e bombonas. Nossas cinco plantas em Guarulhos (Grande SP) estão preparadas para operar em volumes anuais comparáveis aos dos maiores players da América Latina. No primeiro semestre, registramos um nível de ocupação economicamente saudável, acima de 80%, com destaque para o suprimento dos setores de tintas, químicos e agroquímicos. Para o exercício de 2025, apesar dos grandes desafios do cenário internacional e das incertezas no âmbito local, projetamos resultados em linha com 2024, tanto em produção quanto em vendas. Essa perspectiva é sustentada pela reconhecida qualidade dos nossos IBCs; pelo avanço da linha sustentável Green Layer, produzida com 30% de material reciclado, e pela confiança dos clientes em nosso modelo de logística reversa em ciclo fechado.

“Nos últimos 5 anos, segmentos ligados ao agronegócio e indústria química foram os que mais ampliaram a participação no consumo de nossas embalagens”

Luiz Francisco da Cunha / SCHÜTZ VASITEX

Luiz Francisco da Cunha da SCHÜTZ VASITEX

Qual a expectativa para o negócio da Schütz Vasitex em 2026, ano eleitoral em que o governo brasileiro acena com aquecimento pontual da economia em busca de votos?

Tradicionalmente, anos eleitorais trazem estímulos adicionais à economia, o que pode gerar aquecimento em setores usuários de nossas embalagens, como infraestrutura e agro. Entretanto, nossa estratégia é pautada pela diversificação de mercados e pelo fornecimento a segmentos essenciais, garantindo estabilidade mesmo em cenários de incerteza. Estamos confiantes de que a demanda por embalagens industriais seguirá sólida, especialmente em agroquímicos, químicos para cosméticos e alimentos. Tratam-se de setores historicamente menos sensíveis a oscilações políticas e que continuarão demandando soluções seguras e sustentáveis para envase e desenvase.

Juros impraticáveis, inflação fora da meta, crédito caro e escasso, alta inadimplência e perda do poder aquisitivo têm influído no desempenho deste ano da atividade industrial. Quais os setores usuários de suas embalagens mais e menos penalizados pela conjuntura econômica do Brasil?

De fato, a conjuntura macroeconômica impacta parte relevante da indústria brasileira e a Schütz Vasitex enfrenta esses mesmos desafios. No entanto, nosso portfólio está direcionado a segmentos essenciais e resilientes, caso de agroquímicos, químicos, petroquímicos e alimentos. Essa superação setorial sustenta o desempenho da empresa mesmo em cenários de pressão econômica. Já mercados mais atrelados ao consumo discricionário, como construção civil, lubrificantes automotivos e algumas linhas de especialidades químicas são mais afetados pelos juros elevados e restrição de crédito.

Como reparte por setores industriais específicos a atual demanda no Brasil das embalagens industriais da Schütz Vasitex? Quais desses setores mais aumentaram seu consumo de embalagens da empresa nos últimos cinco anos?

Atendemos principalmente os setores de químicos, petroquímicos, tintas e vernizes, agroquímicos, lubrificantes, alimentos e bebidas. Ainda que não possamos divulgar percentuais exatos, destacamos que, nos últimos cinco anos, segmentos ligados ao agronegócio e à indústria química foram os que mais ampliaram a participação no consumo de nossas embalagens. Esse crescimento reflete o dinamismo do agronegócio e a demanda crescente por soluções adequadas, em plena conformidade legal, ao acondicionamento e transporte de produtos perigosos.

Quais as principais inovações introduzidas este ano no mostruário de suas embalagens industriais?

Demos este ano um passo importante na direção da inovação sustentável. O principal avanço foi a chegada e ampliação da linha Green Layer. O que isso significa? São IBCs e tambores produzidos com uma tecnologia de três camadas de PEAD, sendo a central feita com cerca de 30% de material reciclado, enquanto as demais permanecem 100% de de material virgem. Isso garante a segurança química, mantém as certificações exigidas e reduz as emissões de dióxido de carbono. Para dar uma ideia, a diminuição pode chegar a quase sete quilos do gás por IBC e cerca de quatro quilos por tambor, sem perda de vida útil ou segurança.

Outra novidade no nosso portfólio: as bombonas SC1, de 20 e 25 litros, também disponíveis na versão Green Layer. Apresentam design mais moderno e funcional, empilham melhor, têm mais espaço para rótulos, alça mais anatômica e facilitam o esvaziamento do produto.

Além disso, começamos a produzir no Brasil nossos paletes plásticos e cantoneiras com 100% de resina reciclada, diminuindo assim o uso de matéria-prima virgem, encurtando a cadeia logística e aumentando a circularidade de toda a solução de embalagem. tudo isso se conecta ao nosso sistema de logística reversa, denominado Schütz Ticket Service.

Através dele, embalagens usadas são coletadas, recondicionadas e recicladas O polímero recuperado volta em ciclo fechado a novo ciclo de vida.

Quais os modelos de embalagens plásticas produzidos na sede alemã da empresa e que tendem a estrear na produção no Brasil a curto prazo?

Algumas soluções bem avançadas do portfólio da nossa matriz estão prestes a chegar ao Brasil. A curto prazo, vamos estrear aqui dois formatos inéditos de IBCs: de 560 e 1.250 litros. Eles focam clientes dependentes de embalagens mais compactas, que ocupam menos espaço, e os que buscam volumes maiores, com ganhos logísticos e redução de custo no transporte e armazenamento.

Tanto IBCs quanto tambores são embalagens pensadas dentro do nosso lema: ‘Projetadas para circularem’. Ou seja, já nascem preparadas para reúso, reciclagem e voltar ao ciclo produtivo, garantindo mais eficiência, menos impacto ambiental e um custo total de operação menor aos clientes.

Para 2026, quais os eventuais planos de expansão e modernização da produção da capacidade brasileira da Schütz Vasitex?

Nossas cinco plantas em Guarulhos são especializadas por linha de produto e já contam com baixo nível de intervenção manual na produção. Para 2026, estudamos mais investimentos em digitalização de processos, automação avançada, atualização de máquinas e sistemas de monitoramento inteligente. Essas melhorias visam não apenas elevar a produtividade e a qualidade, mas reforçar o compromisso global da companhia com segurança, eficiência energética e sustentabilidade.

Compartilhe esta notícia:

Deixe um comentário